21 de janeiro de 2017

"Primeiro fique sozinho.
Primeiro comece a se divertir sozinho.
Primeiro amar a si mesmo.
Primeiro ser tão autenticamente feliz, que se ninguém vem, não importa; você está cheio, transbordando.⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀ ⠀⠀ ⠀ ⠀
Se ninguém bate à sua porta, está tudo bem –
Você não está em falta.
Você não está esperando por alguém para vir e bater à porta.
Você está em casa.
Se alguém vier, bom, belo.
Se ninguém vier, também é bom e belo
Em seguida, você pode passar para um relacionamento.
Agora você se move como um mestre, não como um mendigo.
Agora você se move como um imperador, não como um mendigo.
E a pessoa que viveu em sua solidão será sempre atraída para outra pessoa que também está vivendo sua solidão lindamente, porque o mesmo atrai o mesmo.
Quando dois mestres se encontram – mestres do seu ser, de sua solidão -felicidade não é apenas acrescentada: é multiplicada.
Torna-se uma tremendo fenômeno de celebração.
E eles não exploram um ao outro, eles compartilham.
Eles não utilizam o outro.
Em vez disso, pelo contrário,
ambos tornam-se UM e
desfrutam da existência que os rodeia." Osho

16 de janeiro de 2017

“A natureza tem tudo”

Cultivo de alimentos pelo sistema de agroflorestas possibilita o equilíbrio biológico promovendo naturalmente o controle de pragas e doenças nas plantas
Por: Eder Calegari (eder.calegari@folhadonoroeste.com.br)
Fotos - Vanessa Harlos
À primeira vista pode parecer simplesmente uma propriedade rodeada por uma mata. Mas não se engane, é preciso adentrar para perceber que entre árvores, existem alimentos. Assim é metade da área de 10 hectares na linha São Dimas, em Cristal do Sul, que pertence a Adilson do Prado Martins. O professor de história e filosofia, é agricultor quando não está dedicando-se a sala de aula. Com a ajuda dos pais que residem próximos, da filha e também da esposa, Juciana de Azevedo Martins, eles plantam diversos alimentos consorciados a floresta. A prática também foi certificada pela Rede Ecovida de Agroecologia.
Os sistemas agroflorestais nada mais são do que cultivos agrícolas junto com espécies arbóreas utilizadas para restaurar matas e recuperar áreas degradadas. A tecnologia ameniza limitações do terreno, minimiza riscos de degradação inerentes à própria atividade agrícola além de otimizar a produtividade. Existe ainda, naturalmente, uma diminuição na perda de fertilidade do solo e no ataque de pragas.
A experiência deu tão certo que o agricultor não precisa nem mesmo utilizar biofertilizantes nas plantas. “Quando adquirimos a área o solo era degradado e hoje não necessita de mais nada. A floresta é uma grande aliada, a natureza tem tudo! A partir do manejo conseguimos produzir uma diversidade de frutas como laranja, vergamotas, pêssegos, abacate, banana. Colhemos açafrão, feijão, mandioca, milho. Nas áreas abertas, contornadas pela mata, plantamos o trigo. Tudo sem agrotóxico ou fertilizante industrial” destacou. A venda compensa. O quilo do trigo por exemplo, é comercializado pelo dobro do valor, comparado ao convencional.
A técnica
A utilização de árvores é fundamental para a recuperação das funções ecológicas, uma vez que elas possibilitam o restabelecimento de boa parte das relações entre as plantas e animais. Martins explica que usa árvores exóticas ou então introduz espécies que naturalmente contribuem na produção. Também faz a roçada da vegetação. “Vou aperfeiçoando. Faço a poda das arvores maiores e assim controlo a luminosidade. É incalculável a quantia de minerais que a mata proporciona neste sistema enquanto a agricultura convencional trabalha basicamente com Nitrogênio, Potássio e Fósforo, o famoso NPK. A natureza é muito mais ampla”, relatou.
Para o membro de comunicação do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Marcos Corbari, a diversidade é uma marca do sistema. O agricultor consegue comida saudável, renda para a propriedade e praticamente não compra alimentos no supermercado. “Dois aspectos centrais: o primeiro é o respeito ao ciclo da vida. O segundo, a conotação política de cultivo contrariando um sistema hegemônico propondo o sistema coletivista. Entendemos que as palavras comida e veneno não podem ser utilizadas na mesma frase, quanto mais, dentro do mesmo cultivo” destacou Corbari.
Conforme o MPA, o movimento possui atualmente aqui na região, 379 áreas no sistema de agroflorestas que totalizam cerca de 500 hectares.
 

10 de janeiro de 2017

Quem quer aposentadoria aos 65 anos nunca cortou cana ou carregou cimento

Por Leonardo Sakamoto, escrito em 12/09/2016.

Normalmente quem defende a imposição da idade mínima de 65 anos para aposentadoria somos nós, jornalistas, cientistas sociais, economistas, administradores públicos e privados, advogados, políticos.
Afinal de contas, o que são 65 anos para nós, que trabalhamos em atividades que nos exigem muito mais intelectualmente?
Diante da incapacidade de se colocar no lugar do outro, do trabalhador e da trabalhadora que dependem de sua força física para ganhar o pão, no campo e na cidade, esquecemos que seus corpos se degradam a uma velocidade muito maior que a dos nossos.
Ou seja, a menos que tenham tirado a sorte grande na loteria da vida, eles tendem a ter uma vida mais curta (e sofrida) que a nossa. No Maranhão, a média da expectativa de vida masculina é de 66 anos.
Já fiz esse debate por aqui, mas quero retomá-lo por conta da notícia de que o governo federal quer priorizar as mudanças no INSS entre todas as reformas que pretende tocar.
''Eu pessoalmente, e penso que falo em nome do presidente Temer, penso que nós não devemos nesse momento trazer para um debate mais amplo nenhum tema que não seja a reforma fiscal e a reforma da Previdência'', afirmou o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, nesta segunda (12). ''Penso que nós vamos centrar fogo neste momento até nós conseguirmos aprovar essas duas reformas, que são fundamentais para o Brasil.''
Você que está, neste momento, fazendo mimimi para isso, provavelmente não costuma carregar sacos de cimento nas costas durante toda uma jornada de trabalho, cortar mais de 12 toneladas de cana de açúcar diariamente, queimar-se ao produzir carradas de carvão vegetal para abastecer siderúrgicas e limpar pastos ou colher frutas sob um sol escaldante.

Carvoaria em Minas Gerais. Foto: João Roberto Ripper
 Carvoaria em Minas Gerais. Foto: João Roberto Ripper

Ou, se teve uma vida com essas provações e, mesmo assim, concorda com os doutores que defendem essa mudança em nome dos cofres públicos, achando que ''quem quer se aposentar antes dos 65 é vagabundo'', parabéns. Você consegue, como ninguém, exercer o papel de cão de guarda do capital alheio.
Aos 14 anos, muitos desses trabalhadores já estavam na luta e nem sempre apenas como aprendizes, como manda a lei. Às vezes, começaram no batente até antes, aos 12, dez ou menos. Afinal, no Brasil, acredita-se que o ''trabalho molda o caráter da criança''.
Os sábios que estão discutindo no Ministério da Fazenda a questão da imposição da idade mínima como requisito, além, é claro, do tempo de contribuição e/ou de serviço, deveriam ter que explicar a proposta, cara a cara, para um grupo de cortadores de cana ou de pedreiros.
Sem meias palavras, sem enganações. Se sair inteiro de lá, pode tocar.
O ideal seria, antes de fazer uma Reforma da Previdência Social, garantirmos a qualidade do trabalho no Brasil, melhorando o salário e a formação de quem vende sua força física, proporcionando a eles e elas qualidade de vida – seja através do desenvolvimento da tecnologia, seja através da adoção de limites mais rigorosos para a exploração do trabalho. O que tende a aumentar, é claro, a produtividade.
Mas como isso está longe de acontecer (basta ver a ''vida'' dos empregados de frigoríficos em todo o país, que são aposentados por invalidez aos 30 e poucos anos por sequelas deixadas pelo serviço), a discussão talvez passe por um regime diferenciado para determinadas categorias. E, mesmo assim, não será simples, pois em algumas delas os profissionais são levados aos limites e aposentados por danos psicológicos – ou chegam aos 60 sem condições de desfrutar o merecido descanso.
Há milhões de pessoas, fundamentais para o crescimento do país, que se esfolam a vida inteira e não devem ser deixadas na beira da estrada quando deixarem a população economicamente ativa.
Infelizmente, o governo federal acha que o Brasil é um grande escritório com ar condicionado.