31 de maio de 2016

Prosperidade x Simplicidade

Por Andrea Pavlovitsch

Vivemos tempos difíceis. Tempos de falta, de crises, de problemas políticos que parecem não ter fim. De operações lava a jato, de corrupção, desordem e miséria. Não que isso seja novidade na história do Brasil ou do mundo, mas tempos que são complicados para todos as pessoas que passam por elas. E não adianta invejarmos o jardim do vizinho. Invejarmos os países onde essas coisas não acontecem. Cada povo (assim como cada pessoa), precisa aprender com seus carmas. Se todos nós, brasileiros, estamos nesse barco (e lindamente estamos nos mexendo para isso), é porque precisamos aprender com tudo isso.
Mas aí me pus a pensar. Por que um político rouba? Basicamente porque ele pode. Porque o sistema é falho e corrupto como um todo. Mas, no frigir dos ovos, o que as pessoas mais querem é dinheiro e poder. O dinheiro, na verdade, na cabeça da maioria é poder. Poder financeiro é o que rege o mundo. Então, vende-se a própria alma, em troca dele.
Na verdade, não é isso. Dinheiro não é o vilão da história e sim as pessoas que fazem mal-uso dele. Dinheiro é uma benção dos céus. É algo que nós usamos para satisfazermos as nossas necessidades. Necessidades básicas, como comer e se vestir, e necessidades do espírito, como aprender, ter cultura e boas experiências. No mais, o que realmente existe? Bolsas de grife que custam mais de seis dígitos? Sapatos? Carros que correm mais que a velocidade da luz? Tudo é beleza, sem sombra de dúvida. Modelos, design. Milhares de pessoas trabalhando em projetos audaciosos. A tecnologia evoluindo para o bem da humanidade, isso tudo é lindo. O problema é quando deixamos de sentir esse prazer para ter por ter, ou pior, ter para mostrar para o outro que temos.
Uma vida de Facebook, onde viajamos para lugares distantes e comemos comidas caras, mas que não nos dizem nada. Só preenchem uma série de atributos numa imensa lista de quereres (whish list, para os íntimos do inglês). Os “must have”, “must go”, “must eat” da vida, as coisas que inventam que nós, humanos e limitados, deveríamos querer.  
Você tem que ter. Se você não tem é fracassado. Se você não veste as marcas X, Y, Z (porque não te servem ou você não pode comprar ou preencha com qualquer outro motivo idiota) você não serve. E aí você sai correndo para comprar. Divide em 12 x no cartão de créditos com juros bem “baixinhos”. Trabalha, todos os dias, até as 2 da manhã, deixando seus filhos em casa, sozinhos e sem brincadeiras antes de dormir. Rouba. Se corrompe. Vende-se nas feiras da vida, das empresas, dos políticos, de toda sorte (ou azar) de baboseiras. Pelo que mesmo? Ah, para ter. E parecer ser o que você nem é.
Não sei quem falou (sabe como é a internet, creditando frases a quem nunca as proferiu) “Compramos coisas que não queremos, com o dinheiro que não temos para impressionar pessoas que não conhecemos”. É, bem isso meus amigos. Vivemos com tanta parafernália que precisamos de limpeza nos armários de seis em seis meses. Temos sapatos com mais de cinco anos de comprado e com o uso de duas vezes. Sempre, sempre “precisamos” do computador de último modelo. Pegamos filas, quilométricas e demoradas, para almoçar no restaurante da moda. Vendemos nossa alma ao diabo para parecer o que não somos.
Na verdade, ninguém precisa viver na merda. É claro que não! Todas as pessoas têm direito a tudo: educação, alimentação adequada, lazer, transporte, saúde. Todos os seres humanos precisam sim brigar por isso, conquistar isso para si e para os seus. E isso tudo usando também a coletividade como alicerce. Mas ser feliz, estar bem, é bem mais simples do que isso.
Procure, dentro de você, o que realmente te faz feliz. É uma fila de restaurante caro ou as fritas da sua mãe? São horas de trânsito na estrada num feriado frio ou sentar na frente do seu seriado favorito com um balde de pipocas, mesmo que isso não seja considerado muito “cool”. É ser feliz ou ser legal?
Prospere. Ganhe! Invista. Tenha, possua, ame coisas lindas e caras. Mas não se venda a elas. Elas só são coisas. Você é um ser humano completo. Procure sim a felicidade nas pequenas coisas, no mais simples. Em olhar a natureza real dos locais, das pessoas. Faça uma ou outra extravagância, mas não roube o seu sono para pagar contas de uma vida que não é sua. Seja o que você é. Aceite isso, de todas as formas possíveis, e saiba que ser feliz independe disso. Depende, isso sim, do quanto você faz por você e consequentemente, faz pelos outros ao seu redor.

30 de maio de 2016

16 de maio de 2016

Flamboyants, por Rubem Alves

A manhã estava linda: céu azul, ventinho fresco. Infelizmente, muitas obrigações me aguardavam. Coisas que eu tinha de fazer. Aí, lembrei-me do menino-filósofo chamado Nietzsche que dizia que ficar em casa estudando, quando tudo é lindo lá fora, é uma evidência de estupidez. Mandei as obrigações às favas e fui caminhar na lagoa do Taquaral.
Bem, não fui mesmo caminhar. Meu desejo não era médico, caminhar para combater o colesterol. Caminhar, para mim, é uma desculpa para ver, para cheirar, para ouvir… Caminho para levar meus sentidos a dar um passeio. Tanta coisa: os patos, os gansos, os eucaliptos, as libélulas, a brisa acarinhando a pele — os pensamentos esquecidos dos deveres. Sem pensar, porque, como disse Caeiro, “pensar é estar doente dos olhos”. Aí, quando já me preparava para ir embora, já no carro, vejo um amigo. Paramos. Papeamos. Ele, com uma máquina fotográfica. Andava por lá, fotografando. Não tenho autorização para dizer o nome dele. Vou chamá-lo de Romeu, aquele que amava a Julieta. Me confidenciou: “Vou fazer uma surpresa para a Julieta. Ela adora os flamboyants. E eles estão maravilhosos. Vou fazer um álbum de fotografias de flamboyants para ela… Você não quer vir até a nossa casa para tomar um cafezinho?”
Fui. Mas ele me advertiu: “Não diga nada para ela. É surpresa…” Esta história tem sua continuação um pouco abaixo. Recomeço em outro lugar.
As crianças da 3ª série do Parthenon, escola linda, me convidaram para uma visita. Elas tinham estado fazendo um trabalho sobre um livrinho que escrevi, O Gambá Que Não Sabia Sorrir. Queriam me mostrar. Foi uma gostosura. É uma felicidade sentir-se amado pelas crianças. Eu me senti feliz. Aí aconteceu uma coisa que não estava no programa. Uma menininha, na hora das perguntas, disse que ela havia lido a minha crônica Se Eu Tiver Apenas Um Ano a Mais de Vida…
Espantei-me ao saber que uma menina de nove anos lia minhas crônicas. Lia e gostava. Lia e entendia. Aí ela acrescentou: “Recortei a crônica e trouxe para a professora…” Confirmou-se aquilo de que eu sempre suspeitara: as crianças são mais sábias que os adultos. Porque o fato é que muitos adultos ficaram espantados e não quiseram brincar de fazer de contas que eles tinham apenas um ano a mais para viver. Ficaram com medo. Acharam mórbido.
As crianças, inconscientemente, sabem que a vida é coisa muito frágil, feito uma bolha de sabão. Minha filha Raquel tinha apenas dois anos. Eram seis horas da manhã. Eu estava dormindo. Ela saiu da caminha dela e veio me acordar. Veio me acordar porque ela estava lutando com uma idéia que a fazia sofrer. Sacudiu-me, eu acordei, sorri para ela, e ela me disse: “Papai, quando você morrer você vai sentir saudades?” Eu fiquei pasmo, sem saber o que dizer. Mas aí ela me salvou: “Não chore porque eu vou abraçar você…”
As crianças sabem que a vida é marcada por perdas. As pessoas morrem, partem. Partindo, devem sentir saudades — porque a vida é tão boa! Por isso, o que nos resta fazer é abraçar o que amamos enquanto a bolha não estoura.
Os adultos não sabem disso porque foram educados. Um dos objetivos da educação é fazer-nos esquecer da morte. Você conhece alguma escola em que se fale sobre a morte com os alunos? É preciso esquecer da morte para levar a sério os deveres. Esquecidos da morte, a bolha de sabão vira esfera de aço. Inconscientes da morte aceitamos como naturais as cargas de repressão, sofrimento e frustração que a realidade social nos impõe. Quem sabe que a vida é bolha de sabão passa a desconfiar dos deveres… E, como disse Walt Whitmann, “quem anda duzentos metros sem vontade, anda seguindo o próprio funeral, vestindo a própria mortalha”.
O pessoal da poesia está levando a sério a brincadeira. Eu mesmo já fiz vários cortes drásticos em compromissos que assumi. Eram esferas de aço. Transformei-os em bolhas de sabão e os estourei. Pois o pessoal da poesia decidiu que, no programa de um ano de vida apenas, num dos nossos encontros não haveria leitura de poesia: haveria brinquedos e brincadeiras. Cada um trataria de desenterrar os brinquedos que os deveres haviam enterrado.
Obedeci. Abri o meu baú de brinquedos. Piões, corrupios, bilboquês, iô-iôs e uma infinidade de outros brinquedos que não têm nome. Seria indigno que eu levasse piões e não soubesse rodá-los. Peguei um pião e uma fieira e fui praticar. Estava rodando o pião no meu jardim quando um cliente chegou. Olhou-me espantado. Ele não imaginava que psicanalistas rodassem piões. Psicanalista é pessoa séria, ser do dever. Pião é coisa de criança, ser do prazer.
Acho que meus colegas psicanalistas concordariam com meu paciente. A teoria diz que um cliente nada deve saber da vida do psicanalista. O psicanalista deve ser apenas um espaço vazio, tela onde o paciente projeta suas identificações. Mas a minha vocação é a heresia. Ando na direção contrária. “Você sabe rodar piões?”, eu perguntei. Ele não sabia. Acho que ficou com inveja. A sessão de terapia foi sobre isso. E ele me disse que um dos seus maiores problemas era o medo do ridículo. Crianças são ridículas. Adultos não são ridículos. Aí conversamos sobre uma coisa sobre a qual eu nunca havia pensado: que, talvez, uma das funções da terapia seja fazer com que as pessoas não tenham medo das coisas que os “outros” definem como ridículo. Quem não tem medo do ridículo está livre do olhar dos outros.
Preparei o encontro de poesia de um jeito diferente. Nada de sopas sofisticadas. Fui procurar macarrão de letrinha, coisa de criança. Não encontrei. Encontrei estrelinhas. Fiz sopa de estrelinhas. E toda festa de criança tem de ter cachorro-quente. Fiz molho de cachorro-quente. E nada de vinho. Criança não gosta de vinho. Gosta é de guaraná.
Foi uma alegria, todo mundo brincando: iô-iôs, piões, corrupios, bilboquês, quebra-cabeças, pererecas (aquelas bolas coloridas na ponta de um elástico)… Rimos a mais não poder. Todo mundo ficou leve. Aí tive uma idéia que muito me divertiu: que na sala de visitas das casas houvesse um baú de brinquedos. Quando a conversa fica chata, a gente abre o baú de brinquedos e faz o convite: “Não gostaria de brincar com corrupio?” E a gente começa a brincar com o corrupio e a rir. A visita fica pasma. Não entende. “Quem sabe, ao invés do corrupio, um bilboquê?” E a gente brinca com o bilboquê. Aí a gente estende o brinquedo para a visita e diz: “Por favor, nada de acanhamentos! Experimente. Você vai gostar…” São duas as possibilidades. Primeira: a visita brinca e gosta e dá risadas. Segunda: ela acha que somos ridículos e trata de se despedir para nunca mais voltar…
Pois a Julieta — aquela do Romeu — me trouxe uma pipa de presente. Vou empinar a pipa em algum gramado da Unicamp. E aí ela nos contou da surpresa que lhe fizera o Romeu. Fotografias de flamboyants vermelhos — que coisa mais romântica! Árvores em chamas, incendiadas! Cada apaixonado é um flamboyant vermelho! E nos contou das coisas que o Romeu tivera que fazer para que ela não descobrisse o que ele estava preparando.
Mas o mais bonito foi o que ele lhe disse, na entrega do presente. Não sei se foi isso mesmo que ele disse. Sei que foi mais ou menos assim: “Sabe, Julieta, aquela história de ter um ano apenas a mais para viver… Pensei que você gostava de flamboyants e que você ficaria feliz com um álbum de flamboyants. E concluí que, se eu tiver um ano apenas a mais para viver, o que quero é fazer as coisas que farão você feliz…”
Um ano apenas a mais para viver: aí os sentimentos se tornam puros. As palavras que devem ser ditas, devem ser ditas agora. Os atos que devem ser feitos, devem ser feitos agora. Quem acha que vai viver muito tempo fica deixando tudo para depois. A vida ainda não começou. Vai começar depois da construção da casa, depois da educação dos filhos, depois da segurança financeira, depois da aposentadoria…
As flores dos flamboyants, dentro de poucos dias, terão caído. Assim é a vida. É preciso viver enquanto a chama do amor está queimando…

Sobre os vazios que nos habitam

 
Os animais selvagens costumam andar em bandos. Fico pensando se eles encontram plenitude na vida e nas companhias que tem. Será que viver em coletivo para eles torna a vida deles mais agravável, ou será que isso é apenas um mecanismo de defesa? Não consegui achar resposta convincente. Porém é certo que nós humanos vivemos buscando nossas “tribos”. Seja na família, na aula de dança, nas escolas, nos bares… 

Hegemonia é uma palavra criada a partir do pressuposto de igualdade: hegemonia de um povo, hegemonia de uma cidade, hegemonia dentro dos grupos, hegemonia na família, hegemonia entre os amigos… É uma utopia que reflete nossos desejos mais íntimos, da busca do nosso ser e do nosso estar dentro de um conjunto. Porém, não passa de uma utopia. Em escalas maiores temos vários exemplos que demonstram a inexistência da hegemonia: classes sociais, culturas e pensamentos diversos. Em escalas menores isso também acontece. Assistimos com frequência famílias e amigos pensando diferente e tendo culturas e crenças diferentes. Isso é muito comum.

Vejo o pensamento como uma força individual: cada um tem o seu. E isso por si só já faz o próprio ato de pensar ser a ferramenta mais forte para quebrar a hegemonia. Não se cria uma malha uniforme onde todos pensam diferente. A teia de fios não se costura. Afinal quem pensa diferente, sonha diferente e sente diferente. Até podemos nos encontrar dentro de pequenos grupos, mas somos sempre um universo único em si dentro do sistema que nos cerca. E sistema algum será outro universo igual ao nosso. Somos sempre únicos. Essa regra se aplica desde as gigantescas constelações de estrelas até nós.

Quando a forma de viver e agir de um grupo nos preenche um lado, logo percebemos que nossos “outros lados” não foram preenchidos. Seremos sempre únicos e portanto solitários. Nunca haverá hegemonia que tampe nossos buracos internos. Eles sempre farão parte de nós. Compete a nós mesmos fazermos amizade com eles. A única hegemonia real que podemos atingir é a interna: de nós para nós mesmos. Nietzsche sabia bem disso e dizia odiar quem lhe roubava a solidão sem verdadeiramente lhe oferecer companhia.

Somos todos como satélites. Alguns, belos como a lua. Outros estranhos como os projetados pela NASA. Estamos sempre girando, uns em torno de outros: nossa família, amigos, cidades, são satélites que giram em torno de nós, compondo a nossa vida. Os belos como a lua são aqueles que amamos e que fazem nossa vida mais prazerosa. Amamos olhar para eles pois são belos e nos iluminam. Já os demais são apenas aparelhos que nos acrescentam, sem amor e nem beleza. E assim também somos para os outros: ora luas, ora satélites – máquinas, sempre circulando em volta daqueles que nos cercam, porém sem jamais conseguir entrar dentro dos vazios que os habitam.
Somos preenchidos e compreendidos integralmente apenas através dos nossos próprios olhos.

Por isso é comum a sensação dolorosa de “vazio”. É porque esperamos que algum satélite possa ocupar um lugar que só nós podemos ocupar. Por mais que a lua tente casar com a terra, elas nunca se fundirão. A beleza se encontra justamente nessa dança de vai e vem, de esconde e brilha que fazem, como eternas namoradas.

Acredite: seu corpo nunca esta vazio. Tampouco seu coração. Você é um sistema completo em si mesmo onde nada falta. Dicotômico isso: sentir falta daquilo que não nos falta pois não nos pertence. A falta que sentimos é uma dor real. Porém o que achamos que é um buraco vazio, nunca o será, e vivemos na ilusão de desejar que outros joguem o jogo da vida com as nossas peças. Compartilhamos o tabuleiro, mas jamais poderemos compartilhar as peças… Ora somos lua, ora somos terra e vivemos sempre um a contornar o outro, mas jamais poderemos nos tornar um só – nem em corpo, nem em pensamento.
Quando aceitamos que somos nosso próprio universo, reconhecemos o mundo imenso que nos habita. Esse reconhecimento nos torna fortes para iluminar aqueles que estão ao nosso redor, tal qual o sol que ilumina todos os planetas que giram em torno dele. E quem ilumina os outros, não deve se preocupar com “buraco” algum, pois se torna um ser pleno de luz.
Quanto às nossas dores podemos acalentá-las brincando tal qual a Lua e a Terra com aqueles que amamos. Mas o mundo interior apenas a nós pertence. E é dentro dele que devemos guardar nossos maiores tesouros… Afinal é do interior da terra que germinam as flores e a vida…
Arquiteta por formação, hoje dedica-se integralmente a presidir o Instituto Rubem Alves, criado para manter vivo o pensamento de seu pai, difundir a sua obra e capacitar novos mestres.

15 de maio de 2016

New President of Brazil, Michel Temer, Signals More Conservative Shift

Com uma mídia brasileira que tende a manipular, ou esconder fatos, é preciso buscar informação de fora. Por isso trouxe na íntegra este artigo do New York Times, jornal norte americano, sobre as novas políticas do senhor Michel Temer.
Leia, se não entende inglês traduza no google tradutor, é bem simples, só copiar e colar aqui!
Mas leia.


By SIMON ROMERO, MAY 12, 2016.
 
Michel Temer, Brazil’s interim president, at the inauguration of his newly appointed ministers.CreditMarcos Correa/Agence France-Presse — Getty Images

BRASÍLIA — The new Brazilian president’s first pick for science minister was a creationist. He chose a soybean tycoon who has deforested large tracts of the Amazon rain forest to be his agriculture minister. And he is the first leader in decades to have no women in his cabinet at all.

The government of President Michel Temer — the 75-year-old lawyer who took the helm of Brazil on Thursday after Dilma Rousseff was suspended by the Senate to face an impeachment trial — could cause a significant shift to the political right in Latin America’s largest country.

“Temer’s government is starting out well,” Silas Malafaia, a television evangelist and author of best-selling books like “How to Defeat Satan’s Strategies,” wrote on Twitter.

“He’ll be able to sweep away the ideology of pathological leftists,” Mr. Malafaia added of a conservative lawmaker whom Mr. Temer chose as education minister.

For more than a decade, Brazil has been an anchor of leftist politics in the region, less strident than the governments in countries like Venezuela and Cuba, but openly supportive of them and committed to its own platform of reducing inequality.

But parts of Latin America are now drifting away from the left after elections in neighboring countries like Argentina and Paraguay. Mr. Temer seems to be embracing a more conservative disposition for his government as well, with the country’s business establishment pressuring him to privatize state-controlled companies and cut public spending.
 
Dilma Rousseff acknowledged supporters after Brazil’s Senate voted to suspend her on Thursday.CreditEraldo Peres/Associated Press

To many of Mr. Temer’s critics, the shift is perhaps most evident in the role of women in his and Ms. Rousseff’s administrations.

The contrasts could not be more glaring. Ms. Rousseff, 68, was a former operative in an urban guerrilla group. She was tortured during the military dictatorship and eventually rose to lead the board of the national oil company before becoming Brazil’s first female president.

Until recently, relatively few Brazilians had even heard of Mr. Temer. When they did, it often involved references to his wife, Marcela Temer, 32, a former beauty pageant contestant who is 43 years younger than he is. They met when she was just 18.

A profile of Ms. Temer in Veja, a newsmagazine, caused a stir by glowingly referring to her as “pretty, demure and of the home.” It said Mr. Temer was “a lucky man” to have such a devoted, unassuming housewife as a spouse, especially one who wears knee-level skirts.

The magazine did not mention the tattoo on the nape of Ms. Temer’s neck featuring her husband’s name, but the message was clear: Mr. Temer, a law professor and career politician, embodies a more conservative approach than Ms. Rousseff in the corridors of power and in his own home.

Then there is the issue of race. After a long stretch in which Brazil pressed ahead with affirmative action policies, Mr. Temer’s critics point out the lack of Afro-Brazilians in his cabinet, especially when nearly 51 percent of Brazilians define themselves as black or mixed race, according to the 2010 census.

“It’s embarrassing that most of Temer’s cabinet choices are old, white men,” said Sérgio Praça, a political scientist at Fundação Getulio Vargas, an elite Brazilian university. He drew a contrast with Justin Trudeau, the Canadian prime minister, who formed a cabinet in which half of the 30 ministers are women.Video
Brazilians React to Interim Government

Protesters took to the streets in São Paulo on Thursday night to protest the interim government of President Michel Temer and the suspension of Dilma Rousseff. By REUTERS on Publish DateMay 13, 2016. Photo by Nelson Almeida/Agence France-Presse — Getty Images.

In a speech to the nation on Thursday, Mr. Temer said he would seek to soothe tensions in Brazil, a nation polarized by the impeachment trial of Ms. Rousseff. She is accused of manipulating the federal budget to hide yawning deficits, a budgetary sleight of hand that her critics say helped her get re-elected in 2014.

“It’s urgent to seek the unity of Brazil,” Mr. Temer said during a ceremony introducing his ministers. “We urgently need a government of national salvation.”

The new president’s supporters point out that he considered a couple of women for cabinet-level posts, including Renata Abreu, 34, a lawmaker, to oversee human rights policies.

But that effort, along with other test balloons, did not prosper. First, it became widely known that Ms. Abreu had voted in favor of legislation to make it difficult for women who are raped to get abortions. Then Mr. Temer opted to fold the human rights post into the Ministry of Justice, making it a second-tier appointment.

Mr. Temer’s offer of the science ministry to Marcos Pereira, an evangelical pastor who does not believe in evolution, also fizzled. He named Mr. Pereira trade minister instead. Then, to the dismay of leaders in Brazil’s scientific community, Mr. Temer merged the ministries of science and communications.

Like many of Brazil’s political leaders, Mr. Temer has legal problems of his own. He was recently found guilty of violating campaign finance limits, a conviction that could make him ineligible to run for office for eight years, leaving a cloud of scandal that has raised concerns about his capacity to govern with a strong mandate.

“Temer faces the fundamental problem of legitimacy,” said Michael Shifter, the president of Inter-American Dialogue, a policy group in Washington. “He did not become president as a result of a popular vote, but rather because of a controversial impeachment process.”
 
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Brazil’s Line of Succession Is Engulfed in Scandals

The process against the suspended president has come to embody public anger over corruption and a battered economy. But those in the succession chain are also engulfed in scandals.

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But some argue, in Mr. Temer’s favor, that his cabinet includes officials who held important posts when Ms. Rousseff’s leftist Workers’ Party was in control. Henrique Meirelles, a banker who is the new finance minister, served as central bank president for eight years during the government of Ms. Rousseff’s predecessor and mentor, Luiz Inácio Lula da Silva, from 2003 through 2010.

During that time, Brazil’s government gained the respect of investors as incomes soared during a commodities boom. Prominent figures in Brazil’s financial markets hope that Mr. Meirelles can rebuild that credibility.

Some environmental activists are blasting Mr. Temer’s choice for agriculture minister, Blairo Maggi, a soybean farmer and politician who has pushed for opening huge areas of the Amazon to agricultural development. Yet some point out that Mr. Maggi was also open to dialogue, winning plaudits for reducing deforestation rates while he was governor of Mato Grosso State.

Still, Mr. Maggi, along with an array of other members of Mr. Temer’s cabinet, has been battling corruption inquiries. For three years, investigators examined claims tying Mr. Maggi to a money-laundering scheme. Just this week, the Supreme Court shelved the case.

Other ministers appointed by Mr. Temer remain under investigation in separate cases, including Geddel Vieira Lima, a former executive at one of Brazil’s largest government-controlled banks who is now the president’s secretary, and Henrique Alves, a tourism minister in Ms. Rousseff’s government who will occupy the same post under Mr. Temer.

The rancor around the ouster of Ms. Rousseff, who will go on trial in the Senate, was evident Thursday on the streets of Brasília, the capital. Dozens of women chained themselves to barriers surrounding the presidential palace, shouting slogans in support of Ms. Rousseff and expressing alarm about Mr. Temer’s top advisers.

Maria Hermínia Tavares de Almeida, a political scientist at the University of São Paulo, said that the last time a Brazilian cabinet did not have any women was in the early 1980s, during the military dictatorship that ruled from 1964 to 1985.

Until Mr. Temer’s rise to power on Thursday, she said, “all the democratic governments have had women.”

Vinod Sreeharsha contributed reporting from Rio de Janeiro, and Paula Moura from Brasília.

A version of this article appears in print on May 13, 2016, on page A1 of the New York edition with the headline: New Leader in Brazil Hints at a Tilt to the Right.

FONTE: New York Times


12 de maio de 2016


Yehp


8 de maio de 2016

Feliz Dia das Mães!!!


7 de maio de 2016

É só uma questão de tempo

Por Rafael Magalhães, publicado originalmente em Já Foste