28 de outubro de 2015

Eduardo Cunha, o nosso vilão do Batman

FONTE: El País - Brasil

Como a perversão se expressa na política e submete os brasileiros à farsa levada ao status de realidade

26 OCT 2015

A sensação é cada vez mais estranha ao se abrir os jornais, ligar a TV no noticiário ou acessar os sites de notícias da internet. Dia após dia, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) diz isso, afirma aquilo, declara aquele outro, alerta e ameaça. E nega as contas na Suíça. Tem lá sua assinatura, seu passaporte diplomático, seu endereço. Mas ele nega. O fato de negar o que a pilha de provas já demonstrou inegável é um direito de qualquer um. A maioria vai para a cadeia negando ter cometido o crime que a colocou lá. O problema são os outros verbos. Como é que tal personagem se tornou – e continua sendo – tão central na vida do país, a ponto de seguir manipulando e chantageando com as grandes questões do momento, com as votações importantes? Como Eduardo Cunha ainda diz, afirma, declara, alerta e ameaça nas manchetes dos jornais? Como o que é farsa pode ser apresentado como fato? O cotidiano do Brasil e dos brasileiros tornou-se uma experiência perversa. A de viver dia após dia uma abominação como se fosse normalidade. Essa vivência vai provocando uma sensação crescente de deslocamento e vertigem. Não se sabe o quanto isso custará para o país, objetivamente, e o quanto custará na expressão política da subjetividade. Mas custará. Porque já custa demasiado.

Até o mais obtuso sabe que Eduardo Cunha continua no palco porque ainda tem utilidade para os projetos de poder de um lado e de outro. Entre esses dois lados que se digladiam não há oposição. Esta é outra farsa e também é por isso que se pode levar a sério um farsante como Cunha. A pauta conservadora para o país já foi estabelecida, o que se disputa é o poder de executá-la. Mas, se Cunha é apenas a expressão de uma operação política muito mais ampla, profunda e que nem começou com ele nem acabará com ele, na qual o papel do PMDB é central, ele não pode ter a importância de sua individualidade negada. Se o Brasil já teve muitos Cunhas, em vários aspectos, também não teve nenhum Cunha, em outros. Como todo vilão, o personagem é fascinante e totalmente singular.
Eduardo Cunha parece ser um perverso. Aquele que denega: vê mas finge que não viu, é mas finge que não é. Ele não seguiria ditando os dias de Brasília não fosse o homem perfeito para o papel. Para que a maioria possa fingir que disputa os rumos do país, quando disputa apenas o seu próprio, é preciso o fingidor maior, o mestre de cerimônias deste espetáculo. A sensação esquisita ao abrir o jornal ou a internet ou ligar a TV no noticiário se dá porque essa farsa pede uma adesão. A nossa adesão. É aí que (também) está a perversão.
É evidente que Cunha não espera que alguém acredite, entre outras coisas, que ele não tem contas na Suíça, como segue afirmando sem piscar. Ele sabe que (quase) ninguém acredita nisso. Mas isso não impede que Cunha espere que possamos agir como crentes. Essa também é parte do estranhamento ao entrar em contato com o noticiário: somos convocados a uma adesão pela crença, o que, de novo, perverte a experiência da política.

Cunha é o perverso que goza em nome de Jesus.

É como se, em algum nível íntimo, ele se divertisse muito com a possibilidade de transformar a realidade numa negação coletiva. Para o perverso, o outro não conta como outro. O outro – nós – é apenas o suporte para a sua satisfação. Denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro, ele fala em nome de Jesus, registra uma frota de carros de luxo numa empresa com o nome Jesus.com, discursa para os eleitores evangélicos que Deus o colocou na presidência da Câmara. Cunha é o perverso que goza em nome de Jesus.
Neste sentido, Cunha se assemelha a um vilão do Batman: todos muito singulares, mas com o traço da perversão em comum. Só que Batman e seus vilões extraordinários são ficção. Ao produzir o deslocamento na esfera pública, Eduardo Cunha faz da farsa a realidade. Este é talvez o seu maior poder – o poder que lhe permite ainda ter poder. Abaixo da farsa maior, desenrolam-se todas as outras, como a do PSDB fingindo pedir seu afastamento, quando o apoia nos bastidores, na expectativa de que ele leve adiante o impeachment de Dilma Rousseff, ou a do Planalto também negociando com ele, mas pelo motivo contrário, para que ele não leve adiante o impedimento da presidente. Ou todos aqueles parlamentares que temem o dia em que Cunha abrir a boca para contar algumas histórias pouco edificantes que os envolvem. Para estes, é preciso manter figuras como Cunha com algo a perder. Do contrário, o país ganha, mas muitos dos atores do Congresso perdem.
Se tudo fosse encenado como uma sátira política, no teatro e não no Congresso, seria um ótimo espetáculo. A perversão é que a farsa se apresenta como realidade, e torna-se realidade. Eduardo Cunha nos corrompe a todos porque, da forma como a encenação evolui, somos parte dela. A encenação engolfa a plateia e já não sabemos onde fica a saída do teatro, porque já não há teatro. Já é a vida. Talvez por isso, para muitos, tem sido dias de vertigem.
Simplificando. É como se, todo dia, aquele que está colocado no lugar de autoridade afirmasse: o céu é vermelho com bolinhas verdes. E a imprensa reproduzisse: fulano afirma que o céu é vermelho com bolinhas verdes. Aí há outras autoridades dizendo que não, está provado que o céu é azul e não tem bolinhas. Mas, no dia seguinte, está lá a repetição: o céu é vermelho com bolinhas verdes. E as pessoas estão lá, debaixo do céu azul, mas assistindo ou lendo as notícias não como uma comédia ou uma sátira ou uma farsa, mas como se sério fosse. E sério é. Porque a autoridade continua sendo autoridade, apesar de afirmar que o céu é vermelho com bolinhas verdes. E as demais autoridades do campo da política, mesmo as que se apresentam em polos opostos, negociam com o cara do céu vermelho com as bolinhas verdes, como se esta fosse a normalidade institucional. É impossível não ir se sentindo esquisito e duvidando da própria sanidade num mundo como este.

Ao tentar perverter a Constituição propondo um projeto que dificulta o aborto legal, Cunha reforça que é o dono da lei.

Aí a coisa vai piorando. A cada semana vai piorando. Na passada, por exemplo. Políticos fizeram uma homenagem a Eduardo Cunha inaugurando seu retrato oficial na galeria de ex-líderes da bancada do PMDB na Câmara. O episódio é uma versão invertida de O retrato de Dorian Gray. Na obra clássica de Oscar Wilde, o retrato é escondido dos olhos do público porque vai absorvendo as marcas do tempo e dos crimes cometidos pelo personagem na vida real. Na crônica política do país, porém, o sentido é outro. O retrato exposto cristaliza a perversão: a de um homem ser homenageado, com palmas e discursos laudatórios, no momento em que está denunciado por corrupção e que as provas de contas na Suíça, possivelmente abastecidas por dinheiro público, se acumulam. A perversão é a da lei que não valeria para o retratado, ganhando o seu monumento na parede. Se o retrato de Dorian Gray precisa ser oculto porque denuncia o retratado, o de Eduardo Cunha ganha o espaço público porque o retratado, para os seus pares, está além da denúncia. É verdade que houve protestos, mas a homenagem foi realizada. E o homenageado segue como o terceiro na linha sucessória da presidência do país. O retrato do corrupto, ao ser exposto como virtude, corrompe a todos.

Mas o retrato de Eduardo Cunha não é o episódio mais revelador da semana. É na aprovação do projeto de lei proposto por ele pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara que a anatomia da perversão se revela em sua completa amplitude. Cunha quer regular o corpo das mulheres e tenta – e está conseguindo – dificultar as possibilidades de aborto previstas por lei. Em especial, uma delas: a interrupção da gravidez resultante de estupro. Ao fazer um projeto punindo os agentes de saúde que garantirem os meios para uma mulher abortar, o que ele tenta fazer é burlar a Constituição. Quando o projeto determina que as mulheres precisam comprovar o estupro com exame de corpo de delito é a palavra da mulher que ele esvazia. Porque é exatamente isso que um perverso faz: ele esvazia o outro, neste caso as mulheres, porque o outro só existe para servir aos seus interesses. O outro não é uma pessoa, não é um sujeito de direitos, não é alguém com uma história. É apenas um meio, um corpo, um objeto submetido ao gozo do perverso.

Vale a pena prestar atenção a este trecho do projeto de autoria de Cunha, com apoio da bancada da Bíblia: “Trata-se, ainda, de garantir a máxima efetividade às normas constitucionais, que preceituam a inviolabilidade do direito à vida. Urge, portanto, uma reforma legislativa que previna a irrupção de um sério problema de saúde pública”. Ora, o “sério problema de saúde pública” existe há muito. O aborto é a quinta causa de morte materna no país. Quem mais morre são as mulheres pobres, a maioria delas jovens e negras, que não podem pagar por uma clínica segura, como as mais ricas, nem podem contar com o Sistema Único de Saúde (SUS). Ao tentar dificultar os poucos casos cuja interrupção da gravidez é permitida, em especial o aborto em caso de estupro, e criminalizar os profissionais de saúde que dão assistência às mulheres nesta situação, o que Cunha tenta fazer é exatamente o contrário do que diz: o que ele tenta fazer é atropelar a Constituição, dificultando a aplicação da lei, e não aumentando a sua efetividade. A lei, para o perverso, não vale para ele. Ao contrário: a lei é dele e vale sobre o outro.

O moralista sem moral é o farsante que atingiu a perfeição

Para um perverso, a relação com a lei é a do desmentido. Cunha sabe que existe a lei, mas a denega. Tudo o que rege e regula as relações humanas e entre cidadãos não o regula, já que o outro não conta como pessoa. O perverso invoca a lei, mas apenas como um fingidor. O perverso que legisla, como Cunha, faz da lei uma farsa. E goza dessa impostura. O perverso jamais goza com o outro, ele goza do outro. Mas por que Cunha transforma justamente o corpo e a vida das mulheres em objetos de sua perversão? Porque esta é a sua obra-prima, sua masterpiece: o moralista sem moral é o farsante que atingiu a perfeição.
Em nome da moralidade religiosa, ele promove a morte das mulheres anunciando que defende a vida. Em nome de Jesus, o perverso pode ter contas na Suíça abastecidas com o dinheiro público que falta nos hospitais e pregar a imoralidade de uma mulher interromper uma gravidez resultante de um estupro. Para o perverso só há um sagrado: o seu gozo. Por isso, Eduardo Cunha pode discursar para eleitores evangélicos sobre sua ascensão à presidência da Câmara: “Deus me colocou lá! Eu sempre digo, Silas (Malafaia), se Deus me colocou lá, ele saberá sempre honrar o trabalho que ele fez!”. Assim, no discurso do perverso, não é Cunha quem honra Deus, mas Deus é quem honra Cunha. Nem o próprio Jesus ousou dizer algo assim para o povo em seus sermões bíblicos.
O mais desafiador será acompanhar até onde isso pode ir. Não há como sustentar tal surrealismo por tanto tempo mais, mas saber até onde conseguem levar será crucial para compreender o país. Porque já foi muito mais longe do que as previsões mais pessimistas. Para o destino do perverso ainda se pode contar com a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal. Em algum momento, cumprido o rito do Estado de direito, é possível que se conclua que o lugar de Eduardo Cunha não é na presidência da Câmara, mas na cadeia. Para o fim do Estado de perversão não há desfecho no horizonte.
Os perversos em posições de poder não são exclusividade do Brasil. Na semana que passou, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, chegou ao extremo de diminuir a responsabilidade de Adolf Hitler no extermínio de seis milhões de judeus, para tentar colocar o mundo contra os palestinos. Segundo o israelense, o Holocausto teria sido ideia de um religioso palestino – e não do líder nazista. A afirmação foi rechaçada, com todas as letras, por vários políticos influentes de Israel, entre eles o presidente, Reuven Rivlin, e o líder da oposição, Isaac Herzog: não se manipularia com a História. O primeiro-ministro israelense ouviu então da chanceler alemã, Angela Merkel: “A responsabilidade pelo Holocausto é da Alemanha”. E, antes, do seu porta-voz: “Nós, alemães, conhecemos muito bem a origem do racismo criminoso do nacional-socialismo que conduziu ao Holocausto. Ensina-se nas escolas e não podemos permitir que se esqueça a responsabilidade única da Alemanha nesse crime contra a humanidade”.
Os perversos estão por toda parte – e sempre estarão. A vertigem que sentimos diante do noticiário é que no Brasil parece não existir nenhum político de grande estatura disposto a denunciar a farsa sem tergiversar. E, assim, cumprir o dever público de assumir sua responsabilidade histórica com o país.

Eliane Brum é escritora, repórter e documentarista. Autora dos livros de não ficção Coluna Prestes - o Avesso da Lenda, A Vida Que Ninguém vê, O Olho da Rua, A Menina Quebrada, Meus Desacontecimentos, e do romance Uma Duas. Site: desacontecimentos.com Email: elianebrum.coluna@gmail.com Twitter: @brumelianebrum

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VAMOS FAZER UM ESCÂNDALO


10 de outubro de 2015

Câncer de mama NÃO é a doença daquela prima-da-vizinha-da-mãe

08/10/2015 – por

Eu sou a ansiedade em pessoa. E, sendo assim, quando telefono para alguém que não conheço, já mando meu nome, sobrenome, quem represento e eteceteras antes mesmo de perguntar se a pessoa tá bem, tá viva, tá respirando e pode falar comigo. Não seria diferente aqui.
Elisa Polonio, relações-públicas, 31 anos, três mamografias e incontáveis ultrassonografias mamárias.
Não, você não leu errado. Ao contrário que o senso comum prega nas revistas, programas de TV, sites e entrevistas de rádio, tenho menos de 35 anos e há sete já conto com uma rotina de exames de prevenção ao câncer de mama por um motivo muito simples: câncer é uma palavra que, infelizmente, não é novidade para mim.
Fui diagnosticada em estágio avançado e combati um câncer no sistema linfático há sete anos (abre parênteses – calma, galera, hoje em dia estou bem, curada, linda e maravilhosa, obrigada – fecha parênteses). Como a região das mamas estão entre as partes do corpo mais irrigadas por vasos linfáticos, desenvolver um câncer nessa área – ainda mais com um diagnóstico em estágio avançado de linfoma – não é a coisa mais improvável do mundo. Com isso, após eu lidar com todo aquele baque de diagnóstico, início de tratamento, raspar a cabeça (sim, perdi quase todo o meu cabelo quando iniciei a quimio) e adequar toda a minha vida, rotina e alimentação, dentre a batelada de guias de exame que recebi estava a própria: a mamografia. A partir daí, iniciei meu caminho sem volta em um dos seletos – porém nada primorosos – grupos de risco do câncer de mama.
Durante as sessões de quimioterapia, conheci poucas moças da minha idade na época. As poucas que conheci – adivinha? – estavam tratando câncer de mama.
Tanto que era praxe alguém se aproximar de mim e perguntar da “cirurgia da mama”. Nesses idos de tratamento e convalescença, jamais vou me esquecer de uma menina mais nova que eu na época (ela tinha 22 anos), acompanhada da mãe, usando uma peruca lisa e uma mistura forte de tristeza com resignação no olhar. Puxei conversa com ela, que, ao contrário de mim, não estava se contorcendo de enjoos.
– Você parece bem. Eu estou enjoando bastante hoje – iniciei.
– Ah, comigo é sempre assim. Mas o médico me passou a quimio para
reduzir o tumor e conseguir fazer a cirurgia, e não para eliminá-lo todo.
– Que bom! Você vai voltar a ficar bem.
– Não sei, moça. O médico falou que está muito grande e talvez ele tenha que realizar uma mastectomia (eliminação de uma ou ambas as mamas).
Parei a conversa na hora.
Até então, eu achava que meu calvário estava tenso. Ao meu lado, estava uma menina mais nova que eu, que muito provavelmente teria que eliminar uma das mamas. Uma menina de 22 anos, não uma de meia-idade ou idosa, como as propagandas de conscientização mostram.
Eu nunca mais a vi. Porém, o rosto dela e das demais meninas que na época lutavam contra o câncer de mama, vez ou outra, aparecem na minha mente quando eu estou com meus pedidos médicos de exame de rotina. Que eu realizo, religiosamente, em todo mês de agosto ou, no máximo, setembro.
Vejo muitas meninas simpáticas ao #OutubroRosa, achando tudo muito legal, simpático, cor-de-rosa e tal; porém, sem se darem conta que o câncer de mama, infelizmente, não é a doença exclusiva daquela prima-da-vizinha-da-mãe mastectomizada que anda com lencinho na cabeça. O cancro mamário é herdado geneticamente em 5% dos casos, além de ser uma doença principalmente adquirida em fatores de risco, tais como: primeira menstruação precoce, menopausa tardia, tabagismo, obesidade, estresse, uso de reposição hormonal – além de a ocorrência ser maior em mulheres acima de 50 anos. Quanto ao gênero nato, a proporção da doença em mulheres x homens é 100:1.
autoexameImagem daqui
É por isso que estou escrevendo esse texto e imploro, imploro, imploro (e, se acharem ruim, imploro mais ainda): façam o autoexame todo santo mês, visitem religiosamente o médico ginecologista pelo menos uma vez por ano e conversem não só a respeito de Papanicolau e anticoncepcional, mas sobre as mamas também.
Se há histórico na sua família, especialmente na parte materna, investigue, acompanhe isso de perto, não dê mole. Repito: o câncer de mama não é doença exclusiva de mulheres com idade mais avançada. Aliás, quanto mais jovem a mulher é diagnosticada, mais agressivo tende a ser o tumor. Eu não gostaria de causar pânico quanto a isso, porém, os fatos clínicos relacionados a isso são os seguintes:
1) se o câncer é diagnosticado cedo, existe mais tempo para ele recidivar (voltar), em função da nossa atual expectativa de vida (cruzemos os dedos).
2) pacientes abaixo de 35 anos habitualmente são ligados aos 5% de transmissão genética citados acima – e esses cânceres “não respeitam”, digamos assim, o intervalo de multiplicação celular; o que dificulta o diagnóstico precoce e, consequentemente, o tratamento.
De qualquer modo, isso não invalida o que os médicos vivem martelando nos consultórios: quanto mais cedo ele é diagnosticado, maiores as chances de cura.
Conforme os anos passam, minha chance de desenvolver câncer de mama em decorrência do linfoma diminui, porém aumenta por conta da idade e demais fatores de risco, como o fato de toda a minha família ser euro descendente, eu nunca ter gerado filhos – tampouco amamentado – além de ter tido uma menarca precoce e fazer uso de anticoncepcionais.
Embora cada ano em que meus exames apresentem resultados negativos seja um alívio, eu não poderia encerrar esse texto sem lembrar e mencionar as mulheres que infelizmente não resistiram ao câncer de mama – entre elas, a querida Maud, prima da minha mãe, que tinha um intenso amor pela vida, mas sucumbiu às metástases: elas também foram guerreiras.
Qualquer mulher que tenha a sede de viver e continuar existindo como motivação para superar essa doença deve ser lembrada e exaltada sim. Afinal, elas pelearam. Tanto quanto ou mais que eu, embora sejam situações diferentes.
*Para esse texto, tive a consultoria da minha querida “prima postiça”, Dra. Fernanda Nunes, que é médica Mastologista. Ela acompanhou e me apoiou nos períodos mais críticos dessa historinha toda. Muito obrigada, Fer!

7 de outubro de 2015

Projeto de lei do Desmatamento Zero é entregue no Congresso

FONTE: Greenpeace
Notícia - 7 - out - 2015
 
É a primeira vez que a sociedade leva à casa uma proposta de lei pelo fim do desmatamento nas florestas do País. O projeto conta com o apoio de ONGs, entidades religiosas, artistas e mais de 1,4 milhão de brasileiros.
A funkeira Valesca Popozuda esteve no Congresso para demonstrar seu apoio ao Desmatamento Zero. (© Adriano Machado / Greenpeace) 

Crianças, homens e mulheres, árvores, bichos e plantas tomaram o Salão Verde do Congresso Nacional para dar um recado claro: chega de derrubar nossas florestas. Chega de comprometer nosso futuro! Assim, representando o que o Brasil tem de melhor, o Greenpeace, voluntários e parceiros entregaram à Casa Legislativa o Projeto de Lei pelo Desmatamento Zero.
O momento histórico é resultado da mobilização de mais de 1,4 milhões de brasileiros que,  desde 2012, vem coletando assinaturas, para levar o projeto ao Congresso Nacional. O ato de entrega da proposta, que proíbe o corte de florestas nativas no Brasil, ocorreu na tarde desta quarta-feira e contou com a presença de representantes de entidades religiosas e movimentos sociais, além de personalidades como os atores Caio Blat, Jorge Pontual, Paulo Vilhena, Maria Paula, a pintora e cantora Luísa Matsushida (Lovefoxxx) e da funkeira Valesca Popozuda.  
“Verdadeiramente acredito que podemos criar um futuro melhor para nossos filhos e para as gerações futuras protegendo os maiores bens do planeta Terra. Se cada um fizer a sua parte, construiremos esse futuro juntos", defende Letícia Spiller, atriz e embaixadora do Greenpeace pelo Desmatamento Zero.
 
A imagem é formada por 6 mil fotos de pessoas que assinaram pelo Desmatamento Zero. (© Adriano Machado / Greenpeace)

Para marcar o momento, ativistas do Greenpeace realizaram uma intervenção artística no Salão Verde do Congresso, com a montagem de um mural de 2,16 de altura por 6,71 de comprimento, formada por mais de 6 mil fotos enviadas pelas pessoas que colaboraram com a campanha, com a mensagem “Desmatamento Zero já!”.

“São milhares de brasileiros dizendo que não toleram mais o desmatamento. Entregamos este projeto ao Congresso e está na hora deles refletirem o desejo da população. Temos espaço para nos desenvolver sem derrubar nossas florestas”, diz Cristiane Mazzetti, da campanha Amazônia do Greenpeace. “A democracia se faz com a garantia de acesso aos recursos naturais à todos, destas e das futuras gerações. Por isso, acabar com a destruição de nossas florestas é essencial”, afirma.
“Assinei a petição em 2012 e confesso que tinha certa ansiedade de vê-la concluída. Certamente este será um passo importante para o objetivo de zerar o desmatamento no Brasil e aí começar um novo projeto de desenvolvimento para o país, que não seja fundamentado na destruição ambiental. É um grande momento para nós da Amazônia, para a sociedade brasileira e eu diria que para o mundo todo”, disse o senador João Capiberibe (PSB/AP).
Recentemente, algumas das maiores ONGs do Brasil publicaram em conjunto um manifesto em favor do Desmatamento Zero, considerado pelo grupo como “necessário e factível”. A destruição das florestas, somada às mudanças climáticas, pode provocar secas prolongadas em diferentes regiões do Brasil e reduzir a produção agrícola brasileira, gerando um grande impacto econômico e social. Já em 2020 a produção agrícola poderá sofrer um prejuízo anual na ordem de R$ 7,4 bilhões, como consequência da redução de chuvas em diferentes regiões. A escassez afeta também a geração de energia hidroelétrica e compromete o abastecimento de água e a qualidade de vida para milhões de pessoas que vivem nas grandes cidades.
“Este projeto reabre uma discussão importante aqui dentro, para que possamos confrontar aqueles que não tem noção dos direitos difusos da sociedade e até dos seus próprios benefícios, como os ruralistas, que também saem perdendo com o desmatamento,  já que a destruição florestal prejudica o regime de chuvas”, aponta o deputado José Sarney Filho, (PV/MA), líder da Frente Parlamentar Ambientalista.  “Espero que o projeto possa mobilizar e sensibilizar o Congresso Nacional. É um momento importante para que possamos continuar pressionando, não apenas por pequenas mudanças e costuras de apêndices, mas pensar em uma mudança profunda”, afirma Dom Guilherme Antônio Werlang, da CNBB.
A entrega do projeto marca um importante momento na luta para salvar as florestas, mas apenas com apoio de todos os setores da sociedade conseguiremos levá-lo adiante. O Brasil precisa parar de enxergar suas florestas como um empecilho ao desenvolvimento e passar a encará-las como essenciais para o futuro do país e da estabilidade do clima mundial.  Todos juntos para que o Desmatamento Zero vire realidade no Brasil.
Se você ainda não assinou a petição pelo Desmatamento Zero, pode assiná-la aqui: