25 de fevereiro de 2015

França aposta em mercados sem embalagem

Sucesso na Alemanha, a ideia de venda a granel ganha cada vez mais adeptos na Europa

França aposta em mercados sem embalagem
O Day by Day aposta na ideia de produzir menos lixo e vendar mais, por um preço mais barato
Eles lembram, e muito os antigos armazéns de alimentos e produtos, e não é a toa. Crescendo cada vez mais no mercado europeu, os mercados sem embalagem dominam também a França. Com quatro lojas inauguradas no país – em Lille, Montaigne, Versailles, Meudon -, o Day by Day surgiu como uma opção para a venda de massas, arroz, frutas, doces e especiarias.
Disponibilizados em prateleiras, os produtos são vendidos a granel e o cliente deve levar sua própria embalagem. A criadora do mercado francês, Alice Bigorgne, se inspirou no livro “Lixo Zero”, para abrir a rede de supermercados. Assim como o Original Unverpackt, na Alemanha, o Day By Day resgata antigos hábitos de comprar apenas a quantidade que precisa, sem exageros ou excesso de plástico para embalar os produtos.
E além de contribuir para o meio ambiente, esse novo modelo de mercado ainda beneficia o bolso do consumidor, que pode pagar até 40% menos que um produto vendido em um supermercado comum.

17 de fevereiro de 2015

Sete melhores cidades do mundo para andar de bicicleta

Redação em 
Gosta de pedalar? E de viajar? E que tal unir essas duas paixões para explorar destinos ao redor do mundo?​ O site Skyscanner selecionou as sete cidades turísticas que estão entre as melhores do mundo para serem exploradas sobre duas rodas. Cada vez mais em alta, especialmente entre o público preocupado com questões ambientais e com a própria saúde, o ciclismo não para de crescer em destinos turísticos ao redor do mundo. 
De olho nisso, a Copenhagenize Index fez um ranking que lista as 14 melhores cidades do mundo para andar de bicicleta. Desta relação, selecionamos as sete cidades que mais inspiram os brasileiros a viajar e que também garantem inúmeras possibilidades para quem gosta de explorar os destinos sobre duas rodas.
1 – Amsterdã (Holanda)
viagem-livre-cicloturismo7
A capital holandesa aparece em primeiro lugar no ranking por ser a cidade que proporciona as melhores condições para os ciclistas.
Ruas planas, ciclo faixas e estacionamentos exclusivos para as magrelas fazem parte do cotidiano dos ciclistas e, por isso mesmo, este é o meio de transporte mais comum em suas ruas e pontes sobre canais.
Lá, moradores vão pedalando para o trabalho, enquanto os viajantes podem alugar uma bicicleta para passear por entre suas belezas. 
2 – Berlim (Alemanha)
Ciclista circula próximo à região da Topografia do Terror, atração histórica de Berlim, capital de Berlim (Foto: Eduardo Vessoni)
Assim como Amsterdã e Copenhague, a capital da Alemanha é um convite para pedalar.
Moradores e visitantes contam com diversos tours que passam pelas atrações mais famosas de Berlim. A dica é fazer os passeios durante a primavera ou o verão europeus, quando o clima está mais agradável para pedalar.
3 – Dublin (Irlanda)
Vista da região de Dublin 2, um dos bairros com concentração de pubs na capital da Irlanda (Foto: Eduardo Vessoni)
Dona de uma arquitetura medieval que divide espaço, harmonicamente, com prédios modernos, cafés, galerias e museus, a capital da Irlanda é outro destino que sabe receber bem os viajantes ciclistas.
Com infraestrutura para as magrelas e zonas com velocidade máxima de 30 km/h para automóveis, Dublin é considerada uma das capitais europeias mais seguras para ciclistas, segundo o Copenhagenize Index. 
4 – Tóquio (Japão)
Vista noturna de Tóquio, capital do Japão (foto: JD / Flickr – Creative Commons)
A capital do Japão é outro destino perfeito para ciclistas.
Em meio ao cenário agitado, a pacificidade das bicicletas se destaca. Moradores e turistas usam as duas rodas para se locomover, graças à estrutura local como ruas planas e a integração do transporte público.
5 – Montreal (Canadá)
viagem-livre-cicloturismo3
A segunda cidade mais populosa do Canadá fica na 11ª posição no ranking da Copenhagenize e entra na lista por ser uma das primeiras cidades da América do Norte a investir em ciclovias – muitas delas foram feitas ainda na década de 80.
Lá, os moradores pedalam em vez de dirigir para se divertir durante a animada vida noturna da cidade, enquanto turistas contam com o meio de transporte para percorrer as ruas do destino, sobretudo durante a colorida temporada de outono.
6 - Rio de Janeiro (Brasil)
Vista aérea do Rio de Janeiro (Foto: Skyscanner/Divulgação)
Única cidade brasileira da lista, o Rio de Janeiro fica com o 12º lugar da lista original das melhores cidades do mundo para serem exploradas de bicicleta.
Segundo o relatório da Copenhagenize, a Cidade Maravilhosa merece a colocação por investir cada vez mais na instalação de ciclo faixas ao longo de praias e bairros da periferia.
7 – Budapeste (Hungria)
Vista do Parlamento, localizado em Budapeste, capital da Hungria (Foto: Eduardo Vessoni)
Uma das cidades mais antigas da Europa, Budapeste dá as boas-vindas à modernidade abrindo espaços e garantindo incentivo ao meio de transporte mais saudável e ecológico do mundo.
Na bela capital da Hungria, as bicicletas tomam conta das ruas e são muito usadas por moradores no dia-a-dia. Os visitantes não perdem a chance de alugar uma bike para desbravar os principais cartões postais de um jeito único e inesquecível: pedalando.

Por Eduardo Vessoni, do site Viagem em Pauta

8 de fevereiro de 2015

Morador de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, Pedro Haas Lacerda, 67 anos, é resgatado do trabalho escravo


Homem passou 29 anos sem ver esforço diário se transformar em dinheiro
Morador de Rio Pardo é resgatado do trabalho escravo  | Foto: Tarsila Pereira
Morador de Rio Pardo é resgatado do trabalho escravo | Foto: Tarsila Pereira

O asfalto ficou para trás já nos primeiros metros do percurso, de 23 quilômetros. E, no destino final, também se perderam pela estrada as condições mínimas para um ser humano sobreviver como água encanada ou banheiro. E, se a esperança era encontrar luz no final do caminho, como entoa um provérbio conhecido, logo esse sentimento se desfaz. “Mas como enxergar no escuro?” E a resposta vem nas mãos calejadas pelo trabalho de Pedro Haas Lacerda, 67 anos: dois lampiões tomados pela fuligem.
O senhor franzino foi “descoberto” em fevereiro em situação próxima ao trabalho escravo em uma fazenda no interior de Rio Pardo, na localidade de João Rodrigues. Por 29 anos, não viu o esforço diário se transformar em dinheiro no final do mês. Ao contrário, observava as notas circularem de mão em mão, longe de seus olhos. E o ganha-pão era literalmente pago em comida. Uma vez por semana podia retirar da despensa do patrão um quilo de feijão, outro de arroz, um pouco de farinha de mandioca, azeite e carcaça de galinha aquelas partes que pouca gente põe à mesa: as patas, o pescoço e cabeça da ave. 
Sem geladeira no local, que também não teria utilidade pela falta de energia elétrica, alimentos perecíveis ficavam de fora da lista. “Pedi um saco de leite, mas ele disse que iria azedar.” Com alimentação escassa, o trabalhador resolveu plantar nos fundos da casa. Tirava dali aipim, batata-doce, cebola, alho, tomate e couve. Mudas e sementes também vinham do escambo com o patrão. Mas a horta acabou sendo proibida e a plantação, antes bem cuidada, abriu caminho para o mato voraz, que invadiu até mesmo o chão dos pés de bergamota e banana. “Nem mesmo ali embaixo eu podia limpar. Ele não deixava”, conta Pedro. Sem cuidados, os frutos minguaram. Caminho inverso da vontade dele de sair daquela situação.
Cinco meses após a assistência social do município constatar o trabalho escravo, uma movimentação tomou conta da propriedade rural. Chegaram Polícia Federal, auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e funcionários do Ministério Público do Trabalho (MPT) com a promessa de uma vida melhor para Pedro. “Deus olhou por mim. Escutou a minha reza.” Era como Pedro entendia aquele momento. 

Por ser um trabalhador resgatado, recebeu um seguro-desemprego especial três parcelas de um salário mínimo cada. Com R$ 724 nas mãos, não sabia o que ou quanto comprar. E naquele canto esquecido do Estado, onde o sol forte não dá trégua, o Pedro gastou alguns trocados por um rádio de pilha, o mais perto que tinha chegado da tecnologia em quase 30 anos. Um forte motivo impulsionava a primeira aquisição. Pedro queria saber a hora certa, já que naquele lugar relógio não passava a porteira e era pelo sol que ele se guiava. 

Patrão negou vínculo empregatício 

Até vir a liberdade, Pedro Lacerda continuava com trabalho no campo: capinava o terreno, conduzia o gado, limpava o celeiro e auxiliava na plantação. Em julho, a enxada foi deixada de lado com o seu resgate. A auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Lucilene Pacini, explica que o empregador foi notificado a retirar o trabalhador do local e a efetuar o registro e a assinatura de sua carteira de trabalho, além do pagamento das verbas rescisórias. 
Ele deveria apresentar a comprovação em 4 de agosto. Nessa data, negou que tivesse ocorrido vínculo empregatício e, por isso, não assinou a carteira nem pagou os salários ou se dispôs a buscar uma nova moradia para Pedro. A justificativa? “O empregado trabalhava por apenas duas meias diárias na semana e a moradia concedida era apenas um favor que prestava ao trabalhador”, segundo relatório do MTE. 
O empregador foi autuado pelo MTE e, em 14 de outubro, ele assinou um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público do Trabalho (MPT). Ele se comprometeu a pagar o dano moral no valor de R$ 30 mil, através de um imóvel, que deve ser adquirido em até 90 dias. Caso não isso ocorra, será aplicada multa de R$ 50 mil. A auditora fiscal observa que Pedro pode entrar com uma ação na Justiça do Trabalho reivindicando o reconhecimento do vínculo empregatício, do tempo de serviço e as verbas trabalhistas, além da assinatura da carteira. Entre verbas trabalhistas e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o valor gira em torno de R$ 25 mil. 
A assistente social que atendeu ao caso não quis se identificar, mas adiantou que está em andamento o pedido de aposentadoria. Segundo ela, a solicitação só deveria ocorrer após o recebimento da última parcela do seguro-desemprego especial para trabalhador resgatado. Enquanto não sair o benefício, ele receberá mantimentos da Secretaria de Assistência Social de Rio Pardo, sem revelar com qual frequência ou o que será fornecido. “Isso será analisado.”

1 de fevereiro de 2015

Jovem de 14 anos passa no vestibular de Medicina. Há um problema por trás disto e afeta o Direito

Sincera e honestamente é pra darmos parabéns para o garoto, sim, mas... (adoro este "mas"). Há um tempo uma moça, de 18 anos, segundo semestre de Direito, passou na OAB. Lenio Streck, então, fez uma crítica muito interessante: "
Ela não trabalha como estagiária, não tem família “jurídica”. O mais próximo que ela está do direito é uma tia que trabalha na Justiça e um primo causídico. Não estudou processo, não estudou filosofia, não estudou processo civil, processo penal, direito penal... Mas passou. Ela estudou para a prova durante três meses, segundo disse na entrevista (ler aqui). Sua “metodologia”: leu as questões das provas anteriores, leu o Estatuto da OAB e o Código de Ética [...]
Thays, assim como o José Victor, usaram a mesma estratégia: estudar por provas anteriores. Aí, então, Lenio mata a questão:
"Os concursos e os quiz shows
Tenho denunciado o fracasso do modelo de concursos públicos e prova da OAB de há muito. Ao mesmo tempo em que Thays passa depois de ter cursado apenas uma pequena parte do curso de direito, mais de 50% chumbam nesse exame. Os concursos públicos aferem apenas informações. Decorebas. Thays — e não quero tirar o mérito dela (meus sinceros parabéns para ela) — é o exemplo de que basta treinar. Não é necessário estudar no sentido de refletir. É necessário tão-somente fazer um bom adestramento."
Não quero tirar o mérito da garotada prodígio, mas a coisa, se observada bem de perto, é pra lamentar. É que a gente tem uma mania de endeusar o vestibular e o vestibulando que obtém êxito, mas não discutimos a forma e a profundidade da avaliação. Lembro-me bem do Rubem Alves falando algo no sentido de que ele estava cansado de vestibular de cinco escolhas, escolhas múltiplas. Nós - dizia ele - queríamos um vestibular que revelasse a capacidade de pensar do aluno, nós queríamos medir a capacidade de racionar e criar.
Não vemos a garotada criando coisas, contribuindo com inovações, empreendendo de diferentes modos. O que temos é uma galera que se mata estudando provas anteriores e métodos de resolução de questões. O problema, minha gente, é que os problemas reais da vida não se resolvem com as técnicas de memorização. E sim, arrisco-me a dizer: as avaliações que nos sujeitamos nos vestibulares, na faculdades ou nas provas de concursos medem mais a nossa resistência física do que a nossa capacidade intelectual. São provas robotizadas, rígidas, sem espaço para a novidade.
Um exemplo de perda de tempo? Resumo de livro. Pra que resumir um livro, anotar o que o autor falou, se o que o autor falou já está no livro? Ao contrário, por que não incentivar o aluno a criticar o texto? Assim vai mostrar que leu, entendeu e é capaz de transcender o que ali estava posto. Outro exemplo? Decorar artigos de lei. De que adianta decorar os artigos da lei se, durante a vida, ainda mais com a tecnologia nos servindo, você vai ter acesso ao Código? Não é melhor ter a capacidade de ler o código e entender não só o que está escrito, mas também o que poderia estar significando ali? Nem sempre o que está escrito é o que se quis dizer...
Não quis me focar na notícia que comecei este artigo, sobre o jovem José Victor. Passou no vestibular porque se dedicou, porque estudou e porque mereceu. Serve, de verdade, como exemplo de perseverança pra todos nós, mas... Isto também acontece no Direito: digo, acontece isto de não sabermos, mas passarmos. De sabermos fórmulas, de decorarmos regras etc. No entanto, pergunto: a vida jurídica, a vida, a vida mesmo, pode se resumir a somente isto: decorar regras e fórmulas?
Finalizo com Lenio Streck
O que fizemos com o Direito? É ele uma racionalidade tão meramente instrumental que é possível apreendê-lo mediante decorebas e formulinhas escritas em dois ou três “mastigadinhos”, resumos e resuminhos?
Sejamos mais criativos, pois, se continuar assim, fazendo do jeito que estamos fazendo, qualquer robô pode nos substituir para copiar petições e alterar somente os fatos, substituindo uns dados ali e outros aqui (coisa que, eu já vi, alguns desatentos nem fazem...)
Um abraço a todos!
FONTE: http://wagnerfrancesco.jusbrasil.com.br/artigos/163749961/jovem-de-14-anos-passa-no-vestibular-de-medicina-ha-um-problema-por-tras-disto-e-afeta-o-direito?utm_campaign=newsletter-weekly_20150130_658&utm_medium=email&utm_source=newsletter 
Wagner Francesco
teólogo e acadêmico de Direito.
Nascido no interior da Bahia, Conceição do Coité, formado em teologia e estudante de Direito. Pesquiso nas áreas da Teologia da Libertação e as obras do Karl Marx e Jacques Lacan aplicadas ao Direito. Página no Facebook: https://www.facebook.com/escritor.wagnerfrancesco