29 de janeiro de 2015

Doze xícaras de café direto do supermercado

  • 28 de janeiro de 2015|
  •  
  • 16h41|
  • Por Redação Paladar
Por Daniel Telles Marques

Café de supermercado pode ser bom. O melhor café de sua vida dificilmente estará em uma gôndola das grandes redes de varejo, mas a bebida de combate, aquela coada com pressa e com notas de sonolência pela manhã, já é melhor do que era – embora possa ainda melhorar.

Não é porque existe a complexidade de aromas dos microlotes de grãos de origem moídos na hora que se deva abandonar totalmente o café torrado, moído e vendido em supermercado. Há muita coisa nas prateleiras: são cerca de 580 rótulos, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Algum há de ser bom.
FOTOS: Fernando Sciarra/Estadão
A procura dos consumidores por grãos melhores incentivou as grandes torrefadoras a aprimorar a qualidade dos seus produtos e lançar linhas intermediárias entre o café rotineiro e o de baristas.
O Paladar foi a campo para avaliar rótulos das classificações superior e gourmet – categorias criadas pela Abic para classificar os cafés de seus associados – de grandes marcas das gôndolas. Reunimos 12 rótulos de supermercado para serem preparados e bebidos por especialistas. Participaram da prova Flávia Pogliani, do The Little Coffee Shop, Paulo Filho, do King of the Fork, e o barista Tiago Nego (veja a prova ao lado).
Tradicional ou gourmet? Café de supermercado está classificado pela Abic em três categorias: tradicional, superior e gourmet. No tradicional, evita-se (mas não se proíbe) o uso de grãos defeituosos – que pioram o gosto da bebida – e não há limitação para o uso de robusta, espécie que serve como base, mas, em geral, não tem expressão aromática relevante – só dá corpo e muitas vezes amargor.
Para pertencer à categoria superior, o café deve ser composto predominantemente de arábica, com no máximo 10% de grãos defeituosos, e se tiver robusta como base, que seja de melhor qualidade que o do tradicional. Por fim, o gourmet tem obrigatoriamente 100% de arábica, sem frutos defeituosos.
Entre as marcas associadas da Abic, há 296 rótulos na categoria tradicional, 130 na superior e 151 gourmets. (E, para se diferenciar dos gourmets da Abic, baristas que vão à caça de grãos diretamente nas fazendas, cuidando da torra e da moagem, passaram a chamar seus produtos de “especiais”.)
Forte e encorpado. As grandes torrefadoras investem para manter o padrão do café no gosto do brasileiro, “forte e encorpado”, segundo Gilberto Nogueira, responsável pela qualidade e desenvolvimento da Três Corações.
Mas nosso café é assim por que a gente gosta ou a gente gosta assim por que é o que tem? “Eu diria que o brasileiro gosta de café forte, encorpado e amargo, com bastante robusta”, diz Ricardo Souza, da Master Blender, fabricante do Pilão, que em 2013 pôs no mercado o Pilão Aroma e o Aroma Nobre, de qualidade superior. “O café superior é um produto acessível, não tem a intenção de ser supergourmet. A ideia é levar um sabor mais refinado ao consumidor comum.”
Do total de venda das grandes torrefadoras, apenas 10% não são da categoria tradicional, que no bolso custa em média 30% mais barato que o superior e menos da metade do gourmet. Ainda que o consumidor tenda a buscar novos sabores, o preço continua a ser o fator mais impactante na compra, argumentam as empresas.
João Michaliszyn, da Melitta, acredita no potencial pedagógico dos cafés superiores para superar as noções de fraco, forte e extraforte ao escolher o que levar para casa. Há sete anos, a empresa pôs no mercado a série Regiões, com matéria-prima do sul de Minas, Cerrado e Mogiana. “Lembro de que em alguns casos era preciso ter cuidado quando falávamos de acidez porque o consumidor poderia achar que aquilo é uma coisa ruim.” Não é. “É um trabalho de formiguinha levar esse conhecimento ao público.”

Casual técnico
No café de casa feito por barista, sai o instinto, entra a precisão. Água mineral e alcalina para não potencializar os azedos da bebida e sempre a 94°C, “para extrair o que precisa dos sólidos solúveis (que dão gosto e aroma), nem a mais, nem a menos”, explica Flávia Pogliani. Seguindo recomendações das embalagens, os provadores deixaram de lado as colheradas indicadas e definiram a quantidade em peso, 13g (uma colher cheia) de pó para 100 ml de água para uma bebida concentrada. Doze extrações depois, o veredito: o café de supermercado ainda pode melhorar.
Café do centro
É a marca com mais oferta de rótulos nos supermercados visitados. Na linha Especial de Origem, classificada como gourmet, tem grãos vindos das principais regiões cafeeiras do Brasil (Bahia, Espírito Santo, Cerrado mineiro, sul de Minas, Mogiana e Paraná). Aposta no terroir característico dos lugares, mas na xícara, o terroir mais notado, infelizmente, foi o das prateleiras: cafés sem a potência aromática característica de grãos frescos.
No teste realizado às cegas, quase todas as vezes que os rótulos da marca foram provados, ouvia-se a mesma queixa: “Está cansado”.
Mas, delineados os defeitos, vamos às qualidades. Alguns rótulos fizeram bonito. Surpreendeu com o aroma doce as amostras Cerrado mineiro e Mogiana. O Paraná fez bem com o cheiro de amendoim.
É o tipo de café para quem gosta de bebidas com menos corpo e de quem se interessa por garimpar aromas, buscando raras notas de frutas, especiarias, amêndoas e condimentos. É um salto livre para quem quer sair da potência do café trivial, mas curto para quem quer a complexidade dos especiais. Em geral, tinham gosto adstringente, corpo médio para baixo e pouca expressão.
Paraná: é um café sisudo, pá, pum, sem muito a revelar. Tem aromas de castanha e palha e, se acompanhado de um doce, pode melhorar.
Sul de Minas: é daquele jeito come quieto. Cheira doce, mas fala pouco à língua nesse quesito. Acidez média e final azedo, com gosto de remédio para dor de cabeça.
Cerrado mineiro: o melhor dos seis. Para quem gosta de café cítrico e com aromas de frutas. Mais favorável às canecas que às xicrinhas, com um pedaço de bolo ou bolacha amanteigada devorada em sequência.
Bahia: equilibrado em doçura e amargor, não é uma festa dos sentidos e intriga mais pelo paradoxo “muito corpo e finalização instantânea” que pela complexidade.
Espírito Santo: o cheiro de terra que sai das xícaras faz o bebedor ser transportado para as fazendas capixabas. Levemente ácido e muito adstringente, pede um bolinho de roça, sem recheio ou sabor além da combinação açúcar, farinha e ovos.
Mogiana: para aprender sobre doçura natural dos grãos. Cheiro de frutas amarelas e doçura ácida que lembra melado. Com ele o gole começa bem, mas evolui mal.
Melitta
A base é de robusta vindo de várias regiões produtoras. Das regiões estampadas no rótulo vêm os grãos de arábica que mudam os sabores e aromas de cada rótulo (em proporção não revelada pela empresa). Se você é um desses que gosta de passar por todas as etapas evolutivas do paladar até chegar aos aromas e sabores complexos, estes cafés vêm a calhar. Podem não explodir de sabor, mas desempenham bem o papel a que se propõem: ser um café melhor que o do dia a dia, sem a pretensão – e preço – dos especiais.
Sul de Minas: foi o melhor entre todos os provados. Aroma doce, com algo de noz-moscada e frutas. Acidez média e corpo ideal para quem gosta de beber café em quantidade. Para entrar na moda do café gelado sem gastar muito com matéria-prima. Final agradável e instantâneo.
Mogiana: doce e amendoado, é levemente ácido e desaparece tão rápido da boca que não deixa traumas nem ótimas lembranças. Amargor médio para não estranhar o salto do café tradicional para o superior.
Cerrado: não se saiu muito bem na degustação. Aroma fraco e defeituoso.
3 corações
A estrada que batiza o rótulo corta alguns dos Estados produtores, porém os grãos usados vêm exclusivamente do sul de Minas, maior região produtora de cafés de qualidade do País. De lá, esperam-se frutos encorpados levemente cítricos, sabores ácidos e aromas frutados. No blend deste café da Três Corações os grãos são 100% arábica, mas ele é um café superior e não gourmet, porque sua matéria-prima são justamente aqueles grãos que poderiam ser espetaculares e, por um acaso climático, negligência ou deficiência produtiva, não se tornaram o que se esperava deles e tiveram pontuação menor na avaliação da Abic. Sua torra é média clara e por isso, deveria acentuar o que a região oferece de melhor, dando uma bebida aromática; mais ácida que amarga. Na xícara, não mostrou quase nada do que poderia ser.
Três Corações Estrada Real: sem muito cheiro, sem muito corpo e com muito amargor. É um café tradicional com defeitos diluídos e um superior com defeitos demais. Entre os provados, foi o que menos encantou. Tinha cheiro de palha, acidez e doçura inexpressivas. Faz a linha revolução sem mudanças.
Pilão
A marca se vende como o café forte do Brasil e faz jus ao que propõe. Seu café tradicional é forte e encorpado, faz o milagre da multiplicação dos cafezinhos e tem fãs entre os que gostam de bebidas intensamente amargas. No segmento superior, mantém a coerência do café tradicional, com dois rótulos de mesma intenção, com intensidade e corpo da bebida mais contidos. Lançado inicialmente em 1978, o Pilão Aroma sumiu das prateleiras e voltou à linha de produção em 2013, com a reedição do Aroma Original e o lançamento do Aroma Nobre. São cafés para pessoas duronas – “forte e amargo como o pecado”, como Philip Marlowe gosta de pedir – e de intenções refinadas.
Aroma Original: era a torra mais escura dos cafés. Talvez por isso, o cheiro de queimado e cinzas. Doçura baixa, corpo médio para baixo e finalização persistente. Bom para quem gosta de café adoçado, mas com amargor persistente, que fica na boca depois de minutos do último gole.
Aroma Nobre: é quase o repeteco do Original, mas com menos potência no amargor e corpo. Vai melhor sem açúcar, mas é bom ter um doce bem doce ao lado.
O que faz de um café um bom café?
Cafés de supermercado ainda podem melhorar. Passam longe da complexidade dos de barista – normalmente produzidos com frutos de qualidade excepcional e torrados em pequenas quantidades dias antes de serem consumidos –, mas estão bem melhores do que há alguns anos.
Bons cafés devem ter doçura natural, aroma complexo e vivo, corpo, acidez (não o azedume que faz contrair as bochechas) e não devem ser amargos.
As grandes empresas entregam um café como dizem que o brasileiro gosta. “Forte não significa ruim. Tem um ponto de torra mais acentuado e um corpo mais intenso”, explica Nathan Herszkowicz, da Abic.
Para comprar melhores cafés, observe na embalagem a data de validade: quanto mais próximo estiver do limite de consumo, mais riscos de levar um pó deteriorado pelo tempo – na prova com os cafés de supermercado (leia ao lado), a sensação mais recorrente foi a de beber velharia. A indústria se defende. “É o hábito de quem prova. O gosto de velho é uma sensação do provador que não representa a tecnologia da indústria, que embala o pó normalmente a vácuo para retardar justamente o envelhecimento. A tendência desse provador acostumado a cafés especiais é minimizar as qualidades (do industrial)”, argumenta a Abic.
A cor do pó também é importante. Grãos de qualidade perdem características quando supertorrados e os defeitos ficam camuflados pelo amargor. Prefira pós com coloração mais para o marrom do que para o preto. Quanto mais escuro for o pó, mais amarga e adstringente ficará a bebida.

A moagem também é importante. Pós com granulagem de talco devem ser evitados porque favorecem a extração de muitos dos sólidos solúveis responsáveis pelo amargor.
O mais importante, contudo, ainda é a matéria-prima. Com grãos 100% arábica, a bebida tende a ter menos corpo e mais complexidade. Será mais doce e ácida, mas pode não ter aquele corpo denso. Depois de aberto, não tire o café da embalagem. Os invólucros são desenvolvidos para manter a qualidade do produto. Conserve o pó longe da luz e calor e tente usá-lo o mais rapidamente possível.
O café ruim virou pó
A história de todo café bom ser exportado e ficarmos com o ruim “é uma página virada”, diz Nathan Herszkowicz, da Abic. Em 2014, o Brasil consumiu 20 milhões de sacas do grão. Dessas, 18 milhões serviram de matéria-prima para cafés tradicionais e superiores e 2 milhões para cafés gourmets. Da produção, 60% ainda é exportada, mas, nos últimos anos, bons grãos também ficaram por aqui. “Existe uma busca por diferentes tipos de qualidade de café. É um mercado pequeno, mas promissor”, avalia João Michaliszyn, da Melitta.
Maior produtor mundial de café de qualidade, é no Brasil que todas as grandes empresas do mercado mundial compram a maior parte da sua matéria-prima.
A oferta das gôndolas melhorou não só em número de rótulos, mas na qualidade dos produtos. Ainda que pareça o lobo cuidando dos cordeiros, a indústria realiza testes regulares para a avaliação do que produz e, desde 2004, a Abic acompanha a qualidade das marcas disponíveis no Programa de Qualidade do Café, que além de estabelecer as categorias tradicional, superior e gourmet, monitora os produtos dos afiliados com testes regulares em laboratórios de prova. Se não atenderem aos critérios da Abic, os cafés não recebem o selo de qualidade.
Plantio e colheita também melhoraram. Boas práticas deixaram de ser exclusividade de pequenos produtores forjados com instruções dos baristas.
Em busca de preços mais altos e de negociações fora da bolsa de valores, produtores se esforçam para não estragar aquilo que o cafezal levou meses para produzir. O reflexo disso está na infinidade de concursos de qualidade Brasil afora.
Os louros da melhora também são crédito dos consumidores. “Há um fato que vale destacar sobre a mudança do consumo dos brasileiros. Antes, as licitações para compra de cafés, principalmente as públicas, eram focadas somente no menor preço de um produto criticável. Hoje, muitas determinam a nota mínima (do produto)”, diz Herszkowicz. A Cidade Administrativa de Minas exige nota mínima de 7,3 da Abic para comprar o café para a sede do governo do Estado.
Grãos especiais puxaram a qualidade dos produtos intermediários vendidos em supermercado. Ainda que sua próxima xícara não seja de um microlote torrado grão a grão por um barista, a xícara do dia a dia está mais diversa do que já foi.
O bem coado
1. Respeite a proporção de pó para o volume de água indicado nas embalagens
2. Evite a água direto da torneira. Se possível, use mineral, mas a filtrada vem a calhar
3. Com o café no coador, dê batidinhas no suporte para acomodar o pó de maneira mais uniforme
4. Derrame só um pouquinho de água para molhar o pó até que algumas gotas comecem a cair. Espere estancar
5. Despeje o restante da água continuamente em movimentos circulares e espere a extração se completar

26 de janeiro de 2015

"Ninguém baterá tão forte quanto a vida. Porém, não se trata de quão forte pode bater, se trata de quão forte pode ser atingido e continuar seguindo em frente. É assim que a vitória é conquistada." Rocky Balboa

14 de janeiro de 2015

Edição ilustrada de Harry Potter e a Pedra Filosofal será lançada

Veja a notícia no site do Estadão! http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,edicao-ilustrada-de-harry-potter-e-a-pedra-filosofal-sera-lancada-no-pais-em-2016,1619892

Derivado da maconha, canabidiol é liberado pela Anvisa para uso controlado

14 de janeiro de 2015 
O canabidiol, derivado da maconha, foi retirado da lista de substâncias proibidas no país nesta quarta-feira, 14. A decisão foi tomada pela diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que o reclassificou na lista de substâncias controladas.
A decisão inédita reconhece oficialmente o efeito terapêutico de uma substância proveniente da cannabis sativa. Ela também abre espaço para que diferentes indústrias pesquisem a substância a fim de desenvolver produtos e até medicamentos à base dela no país - todos sujeitos à aprovação da Anvisa.
De acordo com reportagem da Fola de S. Paulo, a reclassificação foi aprovada por unanimidade. Durante o processo, os diretores da instituição citaram estudos científicos que mostram que a substância não apresenta risco de dependência.
Com a decisão, o canabidiol passa agora da lista F2 (substâncias proibidas) para a lista C1 (substâncias controladas) - que inclui medicamentos. A pesquisa, desenvolvimento e registro desses medicamentos precisam ser aprovados pela Anvisa.
Leia a íntegra da matéria na Folha de S. Paulo.

13 de janeiro de 2015

Parem de tocar Anitta nas festas de criança. Apenas parem.

Por RITA LISAUSKAS13 Janeiro 2015

Anitta
Um dia desses fui com o meu filho em um buffet infantil para festa de uma amiguinha. A música que anunciou que a pista de dança estava aberta para os pequenos foi: “Prepara. Que agora. É hora. Do show das poderosas. Que descem. Rebolam. Afrontam as fogosas. Só as que incomodam. Expulsam as invejosas. Que ficam de cara. Quando toca”. “Show das Poderosas”, da funkeira Anitta.
Festinha do dia das crianças do condomínio ao lado de onde moro, ano passado. Vejo um “pula-pula” sendo montado logo cedo. Escorregador inflável. Avisto um palhaço. Mas sabe como soube que a festa finalmente tinha começado, horas depois? “Se não tá mais à vontade, sai por onde entrei. Quando começo a dançar eu te enlouqueço, eu sei. Meu exército é pesado, a gente tem poder. Ameaça coisas do tipo você.”
E comecei a pensar de onde as pessoas tiraram a ideia de que essa música tem alguma relação, mesmo que remota, com o universo infantil. E quero deixar claro que não tenho nada contra a Anitta. Mesmo. Acho que ela tem seu valor, que “Show das Poderosas” deve ser uma música ótima para dançar na balada. Mas não consigo entender como ouvir “descem, rebolam, afrontam as fogosas” pode ajudar na formação ou no vocabulário do meu filho ou de alguma criança deste mundo.
Mas voltemos à festa no buffet para que justiça seja feita, afinal, não foi só a música da Anitta que apareceu por lá . Logo começou uma “gemeção”: “Nossa. Nossa. Assim você me mata. Ai, se eu te pego. Ai, se eu te pego. Delícia. Delícia. Assim você me mata. Ai se eu te pego, ai, ai…”
Gosto muito do Michel Teló. Mesmo. Ele faz sucesso no mundo todo, do Brasil à Romênia. Fez com que gente que nunca tinha falado uma palavra de português começasse a cantar na nossa língua. Samuca logo quis saber do que se tratava aquela letra quando assistiu ao clipe de “Ai se eu te pego” no Youtube – a música, patrocinada, aparecia sempre antes do desenho favorito dele. Expliquei, num susto, que o “ai se eu te pego” era sobre brincar de pega-pega. E me senti esperta. Só que na festa eu estava alerta e com medo de não ser tão rápida no gatilho se viesse uma próxima pergunta. Por isso logo tirei meu filho de lá com um argumento infalível: “vamos comer um brigadeiro?”. Dito e feito. “Mulheres na frente, os homens atrás. Mão na cabeça que vai começar. O rebolation, tion o rebolation, o rebolation, tion, rebolation”.
Claro que esse tipo de música não toca em todos os buffets infantis. Claro que a grande maioria de mães e pais tem cuidado na hora de escolher o que os filhos podem e devem escutar quando o assunto é música. Ainda bem.
Aposto que vão chover e-mails dizendo que  “não podemos colocar nossos filhos em uma redoma de vidro”. Ou que “essas músicas tocam na rádio o dia inteiro, não há como evitar que eles ouçam” ou que “isso é questão de gosto” e até coisas mais pesadas: “Nossa, Rita, como você é preconceituosa! Funk é um movimento cultural e musical e… ” e blá blá blá.
Só acho mais legal que meu filho saiba que “com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo”. Ou que queira “pegar carona nessa cauda de cometa, ver a via láctea, estrada tão bonita. Brincar de esconde-esconde numa nebulosa. Voltar para a casa, nosso lindo balão azul!”
Muito anos 80? Pode ser.
A letra da música preferida de Samuca, menino fabricado em 2009/modelo 2010, é essa: “Acordei com o pé esquerdo. Calcei meu pé de pato. Chutei o pé da cama. Botei o pé na estrada. Deu um pé de vento. Caiu um pé d’água. Enfiei o pé na lama. Perdi o pé de apoio. Agarrei num pé de planta. Despenquei com pé descalço. Tomei pé da situação. Tava tudo em pé de guerra. Tudo em pé de guerra”.
Ontem começou uma chuvona dessas que caem todo fim de tarde em São Paulo. E Samuca comenta comigo, todo feliz e sabido. “Que pé d´água, né, mamãe?”
PS: Obrigada, Palavra Cantada – Sandra Peres e Paulo Tatit – pela graça alcançada.

8 de janeiro de 2015

A reação de meninos ao serem incentivados a baterem em meninas

“Agora… Bata nela!”. Você já imaginou como reagiria caso fosse incentivado a agredir uma mulher? Vídeo mostra a reação surpreendente de meninos de seis a onze anos ao serem incentivados a bater em uma menina

“O que acontece quando pedimos para um menino bater em uma menina?” O jornalista italiano Luca Lavarone decidiu tirar a dúvida em frente às câmeras com meninos de seis a onze anos, em um vídeo intitulado “Slap her!” (Bata nela!).
Luca pergunta nome, idade e o que querem ser quando crescer. “Bombeiro”, “Jogador de Futebol”, “Padeiro”, “Policial”, “Pizzaoilo”, estão entre as respostas. Depois apresenta Martina, e segue fazendo perguntas. Até que Lavarone provoca com um pedido: “Bata nela”.
De acordo com o jornalista, o objetivo do experimento é descobrir a reação das crianças em relação à violência contra a mulher, entender como isso muda ao longo do amadurecimento e conscientizar.
As respostas dos meninos para os pedidos de “Bata nela!” foram unânimes (e surpreendentes), com justificativas variadas. Assista abaixo:


6 de janeiro de 2015

Globo suja biografia de Tim Maia e tenta livrar Roberto Carlos

05/JAN/2015

Roberto Carlos é um detalhe na falsificação da biografia de Tim Maia pela Rede Globo. O que estão fazendo com sua história é caso de polícia

tim maia biografia globo roberto carlos
O jovem Tim Maia (reprodução)
Por Kiko Nogueira, DCM
Tim Maia era um gênio complexo e contraditório. “Preto, gordo e cafajeste”, como ele se definia. Mas o que estão fazendo com sua biografia é caso de polícia.
A Globo transformou um filme lançado no final de 2014 num docudrama — mistura de ficção e documentário — em dois capítulos. Desfigurou tudo. Incluiu depoimentos de artistas, cortou cenas, alterou a ordem de acontecimentos.
Aproveitou para limpar a barra de Roberto Carlos. No longa, que é inspirado no livro de Nelson Motta, Tim é esnobado por Roberto até conseguir uma reunião por insistência da mulher de RC, Nice, em que Roberto acaba topando gravar “Não Vou Ficar”.
Os dois eram amigos da Tijuca no fim dos anos 50 e fizeram parte de um grupo vocal chamado Sputniks. Quando a Jovem Guarda estourou, Tim havia voltado dos EUA quebrado. Procurou Roberto em busca de uma chance no programa. Foram meses de batalha, eventualmente humilhantes.
Nelson narra algumas dessas histórias no livro. Na biografia censurada de RC, Paulo César de Araújo ainda lembra uma ocasião em que Roberto, na saída do Teatro Record, manda seu empresário dar dinheiro para “Tião”. A grana foi amassada como uma bola e atirada em sua direção. “Eu tive um acesso de choro na hora”, afirmou Tim.
Essa luta está no cinema. Na TV, porém, Roberto surge dizendo que ajudou, sim, o cantor, e por vontade própria, não de Nice (nem a pobre Nice, morte em 1990, pode se defender). Na pele do ator Babu Santana, Tim Maia dá um depoimento: “Foi assim que Roberto Carlos lançou o gordo mais querido do Brasil”. Você consegue imaginar essa frase idiota na boca de Xuxa, mas não na de Tim Maia.
O diretor Mauro Lima criticou a adaptação no Instagram, sugerindo que ninguém assistisse o “subproduto”. A emissora declara ter realizado uma “recriação”. Nelson Motta, como era de se esperar, não falou nada e não vai falar.
Há muitas pontas que não fecham. Como um diretor permite que seu trabalho seja mutilado em nome de ficar mais “didático”? Se autorizou, reclama do quê? Estava no pacote da Globofilmes uma versão televisiva tabajara? Quem está ganhando com toda essa falsificação? Se fosse o contrário — uma telebiografia de Roberto Carlos com um papel, digamos, controvertido de Tim Maia, Tim seria chamado para dar um tapa?
Agora, não é apenas a relação com Roberto que era complicada. Tim Maia vivia às turras com a Globo. Processou a emissora por direitos autorais algumas vezes. Deu uma longa e divertidíssima entrevista ao Jô sobre isso (no SBT, evidentemente).
Foram décadas de confusões legais. Não é nota de rodapé. Mesmo sendo muito cuidadoso, Nelson Motta incluiu diversas passagens a esse respeito em seu best seller. Em 1993, numa trégua jurídica, Tim deu um cano no Faustão. “Na segunda-feira, a vice-presidência de operações da Rede Globo enviou um memorando a todas as centrais vetando a participação de Tim Maia em programas da emissora”, escreve.
Tim era louco, mas não era burro. Descontente com a capa de um disco, quebrou a sala do diretor artístico da Philips, avisando a secretária que deixou uma “lembrancinha”. Montou sua gravadora, a Seroma, para ter o controle sobre sua obra.
Foi um dos primeiros artistas independentes do país, numa época em que isso simplesmente não existia. As composições eram registradas na editora, a distribuição dos discos terceirizada. Ganhou dinheiro — gastou muito dinheiro.
Nunca escondeu suas excentricidades em entrevistas antológicas. Mas não era um inocente útil, um trouxa, um junkie burro. Suas brigas com a Globo são parte fundamental de sua vida. Morto, a emissora faz o que ele nunca permitiu: apropriou-se de Tim Maia. Roberto Carlos é apenas mais um detalhe feio nesse vale tudo.
Assista ao filme exibido nos cinemas na íntegra, clique no link: https://www.youtube.com/watch?v=Zvky6aw36ro#t=13

5 de janeiro de 2015

Ser humano perfeito é porto-riquenho, afirma pesquisador

Ilustração da índia taína Yuiza, caso raro de mulher porto-riquenha que chegou a ser cacique de sua tribo (Foto: Reprodução)
Se houver um ser humano geneticamente perfeito, ele teria que ser porto-riquenho, graças a mistura de heranças espanhola, africana e 'taína' (indígena), segundo um estudo realizado pelo biólogo Lior Pachter, da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos.
"Não quero dizer que o porto-riquenho atual seja um homem ou uma mulher perfeitos, porque nenhum grupo humano é", explicou à Agência Efe o cientista, cuja afirmação foi recebida com humor pelos habitantes dessa ilha caribenha.
De seu escritório na Califórnia, Pachter disse que iniciou a pesquisa após dividir uma mesa de jantar, por acaso, com James Dewey Watson em março de 2004.
Watson, prêmio Nobel de Medicina em 1962 por seus trabalhos sobre a estrutura da molécula de DNA, passou a noite fazendo comentários racistas e homofóbicos que desagradaram Pachter.
Por outro lado, com suas pesquisas, ele chegou à conclusão de que um povo mestiço e com uma mistura racial tão generalizada, quanto o porto-riquenho, tem maiores possibilidades de acolher o mais próximo do "humano perfeito".
Ilha caribenha elegeu cinco Miss Universo e é terra natal de Ricky Martin e da família de Jennifer Lopez
E Pachter vai além. Ele garante que o indivíduo que corresponderia exatamente ao humano perfeito é um com a carga genética do código HG00737 e que essa pessoa já existiu.
Com a conclusão de sua análise de que o ser humano perfeito era, concretamente, uma mulher porto-riquenha, Pachter diz que a imaginou como a taína Yuiza (Luisa), que chegou a ser cacique de sua tribo, algo muito pouco comum para uma mulher.
Em seu blog o pesquisador reproduz o retrato dessa mulher que imaginou e que foi desenhado pelo artista local Samuel Lind.
Esta é a resposta científica de Pachter aos comentários do Nobel de Medicina, que vinculou sua carreira à obsessão por melhorar a imperfeição na genética, conforme lembrou o pesquisador, cuja afirmação suscitou todo tipo de brincadeira entre os próprios porto-riquenhos.
Alguns se perguntavam se o humano perfeito seria o governador da ilha, Alejandro García Padilla, e asseguravam que o estudo conclui "o que já se sabia: que o porto-riquenho é resultado de uma mistura perfeita".
Nesse sentido lembravam que a ilha já ganhou cinco concursos Miss Universo, atrás apenas dos Estados Unidos e da Venezuela, apesar da óbvia desproporção populacional.
Além disso, Jennifer Lopez, nascida em Nova York, mas de origem porto-riquenha, e Ricky Martin eram apontados hoje como exemplos da perfeição humana.
No entanto, o estudo que o cientista fez por conta dos comentários racistas do Nobel de Medicina tem, certamente, uma base científica e um lado muito mais sério e profundo que essas brincadeiras.
As conclusões, publicadas em seu blog, mostram que o fato de o "homem perfeito" ser porto-riquenho tem muito sentido dada a mistura de genomas que há na ilha entre indígenas, africanos e europeus com origem, principalmente, na Espanha.
Pachter utilizou para sua análise a base de dados SNPedia, que recolhe informação dedicada ao estudo de genes humanos de acordo com doenças e outras variáveis.
Através de análise matemática, ele encontrou o pretenso "humano perfeito" que abrigaria todos os genes saudáveis dos diferentes grupos raciais e que corresponderia, provavelmente, com uma mulher porto-riquenha que existiu no passado.
O cientista lembrou que as diferentes povoações divididas pelo mundo contam com genes predispostos à doença e outros "bons". Logo, que o "humano perfeito" seja porto-riquenho faz sentido pelo fato de que um indivíduo dessa ilha, no qual se deu um processo de miscigenação, tenha reunido os genes "bons" dos diferentes grupos raciais, concluiu o cientista da Universidade de Berkeley.

2 de janeiro de 2015

Alemanha tem TRAM "aéreo" há mais de 100 anos

Wuppertal Schwebebahn ou TRAM Flutuante Wuppertal é o sistema público de transporte sob trilhos da cidade de Wuppertal, Alemanha. Construído entre 1897 e 1903, o sistema de veículo leve é utilizado por mais de 25 milhões de passageiros por ano (2008). O Wuppertal Schwebebahn viaja numa rota de 13.3 quilômetros com duração total de 30 minutos. Os TRAMs já receberam diversas modificações de modernização desde a sua inauguração em 1901.
Alemanha tem TRAM 'aéreo' com mais de 100 anos
Modelo de TRAM atual – Foto: harry_nl
Alemanha tem TRAM 'aéreo' com mais de 100 anos
Uma das estações de passageiros – Foto: andreas_wupperfoto

Alemanha tem TRAM 'aéreo' com mais de 100 anos
O Wuppertal Schwebebahn passando por uma avenida movimentada da cidade – Foto: Phil Beard
Alemanha tem TRAM 'aéreo' com mais de 100 anos
Cruzamento em ponte suspensa – Foto: Dandelion And Burdock
Alemanha tem TRAM 'aéreo' com mais de 100 anos
Veículo cruza bairro residencial – Foto: andreas_wupperfoto
Alemanha tem TRAM 'aéreo' com mais de 100 anos
Foto: Laphroaig67
Alemanha tem TRAM 'aéreo' com mais de 100 anos
Plataforma de passageiros – Foto: scchiang
Alemanha tem TRAM 'aéreo' com mais de 100 anos
A linha do Wuppertal Schwebebahn em 1913 – Foto: Wikimedia

FONTE: Ideias Green 
“Sorte é quando a PREPARAÇÃO encontra a OPORTUNIDADE.”
Elmer G. Letterman