31 de março de 2014

Repense

Repense a maconha medicinal.

29 de março de 2014

Organizadora do “Eu não mereço ser estuprada” recebe ameaças de estupro

Por Leonardo Sakamoto. 29/03/2014 10:23
A jornalista e escritora Nana Queiroz (28) é a responsável pela campanha “Eu não mereço ser estuprada'', que inundou as redes sociais nesta sexta, como uma resposta aos resultados de um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Ele revelou que 65,1% da população concorda total ou parcialmente que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas'' e 58,5% concordam total ou parcialmente que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros''.
A campanha pediu que mulheres fotografassem a si mesmas, da cintura para cima, nuas ou não, reafirmando – com cartazes ou escrito em seu próprio corpo – que não merecem serem estupradas e circulassem as imagens pelas redes sociais com hashtags como #EuNãoMereçoSerEstuprada.
Pedi para Nana um texto sobre os resultados até agora. Se por um lado, há um engajamento crescente e uma vontade de muita gente de não mais aguentar em silêncio, de outro a constatação de que quando se tenta mudar essa realidade, o contra-ataque machista – vindo de homens e mulheres – é aterrador.
Verdadeiras e falsas coragens, por Nana Queiroz
Acordei de uma noite mal dormida e perturbada. Adormeci ao som das notificações de meu Facebook e acordei com elas. Desde que começou o protesto online “Eu Não Mereço Ser Estuprada”, nesta sexta, às 20h, recebi incontáveis ofensas. Homens me escreveram dizendo que me estuprariam se me encontrassem na rua, outros, que eu “preciso mesmo é de um negão de 50 cm” ou “uma bela louça para lavar”. Se ainda duvidava um pouco da verdade por trás da pesquisa do Ipea, segundo a qual 65% dos brasileiros acreditam que mulheres que mostram o corpo merecem ser atacadas, hoje acredito nela totalmente. Senti na pele a fúria revelada pela pesquisa.
Em algum momento hoje, depois que conseguir descansar um pouco, vou à Delegacia da Mulher denunciar as ameaças. Pior: vou delatar um sujeito, Cirilo Pinto, que não só confessou publicamente já ter cometido um estupro, mas afirmou que o faria novamente. Está aí o print screen da página dele, para quem duvidar. Espero que ele seja, ao menos, detido por incitar o estupro.
coisa
Centenas de perfis falsos foram criados e nosso evento bombardeado com frases machistas, pesquisas preconceituosas e montagens com fotos do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) com dizeres ofensivos. Uma imagem dele ilustrou até um evento criado para promover um estupro coletivo. Caro deputado, pense: o senhor se tornou o ídolo de pessoas que defendem o estupro. Não será a hora de pôr a mão na consciência ou no coração?
Por outro lado, estou emocionada com o tamanho que a manifestação ganhou, não só pelo número de adesões, mas pela qualidade das postagens. Um resultado inesperado me comoveu ainda mais: Dezenas e dezenas de homens e mulheres contaram publicamente, muitos pela primeira vez, seus casos de estupro. Quanta coragem!
Alguns me escreveram privadamente para desabafar. Outros publicaram para milhares. Daiara Figueroa, creio eu, fez um dos relatos mais tocantes, contando como superou o trauma do abuso. Em sua foto, vestiu com orgulho um cocar, em homenagem a seu povo indígena.
Quero falar aqui, principalmente, a essas pessoas: vamos exorcizar isso juntos. Vocês nos inspiram, nos movem e comovem. Que o mundo tenha mais pessoas com a coragem legítima de Daiara e menos com a falsa coragem de Cirilo.

Fonte: Blog do Sakamoto
Evento: Eu não Mereço Ser Estuprada: 
 https://www.facebook.com/events/718713144818641/720604054629550/?notif_t=plan_mall_activity
#EuNãoMereçoSerEstuprada #NinguémMereceSerEstuprado
Faça sua parte!

28 de março de 2014

Reescreva a História - Narrativas que Limitam as Crianças?



27 de março de 2014

"O homem nasceu para aprender, aprender tanto quanto a vida lhe permite."
Guimarães Rosa

26 de março de 2014



Quando a Lua transformar a água em mel,
O brilho do Sol se diluirá nas almas que tomaram o mel esperança.

Quantos beijos o silêncio não produz?
A saudade é um véu, o amor, o mel.

Eu te amo Pai,
Eu te amo Mãe,
A prece silêncio espírito,
Abençoa a multidão da tua alma,
O silêncio coração.

A minha vida tem os erros,
Que seu amor pode resolver.
O brilho nos meus olhos é a sua alegria.
Doce esperança.

Bullying amoroso

Cada dia que passa tenho a mais absoluta certeza de que as pessoas tem sérios problemas com a realidade. Ou, melhor dizendo, com a dificuldade de adaptação do que se vende na indústria midiática com aquilo que efetivamente deve ser priorizado na vida real. Diariamente relacionamentos e modelos pessoais perfeitos são vendidos nos mais diversos meios de comunicação como sendo um padrão de beleza e comportamento considerados ideais, fato que tem levado a falência muitas parcerias feitas de carne, osso e vontades. O imaginário do ser humano aliado às cruéis expectativas individuais leva à supervalorização de determinados parâmetros e a inferiorização de outros que, não demora muito, termina no famoso bullying amoroso de uma das partes.
Na maioria das vezes se demora a perceber a imensidão do problema em jogo. A gente arruma desculpas para si, justificativas para o outro, se sobrecarrega de culpas, receios, medos e quando se vê a bagagem emocional está ali, encostada silenciosa no cantinho escuro do quarto calando uma liberdade que pode ser ouvida a quilômetros de distância. Justamente porque o bullying amoroso é talvez um dos comportamentos mais sutis que pode existir entre duas pessoas. Quando se assusta já virou hábito, rotina, aceitação. É a depreciação da opinião do outro muitas vezes publicamente, as contínuas manifestações de insatisfação com o corpo do parceiro (a) que levam a uma consequente diminuição da libido e da atividade sexual, o menosprezo com as crenças, o jeito de falar, de vestir, de viver, de amar.
Não tem nada na vida pior do que ser comparado a um padrão que simplesmente não existe. Querer ter do lado alguém com o corpo de modelo internacional, performance de atriz/ator pornô, a inteligência da Marília Gabriela, que seja além de tudo capaz de parar o trânsito fisicamente e de cuidar de você durante uma crise de rinite, é comprar uma expectativa fictícia e, cá entre nós, bem tediosa. Aquela particularidade que para um não é atraente, para o outro é algo absurdamente encantador. É tudo questão de ponto de vista, ou melhor, de onde e de que forma está vindo o olhar. Amor, parceria e cumplicidade não são algo que se conquista baseado em estereótipos e comédias românticas. Um relacionamento é feito de pessoas inteiras, com qualidades, defeitos, anseios e desejos absolutamente reais. Ou a gente ama o pacote todo que o outro nos oferece, ou procura alguém que preencha melhor nossos “pré-requisitos” em um relacionamento.
A verdade é que não existe força de vontade e amor no mundo que sobreviva a falta de respeito. Tem quem ainda tente passar por cima de tanta agressão emocional e se esforça ao máximo para agradar, corresponder, resgatar uma relação fadada ao fracasso. Mas o fato é que não deveria. A única responsabilidade que se deve amargar é a de deixar outra pessoa ferir o que se tem de mais importante: sua essência. Não existe nada mais doentio do que permanecer em um relacionamento que agride sua autoestima. Até porque a gente não corresponde nem às nossas expectativas, quem dirá às dos outros. Relacionamento foi feito acima de tudo para ser colo, aconchego e paz. Se a alma não se sente mais abraçada, se o aperto no peito for frequente, se em algum momento por menor que seja a gente deixa de se sentir integralmente desejável aos olhos de quem caminha lado a lado com nossas certezas, é infinitamente melhor continuar a travessia sozinho (a).
Amor é acima de tudo uma escolha. Assim como a permanência. Entra na nossa travessia quem faz por merecer. Sai quem ultrapassa os limites entre quem eu sou e quem você espera que eu seja. A vida, os relacionamentos, os romances, cada qual com suas peculiaridades, são únicos justamente por serem vividos por pessoas reais. Nada é tão reconfortante quanto estar ao lado de alguém que está com a gente simplesmente pela gente. Eu chamo isso de respeito e é o mínimo necessário em qualquer parceria. Caso contrário, este túnel tem duas saídas bem conhecidas: ou soma, ou sumo.


12 professores resolveram falar algumas verdades sobre a educação pública brasileira

Infelizmente os professores são uma das profissões menos valorizadas no Brasil. As manifestações dessa classe no final de 2013 alertando as péssimas condições de trabalho não me deixam mentir.
Foi exatamente desse movimento que surgiu a ideia do projeto “Ser Professor”. Com um tom bastante pessoal, 12 professores da rede pública estadual e municipal do Rio de Janeiro falam sobre suas relações com o magistério, sobre seu dia-a-dia, suas dificuldades e histórias que marcaram suas vidas.
Esse olhar atento e mais próximo nos traz uma nova visão não só sobre a realidade das escolas do Rio de Janeiro como do Brasil inteiro.


21 de março de 2014

Veja a bosta

Há 
coisas 
que 
são 
bostas, 
e cheiram, 
e fedem como bostas,
e sujam cérebros e violentam cérebros:
bostas
postas sem-analmente,
mas
poucos
enxergam:
VEJA A BOSTA (ainda que falte a vírgula)
e,
antes que os olhos
e
sentidos
se
cubram de veja, digo: bosta,
e a língua queira espalhar a bosta pelo mundo, digo: veja!

*
Pietro Nardella-Dellova, 2014.


Imagens críticas de Pawel Kuczynki

"Pawel Kuczynski é um cartunista/ilustrador polonês que tem utilizado a sua arte para promover reflexões críticas sobre problemas da nossa realidade, em um viés universal. Ele nasceu em 1976 e já foi agraciado com mais de 100 diferentes prêmios. Nas suas percepções, retrata questões envolvendo meio ambiente & ativismo ecológico, política & economia, desigualdade social e temas variados."



E por aí vai... existem muito mais imagens além dessas. 
Conheça: pawelkuczynski.com/

20 de março de 2014

Mês das Mulheres

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.


A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).


Paz

"Pode parecer quase inútil falar de paz quando tudo que vemos à nossa volta está em contínuo estado de "falta de paz". Mas considere as flores. Elas também vivem neste ambiente sem paz. Elas também têm que suportar a poluição e o declínio do mundo da natureza. No entanto, seja onde estiverem, à beira da estrada congestionada, no deserto, em meio aos espinhos, elas são eternamente belas e perfumadas. Nós também somos como flores. Somos as flores do jardim de Deus. Nesse jardim universal da correria diária também somos ameaçados pela poluição e circunstâncias desagradáveis. Mas sendo flores, é possível viver em nosso estado natural de paz e espalhar nossa fragrância ao redor."
Brahma Kumaris

17 de março de 2014

"Segunda-feira é mais difícil porque é sempre a tentativa do começo de vida nova. Façamos cada domingo de noite um reveillon modesto, pois se meia noite de domingo não é começo de Ano Novo é começo de semana nova, o que significa fazer planos e fabricar sonhos." 

Clarice Lispector

Não me delete, por favor.

Zygmunt-Bauman-.jpg
“Estamos todos numa solidão e numa multidão ao mesmo tempo.” Zygmunt Bauman
O sociólogo polonês Zygmunt Bauman declara que vivemos em um tempo que escorre pelas mãos, um tempo líquido em que nada é para persistir. Não há nada tão intenso que consiga permanecer e se tornar verdadeiramente necessário. Tudo é transitório. Não há a observação pausada daquilo que experimentamos, é preciso fotografar, filmar, comentar, curtir, mostrar, comprar e comparar.
O desejo habita a ansiedade e se perde no consumismo imediato. A sociedade está marcada pela ansiedade, reina uma inabilidade de experimentar profundamente o que nos chega, o que importa é poder descrever aos demais o que se está fazendo.
Em tempos de Facebook e Twitter não há desagrados, se não gosto de uma declaração ou um pensamento, deleto, desconecto, bloqueio. Perde-se a profundidade das relações; perde-se a conversa que possibilita a harmonia e também o destoar. Nas relações virtuais não existem discussões que terminem em abraços vivos, as discussões são mudas, distantes. As relações começam ou terminam sem contato algum. Analisamos o outro por suas fotos e frases de efeito. Não existe a troca vivida.
Ao mesmo tempo em que experimentamos um isolamento protetor, vivenciamos uma absoluta exposição. Não há o privado, tudo é desvendado: o que se come, o que se compra; o que nos atormenta e o que nos alegra.
O amor é mais falado do que vivido. Vivemos um tempo de secreta angustia. Filosoficamente a angustia é o sentimento do nada. O corpo se inquieta e a alma sufoca. Há uma vertigem permeando as relações, tudo se torna vacilante, tudo pode ser deletado: o amor e os amigos.


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Erros do passado

Fotógrafo fez retratos de 12 presidiários e pediu que cada um deles escrevesse carta para si mesmo quando jovem.

O fotógrafo norte-americano Trent Bell ficou chocado quando soube, no ano passado, que um amigo próximo havia sido sentenciado a 36 anos de prisão. "Um profissional com bom nível de educação, casado e pai de quatro crianças", conforme descreveu.
Nos meses seguintes, ele não conseguiu pensar em outra coisa, tamanho foi o trauma. Passado algum tempo, o fotógrafo resolveu direcionar toda aquela angústia para a arte. Foi quando concebeu o projeto "Reflect", por meio do qual fotografou 12 presidiários de uma penitenciária no Maine, nos Estados Unidos, e pediu a cada um deles que escrevesse uma carta para si mesmo quando jovem.
"Nossas más escolhas podem esconder perdas, remorsos e arrependimentos. Mas o valor dessas más escolhas são incomensuráveis quando as encaramos de frente, aprendemos com elas e encontramos força para compartilhar algo positivo", diz Trent Bell.

Veja todas as fotos no site OBVIOUS
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Mafalda

16 de março de 2014

A efemeridade/transitoriedade dos fatos, dos valores, das relações e seus efeitos no ser humano

Alguns conceitos filosóficos encaixam-se apropriadamente no âmbito da vida moderna: nunca pensou-se tanto acerca do sentido de tudo o que nos rodeia, o sentido de tudo ser como está e acontecer da forma como vemos, pois hoje o conhecimento não é monopolizado como já o foi.

Há séculos que uma geração critica sua anterior por seus valores, que já não são mais os mesmos. Essa mudança decorre de um processo natural de adaptação do modo de vida que surge através da tecnologia, por exemplo, ou até mesmo de uma constatação filosófica, como o “carpe diem”.
Na esfera pessoal, o advento dos meios de comunicação em massa – e a rapidez na troca de informações – colocou, como nunca antes, os valores sociais (conservadores) em xeque, forçando a sociedade a driblar a corrupção da moral. As relações interpessoais já não são tão duradouras, porém se dão de forma intensa e são eficientes para o ser humano à medida que satisfaz suas necessidades.
Na busca e na ânsia de se viver plenamente em meio ao caos do mundo capitalista e globalizado, verifica-se a “extinção” da vida privada, de modo a andar na contramão do individualismo que o sistema prega.
Isso posto, o estilo de vida de uma geração é reflexo e consequência de transformações de ordem cronológica. O modo de vida contemporâneo é efêmero, assim como o homem também o é e tudo que dele faz parte.


14 de março de 2014

Procuram-se Professores

por Thomaz Wood Jr.*
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Foto: http://www.shutterstock.com/
O mundo precisa de pensadores críticos e bem informados, mas muitos parecem pouco interessados nas questões comuns da sociedade.
Assim escreveu Nicholas Kristof, jornalista ganhador de dois prêmios Pulitzer, em uma coluna do New York Times, publicada em 15 de fevereiro: “Alguns dos pensadores mais inteligentes sobre questões domésticas ou do mundo ao redor são professores universitários, mas a maioria deles simplesmente não tem importância nos grandes debates de hoje”. O puxão de orelha veio de longe, mas a distância não reduz a pertinência, tampouco o efeito.
O colunista explica que a opinião desses especialistas é frequentemente desconsiderada por ser “acadêmica”, o que em muitos ambientes equivale a uma acusação de irrelevância. O preconceito soma-se à conhecida pergunta, “o senhor trabalha ou só dá aulas?” e reflete o baixo prestígio das atividades de pesquisa e ensino na sociedade e o que Kristof denomina de anti-intelectualismo da vida americana. De fato, a ojeriza ou simples preguiça em relação à vida inteligente é um fenômeno também presente em muitas outras áreas do planeta. Nos tristes trópicos, grassa há tempos um verdadeiro culto do que é rasteiro, ligeiro, baixo e vulgar. O fenômeno afeta as falas, as letras, as telas e as paisagens. Está presente nas atitudes e nos comportamentos. Para parte considerável da população, em todos os estratos econômicos, pensar dói.
Entretanto, observa o colunista do NYT, o problema não é que o país tenha marginalizado seus pensadores, mas que eles marginalizaram a si mesmos, isolando-se nas torres de marfim das universidades, especializando-se em filigranas e tornando sua linguagem cada vez menos acessível ao público. O resultado é o isolamento dos pensadores da vida pública, criando um vazio que é frequentemente preenchido por oportunistas e pseudointelectuais de pena afiada e garganta acelerada.
Kristof argumenta que uma das raízes do problema são os programas de doutorado, que glorificam o hermetismo e desdenham a audiência e o impacto na sociedade. O sistema se reproduz de geração para geração de pesquisadores, que são condicionados pela orientação para publicações e pelo sistema de promoção e carreira. Durante os anos mais produtivos de suas vidas, acadêmicos dirigem seu foco e energia ao desenvolvimento de artigos para revistas científicas ultraespecializadas. Os que “perdem seu tempo” com livros e com artigos de disseminação, escritos para a “plebe”, são olhados com desdém. O sistema também cuida de expelir os rebeldes, que não se conformam com a burocracia acadêmica.
Com isso, multiplicaram- se os perió­dicos científicos, muitas deles com mais autores do que leitores. Ao lidar, durante anos, com uma audiência reduzida e especializada, os pensadores abdicam da possibilidade de comunicar suas ideias a um público maior e perdem a capacidade de analisar questões mais amplas, de interesse social.
A escolha de temas para pesquisa, em muitas áreas, tem pouca ou nenhuma relação com o que é relevante para a sociedade. Orienta-se, frequentemente, pelas preferências pessoais e afinidades do pesquisador, e por suas estratégias de publicação. Pesquisa-se o que pode ser mais fácil de ver no prelo e não o que importa para o mundo ao redor.
Do outro lado do Atlântico, a revista britânica The Economist trouxe na coluna Schumpeter, de 8 de fevereiro, um texto sob o provocativo título: “Quem não sabe, ensina”. O autor observa que as escolas de negócios foram capturadas pelo corporativismo acadêmico e se tornaram bandeiras de conveniência para acadêmicos. Eles dedicam sua existência à publicação de artigos sem valor real, em periódicos obscuros, que nunca serão lidos por executivos. Firmes no comando de suas instituições, ocupam postos relevantes, defendem seus interesses e impedem as mudanças necessárias. Talvez não seja muito diferente em outros campos do conhecimento, mas é caso paradoxal. Afinal, a Administração é uma ciência social aplicada.
Kristof mostra-se triste com a situação, declarando sua admiração pela sabedoria encontrada nos campi universitários. O jornalista estudou em Harvard e Oxford. Deve-se lamentar que, com todos os recursos de que dispõem, acesso a informação, conhecimento e legitimidade, professores não ocupem um espaço maior nos debates contemporâneos. Todos perdemos.
Thomaz Wood Jr. escreve sobre gestão e o mundo da administração (thomaz.wood@fgv.br).
** Publicado originalmente no site Carta Capital.

13 de março de 2014


50 anos ontem

Por Marcos Rolim*
    Março de 2014 está vocacionado à lembrança. O final do mês assinala 50 anos do golpe militar de 1964. Para as novas gerações, tudo parecerá uma referência remota; excessivamente longínqua para ser significante; demasiado abstrata para ser sentida. Uma parte importante dos problemas brasileiros, entretanto, deriva do fato de não termos sido capazes, como nação, de produzir um acerto de contas com a ditadura. Tudo se passa como se o Brasil tivesse escolhido não saber e, portanto, fosse incapaz de se apartar do mal produzido, do inaceitável e do absurdo.
    A ditadura não pode ser lembrada pelos que não a viveram; espanta, entretanto, que a grande maioria da população não tenha, ainda hoje, as informações elementares a respeito daquele  período e que nossas crianças não recebam nas escolas uma formação qualificada que valorize a democracia e que abomine toda e qualquer forma ditatorial de governo. Por estas e outras razões, o golpe militar que depôs um governo eleito democraticamente diz respeito a uma experiência ainda muito próxima de todos nós, dolorosamente próxima. Para todos os efeitos, a barbárie foi ontem.
    O fato de não termos responsabilizado os que torturaram, os que mataram pessoas sob a guarda do Estado, os que estupraram prisioneiras, os que sumiram com cadáveres, negando às famílias o direito de sepultá-los, entre muitos outros crimes, é uma das razões pelas quais, ainda hoje, a tortura e outras práticas abusivas são tão frequentes por parte dos agentes do Estado.
    O fato de não termos responsabilizado os que torturaram, os que mataram pessoas sob a guarda do Estado, os que estupraram prisioneiras, os que sumiram com cadáveres,
    negando às famílias o direito de sepultá-los, entre muitos outros crimes, é uma das razões pelas quais, ainda hoje, a tortura e outras práticas abusivas são tão frequentes por parte dos agentes do Estado.
    Arte: Divulgação
    A grande maioria dos países onde se viveu a experiência de regimes ditatoriais foi capaz de realizar um balanço efetivo e produzir uma verdade jurídica sobre as violações e crimes praticados pelos usurpadores. Nem sempre este acerto de contas implicou penas de prisão ou outras punições. Lembrando a experiência de alguns de nossos vizinhos, Argentina, Uruguai e Chile já possuem vários casos de condenação de torturadores, assassinos e mandantes de crimes de lesa-humanidade. Em outras experiências históricas, como na África do Sul, a transição à democracia foi realizada com base em anistia, mas de forma substancialmente diversa daquela realizada no Brasil.
    Desde a morte de Nelson Mandela, muitos foram os que se dedicaram a elogiar sua trajetória para reduzi-la à capacidade do perdão. Em tal conversa, tão autêntica quanto uma nota de 3 reais, os súbitos novos admiradores não mencionam o fato de Mandela ter sido considerado por muito tempo um “terrorista” por ter liderado a luta armada contra o regime do apartheid. Escondem, também, que a anistia construída por Mandela foi estruturada pela chamada “Comissão de Verdade e Reconciliação”, que concedeu o perdão, mas sob a condição de que os pretendentes relatassem seus crimes em sessão pública.
    A anistia de Mandela, então, foi concebida e antecedida pela verdade. No Brasil, a ditadura se autoconcedeu uma anistia para assegurar exatamente o contrário. O principal, desde a ótica dos violadores, foi impedir que a verdade fosse conhecida. A meta foi facilitada, primeiramente, pela omissão histórica do Judiciário; conduta renovada, em 2010, pelo STF, quando do julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 153), em que a Corte rejeitou o pedido da OAB para a responsabilização dos torturadores.
    A manipulação sistemática produzida por grande parte dos órgãos de imprensa, entusiásticos apoiadores do golpe e sócios da ditadura, encarregou-se do resto. Em alguns casos, como fartamente documentado, órgãos da imprensa se somaram às tarefas da repressão clandestina, como a Folha de São Paulo, que emprestou viaturas ao DOI-Codi, para que os agentes as usassem em “campanas”. Por este particular processo, seguimos diante de uma história mergulhada na opacidade. Lembrando Faulkner, penso que nosso passado, blindado oficialmente pela conveniência política e pela covardia, ainda sequer é passado. Tudo aquilo que há de triste e revoltante nesta história, entretanto, precisará ser revirado escrupulosamente se desejarmos que os fatos não sejam mais sombras e digam respeito, finalmente, ao que nunca mais será.
    O fato de não termos responsabilizado os que torturaram, os que mataram pessoas sob a guarda do Estado, os que estupraram prisioneiras, os que sumiram com cadáveres, negando às famílias o direito de sepultá-los, entre muitos outros crimes, é uma das razões pelas quais, ainda hoje, a tortura e outras práticas abusivas são tão frequentes por parte dos agentes do Estado. Pela mesma razão, os que apoiaram a ditadura, assim como aqueles que enriqueceram com o regime liberticida – falam hoje em “democracia” sem qualquer vergonha. Seria até cômico, não fosse tudo isso expressão de uma ameaça que se torna mais real a cada vez que a ignorância e a estupidez – independentemente de filiação ideológica – depreciam o debate, desconsideram o interesse público, saúdam a intolerância e imaginam que a violência seja uma resposta, e não o apreço pela incapacidade de formular respostas.
    * Jornalista, sociólogo e professor do IPA.
    FONTE: ExtraClasse

    11 de março de 2014

    Um dia vai ser

    pelos caminhos que ando
     um dia vai ser
       só não sei quando.

           Paulo Leminski


    http://pauloleminskipoemas.blogspot.com.br/


    9 de março de 2014


    Postagem Especial - 20 anos da morte de Charles Bukowski -09/03/2014 Participação Especial: Thon Juh Melo

    Tantas culpas e tantos culpados
    tantas putas e tantos filhos-da-puta
    Que o mundo continua girando,
    e seguindo seu curso
    sem ter ao menos o trabalho de fazer valer
    a lei da ação e reação.
    E tantas justificativas na televisão,
    e não tao longe,
    quantas mentiras e utopias
    não sussurram docilmente no seu ouvido?!
    Dias se fazem noites,
    com a mesma facilidade
    que noites se fazem dias.
    E a única lei que predomina
    é a gravidade
    Com os seios cada vez menos firmes
    e a pele cada vez mais flácida...
    Mas, o principio da amizade...
    é tão lindo e sincero
    Que aquele que ora limpa seu sangue
    outrora arranca-lhe as vísceras
    Te levantando ou te afogando,
    no extremismo do calor do sentido
    de qualquer forma ainda lhe estima.
    E tudo seria tão menos traumatizante
    se não esperássemos a vida toda pela morte
    e não matássemos tanto o plasma da vida...
    A vida de uma alegria
    a vida de uma tristeza
    a vida de um olhar
    ou de uma lágrima
    E quantas vidas em uma...
    E quantas mortes em vida...


    8 de março de 2014

    História do 8 de março

    No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

    A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

    Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

    Objetivo da Data

    Ao ser criada esta data, não se pretendia apenas comemorar. Na maioria dos países, realizam-se conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual. O esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história.



    Conquistas das Mulheres Brasileiras

    Podemos dizer que o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino. As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo.



    Marcos das Conquistas das Mulheres na História



    - 1788 - o político e filósofo francês Condorcet reivindica direitos de participação política, emprego e educação para as mulheres.

    - 1840 - Lucrécia Mott luta pela igualdade de direitos para mulheres e negros dos Estados Unidos.

    - 1859 - surge na Rússia, na cidade de São Petersburgo, um movimento de luta pelos direitos das mulheres.

    - 1862 - durante as eleições municipais, as mulheres podem votar pela primeira vez na Suécia.

    - 1865 - na Alemanha, Louise Otto, cria a Associação Geral das Mulheres Alemãs.

    - 1866 - No Reino Unido, o economista John S. Mill escreve exigindo o direito de voto para as mulheres inglesas

    - 1869 - é criada nos Estados Unidos a Associação Nacional para o Sufrágio das Mulheres

    - 1870 - Na França, as mulheres passam a ter acesso aos cursos de Medicina.

    - 1874 - criada no Japão a primeira escola normal para moças

    - 1878 - criada na Rússia uma Universidade Feminina

    - 1901 - o deputado francês René Viviani defende o direito de voto das mulheres



    "Não percas nunca, pelo vão saber,
    A fonte viva da sabedoria.
    Por mais que estudes, que te adiantaria,
    Se a teu amigo tu não sabes ler?"

    (Mário Quintana)

    6 de março de 2014

    Cerveja: o transgênico que você bebe

    por Flavio Siqueira Júnior e Ana Paula Bortoletto*
    140228 cervejademilho1 Cerveja: o transgênico que você bebe
    Sem informar consumidores, Ambev, Itaipava, Kaiser e outras marcas trocam cevada pelo milho e levam à ingestão inconsciente de OGMs.
    Vamos falar sobre cerveja. Vamos falar sobre o Brasil, que é o 3º maior produtor de cerveja do mundo, com 86,7 bilhões de litros vendidos ao ano e que transformou um simples ato de consumo num ritual presente nos corações e mentes de quem quer deixar os problemas de lado ou, simplesmente, socializar.
    Não se sabe muito bem onde a cerveja surgiu, mas sua cultura remete a povos antigos. Até mesmo Platão já criou uma máxima, enquanto degustava uma cerveja nos arredores do Partenon quando disse: “era um homem sábio aquele que inventou a cerveja”.
    E o que mudou de lá pra cá? Jesus Cristo, grandes navegações, revolução industrial, segunda guerra mundial, expansão do capitalismo… Muita coisa aconteceu e as mudanças foram vistas em todo lugar, inclusive dentro do copo. Hoje a cerveja é muito diferente daquela imaginada pelo duque Guilherme VI, que em 1516, antecipando uma calamidade pública, decretou na Bavieira que cerveja era somente, e tão somente, água, malte e lúpulo.
    Acontece que em 2012, pesquisadores brasileiros ganharam o mundo com a publicação de um artigo científico no Journal of Food Composition and Analysis, indicando que as cervejas mais vendidas por aqui, ao invés de malte de cevada, são feitas de milho.
    Antarctica, Bohemia, Brahma, Itaipava, Kaiser, Skol e todas aquelas em que consta como ingrediente “cereais não maltados”, não são tão puras como as da Baviera, mas estão de acordo com a legislação brasileira, que permite a substituição de até 45% do malte de cevada por outra fonte de carboidratos mais barata.
    Agora pense na quantidade de cerveja que você já tomou e na quantidade de milho que ela continha, principalmente a partir de 16 de maio de 2007.
    Foi nessa data que a CNTBio inaugurou a liberação da comercialização do milho transgênico no Brasil. Hoje já temos 18 espécies desses milhos mutantes produzidos por Monsanto, Syngenta, Basf, Bayer, Dow Agrosciences e Dupont, cujo faturamento somado é maior que o PIB de países como Chile, Portugal e Irlanda.
    Tudo bem, mas e daí?
    E daí que ainda não há estudos que assegurem que esse milho criado em laboratório seja saudável para o consumo humano e para o equilíbrio do meio ambiente. Aliás, no ano passado um grupo de cientistas independentes liderados pelo professor de biologia molecular da Universidade de Caen, Gilles-Éric Séralini, balançou os lobistas dessas multinacionais com o teste do milho transgênico NK603 em ratos: se fossem alimentados com esse milho em um período maior que três meses, tumores cancerígenos horrendos surgiam rapidamente nas pobres cobaias. O pior é que o poder dessas multinacionais é tão grande, que o estudo foi desclassificado pela editora da revista por pressões de um novo diretor editorial, que tinha a Monsanto como seu empregador anterior.
    Além disso, há um movimento mundial contra os transgênicos e o Brasil é um de seus maiores alvos. Não é para menos, nós somos o segundo maior produtor de transgênicos do mundo, mais da metade do território brasileiro destinado à agricultura é ocupada por essa controversa tecnologia. Na safra de 2013 do total de milho produzido no país, 89,9% era transgênico. (Todos esses dados são divulgados pelas próprias empresas para mostrar como o seu negócio está crescendo)
    Enquanto isso as cervejarias vão “adequando seu produto ao paladar do brasileiro” pedindo para bebermos a cerveja somente quando um desenho impresso na latinha estiver colorido, disfarçando a baixa qualidade que, segundo elas, nós exigimos. O que seria isso se não adaptar o nosso paladar à presença crescente do milho?
    Da próxima vez que você tomar uma cervejinha e passar o dia seguinte reinando no banheiro, já tem mais uma justificativa: “foi o milho”.
    Dá um frio na barriga, não? Pois então tente questionar a Ambev, quem sabe eles não estão usando os 10,1% de milho não transgênico? O atendimento do SAC pode ser mais atencioso do que a informação do rótulo, que se resume a dizer: “ingredientes: água, cereais não maltados, lúpulo e antioxidante INS 316.”
    Vai uma, bem gelada?
    Ana Paula Bortoletto é nutricionista e doutora em nutrição em saúde pública. Flavio Siqueira Júnior é advogado e ativista de direitos humanos.
    ** Publicado originalmente no site Outras Palavras.
    (Outras Palavras) 
    FONTE: Envolverde

    Mafalda