28 de dezembro de 2013

“- Que é tão ruim, Jeannie?

- A Terra. Poluição, violência, ar envenenado, água envenenada, comida envenenada, o ódio, a impotência, tudo. A única coisa bonita na terra são os animais, e já estão sendo dizimados, cedo estarão extintos, com exceção dos cavalos e ratos de estimação. É tão triste, não admira que você beba tanto.

- É, Jeannie. E não esqueça o arsenal atômico.

- É, parece que vocês cavaram um buraco bem fundo.

- Sim, a gente pode acabar em dois dias, ou durar ainda dois mil anos. Não sabemos qual das duas hipóteses, e por isso é difícil pra muita gente se interessar por alguma coisa.

- Vou sentir sua falta, Belane, e dos animais...”

(Pulp)


Charles Bukowski 

China

Beijing, China – A China aboliu hoje (28) formalmente os campos de “reeducação através do trabalho” e aprovou maior flexibilidade à política de filho único, informou a imprensa estatal.
As decisões, que já eram conhecidas, foram formalmente tomadas pelo Comitê Permanente do Congresso Nacional Popular no final de uma reunião de seis dias, de acordo com a agência estatal Xinhua.
A decisão de encerrar os campos de reeducação – criados há mais de meio século – põe fim a uma série de críticas de grupos de direitos humanos e que, agora, as autoridades admitem não serem mais viáveis.
A reeducação através do trabalho, introduzida em 1957, era uma forma de lidar com os pequenos delitos. No entanto, o sistema, que permite à polícia aplicar penas de até quatro anos sem julgamento, acabou subvertido e repleto de abusos. De acordo com a imprensa nacional chinesa, o desenvolvimento do sistema legal do país torna os campos “supérfluos” e a sua “missão histórica” chegou ao fim.
O Comitê Permanente do Parlamento de Pequim também aprovou um projeto para relaxar a política de um filho único, que deverá entrar em vigor em março. Essa nova regulação autoriza casais em que um dos membros não tenha irmãos a terem um segundo filho. Até agora, essa opção só estava disponível a casais de dois filhos únicos.
Adotada na década de 1970 para conter o crescimento da população chinesa, que hoje supera 1,36 bilhão de habitantes, a política do filho único oferecia a possibilidade de um segundo filho apenas aos casais de zonas rurais cujo primeiro filho fosse mulher.
Sun Shichao, membro do Comitê Permanente do Congresso Popular Municipal de Pequim, disse à agência Xinhua que essa nova política aumentará a taxa de nascimentos na capital e, por sua vez, afetará os serviços públicos e outros aspectos da sociedade e a economia. A nova lei deve entrar em vigor no primeiro trimestre de 2014.
* Com informações da Agência Lusa e da Prensa Latina
FONTE: Portal Bei
A China ainda tem muito o que desenvolver em termos de Direitos Humanos, principalmente no que se fala em Trabalho.

Coração

"Quando você se cura, nada pode feri-lo. Quando você não guarda nada mais em seu coração, você pode ter o poder do amor dentro de você. Deus torna responsáveis aqueles que são leves. Todos confiam naqueles que permanecem tutores altruístas. Mais responsabilidades são dadas a eles e isso os torna verdadeiramente dignos. Eles recebem cooperação de todos porque fazem tudo com um coração amoroso."
Brahma Kumaris

27 de dezembro de 2013

A dura vida dos ateus em um Brasil cada vez mais evangélico

A parábola do taxista e a intolerância. Reflexão a partir de uma conversa no trânsito de São Paulo. A expansão da fé evangélica está mudando “o homem cordial”?


Por Eliane Brum, Revista Época


O diálogo aconteceu entre uma jornalista e um taxista na última sexta-feira. Ela entrou no táxi do ponto do Shopping Villa Lobos, em São Paulo, por volta das 19h30. Como estava escuro demais para ler o jornal, como ela sempre faz, puxou conversa com o motorista de táxi, como ela nunca faz. Falaram do trânsito (inevitável em São Paulo) que, naquela sexta-feira chuvosa e às vésperas de um feriadão, contra todos os prognósticos, estava bom. Depois, outro taxista emparelhou o carro na Pedroso de Moraes para pedir um “Bom Ar” emprestado ao colega, porque tinha carregado um passageiro “com cheiro de jaula”. Continuaram, e ela comentou que trabalharia no feriado. Ele perguntou o que ela fazia. “Sou jornalista”, ela disse. E ele: “Eu quero muito melhorar o meu português. Estudei, mas escrevo tudo errado”. Ele era jovem, menos de 30 anos. “O melhor jeito de melhorar o português é lendo”, ela sugeriu. “Eu estou lendo mais agora, já li quatro livros neste ano. Para quem não lia nada...”, ele contou. “O importante é ler o que você gosta”, ela estimulou. “O que eu quero agora é ler a Bíblia”. Foi neste ponto que o diálogo conquistou o direito a seguir com travessões.
- Você é evangélico? – ela perguntou.
 - Sou! – ele respondeu, animado.
 - De que igreja?
 - Tenho ido na Novidade de Vida. Mas já fui na Bola de Neve.
- Da Novidade de Vida eu nunca tinha ouvido falar, mas já li matérias sobre a Bola de Neve. É bacana a Novidade de Vida?
- Tou gostando muito. A Bola de Neve também é bem legal. De vez em quando eu vou lá.
- Legal.
- De que religião você é?
- Eu não tenho religião. Sou ateia.
- Deus me livre! Vai lá na Bola de Neve.
- Não, eu não sou religiosa. Sou ateia.
- Deus me livre!
- Engraçado isso. Eu respeito a sua escolha, mas você não respeita a minha.
- (riso nervoso).
- Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?
- Por que as boas ações não salvam.
- Não?
- Só Jesus salva. Se você não aceitar Jesus, não será salva.
- Mas eu não quero ser salva.
- Deus me livre!
- Eu não acredito em salvação. Acredito em viver cada dia da melhor forma possível.
- Acho que você é espírita.
- Não, já disse a você. Sou ateia.
- É que Jesus não te pegou ainda. Mas ele vai pegar.
- Olha, sinceramente, acho difícil que Jesus vá me pegar. Mas sabe o que eu acho curioso? Que eu não queira tirar a sua fé, mas você queira tirar a minha não fé. Eu não acho que você seja pior do que eu por ser evangélico, mas você parece achar que é melhor do que eu porque é evangélico. Não era Jesus que pregava a tolerância?
- É, talvez seja melhor a gente mudar de assunto...

Eliane Brum. Jornalista, escritora e
documentarista. Ganhou mais
de 40 prêmios nacionais e
internacionais de reportagem.
É autora de um romance -
Uma Duas (LeYa) - e de três
livros de reportagem: Coluna
Prestes – O Avesso da Lenda
(Artes e Ofícios), A Vida Que
Ninguém Vê
 (Arquipélago
Editorial, Prêmio Jabuti 2007)
e O Olho da Rua (Globo).
E codiretora de dois
documentários: Uma História
Severina e Gretchen Filme
Estrada.
O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem. Era tranquila, doce e divertida. Mas ele fora doutrinado para acreditar que um ateu é uma espécie de Satanás. Como resolver esse impasse? (Talvez ele tenha lembrado, naquele momento, que o pastor avisara que o diabo assumia formas muito sedutoras para roubar a alma dos crentes. Mas, como não dá para ler pensamentos, só é possível afirmar que o taxista parecia viver um embate interno: ele não conseguia se convencer de que a mulher que agora falava sobre o cartão do banco que tinha perdido era a personificação do mal.)

Chegaram ao destino depois de mais algumas conversas corriqueiras. Ao se despedir, ela agradeceu a corrida e desejou a ele um bom fim de semana e uma boa noite. Ele retribuiu. E então, não conseguiu conter-se:

- Veja se aparece lá na igreja! – gritou, quando ela abria a porta.
- Veja se vira ateu! – ela retribuiu, bem humorada, antes de fechá-la.
Ainda deu tempo de ouvir uma risada nervosa.  

A parábola do taxista me faz pensar em como a vida dos ateus poderá ser dura num Brasil cada vez mais evangélico – ou cada vez mais neopentecostal, já que é esta a característica das igrejas evangélicas que mais crescem. O catolicismo – no mundo contemporâneo, bem sublinhado – mantém uma relação de tolerância com o ateísmo. Por várias razões. Entre elas, a de que é possível ser católico – e não praticante. O fato de você não frequentar a igreja nem pagar o dízimo não chama maior atenção no Brasil católico nem condena ninguém ao inferno. Outra razão importante é que o catolicismo está disseminado na cultura, entrelaçado a uma forma de ver o mundo que influencia inclusive os ateus. Ser ateu num país de maioria católica nunca ameaçou a convivência entre os vizinhos. Ou entre taxistas e passageiros.

Já com os evangélicos neopentecostais, caso das inúmeras igrejas que se multiplicam com nomes cada vez mais imaginativos pelas esquinas das grandes e das pequenas cidades, pelos sertões e pela floresta amazônica, o caso é diferente. E não faço aqui nenhum juízo de valor sobre a fé católica ou a dos neopentecostais. Cada um tem o direito de professar a fé que quiser – assim como a sua não fé. Meu interesse é tentar compreender como essa porção cada vez mais numerosa do país está mudando o modo de ver o mundo e o modo de se relacionar com a cultura. Está mudando a forma de ser brasileiro.

Por que os ateus são uma ameaça às novas denominações evangélicas? Porque as neopentecostais – e não falo aqui nenhuma novidade – são constituídas no modo capitalista. Regidas, portanto, pelas leis de mercado. Por isso, nessas novas igrejas, não há como ser um evangélico não praticante. É possível, como o taxista exemplifica muito bem, pular de uma para outra, como um consumidor diante de vitrines que tentam seduzi-lo a entrar na loja pelo brilho de suas ofertas. Essa dificuldade de “fidelizar um fiel”, ao gerir a igreja como um modelo de negócio, obriga as neopentecostais a uma disputa de mercado cada vez mais agressiva e também a buscar fatias ainda inexploradas. É preciso que os fiéis estejam dentro das igrejas – e elas estão sempre de portas abertas – para consumir um dos muitos produtos milagrosos ou para serem consumidos por doações em dinheiro ou em espécie. O templo é um shopping da fé, com as vantagens e as desvantagens que isso implica.

É também por essa razão que a Igreja Católica, que em períodos de sua longa história atraiu fiéis com ossos de santos e passes para o céu, vive hoje o dilema de ser ameaçada pela vulgaridade das relações capitalistas numa fé de mercado. Dilema que procura resolver de uma maneira bastante inteligente, ao manter a salvo a tradição que tem lhe garantido poder e influência há dois mil anos, mas ao mesmo tempo estimular sua versão de mercado, encarnada pelos carismáticos. Como uma espécie de vanguarda, que contém o avanço das tropas “inimigas” lá na frente sem comprometer a integridade do exército que se mantém mais atrás, padres pop star como Marcelo Rossi e movimentos como a Canção Nova têm sido estratégicos para reduzir a sangria de fiéis para as neopentecostais. Não fosse esse tipo de abordagem mais agressiva e possivelmente já existiria uma porção ainda maior de evangélicos no país.

Tudo indica que a parábola do taxista se tornará cada vez mais frequente nas ruas do Brasil – em novas e ferozes versões. Afinal, não há nada mais ameaçador para o mercado do que quem está fora do mercado por convicção. E quem está fora do mercado da fé? Os ateus. É possível convencer um católico, um espírita ou um umbandista a mudar de religião. Mas é bem mais difícil – quando não impossível – converter um ateu. Para quem não acredita na existência de Deus, qualquer produto religioso, seja ele material, como um travesseiro que cura doenças, ou subjetivo, como o conforto da vida eterna, não tem qualquer apelo. Seria como vender gelo para um esquimó.

Tenho muitos amigos ateus. E eles me contam que têm evitado se apresentar dessa maneira porque a reação é cada vez mais hostil. Por enquanto, a reação é como a do taxista: “Deus me livre!”. Mas percebem que o cerco se aperta e, a qualquer momento, temem que alguém possa empunhar um punhado de dentes de alho diante deles ou iniciar um exorcismo ali mesmo, no sinal fechado ou na padaria da esquina. Acuados, têm preferido declarar-se “agnósticos”. Com sorte, parte dos crentes pode ficar em dúvida e pensar que é alguma igreja nova.

Já conhecia a “Bola de Neve” (ou “Bola de Neve Church, para os íntimos”, como diz o seu site), mas nunca tinha ouvido falar da “Novidade de Vida”. Busquei o site da igreja na internet. Na página de abertura, me deparei com uma preleção intitulada: “O perigo da tolerância”. O texto fala sobre as famílias, afirma que Deus não é tolerante e incita os fiéis a não tolerar o que não venha de Deus. Tolerar “coisas erradas” é o mesmo que “criar demônios de estimação”. Entre as muitas frases exemplares, uma se destaca: “Hoje em dia, o mal da sociedade tem sido a Tolerância (em negrito e em maiúscula)”. Deus me livre!, um ateu talvez tenha vontade de dizer. Mas nem esse conforto lhe resta.

Ainda que o crescimento evangélico no Brasil venha sendo investigado tanto pela academia como pelo jornalismo, é pouco para a profundidade das mudanças que tem trazido à vida cotidiana do país. As transformações no modo de ser brasileiro talvez sejam maiores do que possa parecer à primeira vista. Talvez estejam alterando o “homem cordial” – não no sentido estrito conferido por Sérgio Buarque de Holanda, mas no sentido atribuído pelo senso comum.

Me arriscaria a dizer que a liberdade de credo – e, portanto, também de não credo – determinada pela Constituição está sendo solapada na prática do dia a dia. Não deixa de ser curioso que, no século XXI, ser ateu volte a ter um conteúdo revolucionário. Mas, depois que Sarah Sheeva, uma das filhas de Pepeu Gomes e Baby do Brasil, passou a pastorear mulheres virgens – ou com vontade de voltar a ser – em busca de príncipes encantados, na “Igreja Celular Internacional”, nada mais me surpreende.

FONTE: Folha Social

25 de dezembro de 2013

Relacionamentos

"Para criar bons relacionamentos:
(1) Com sua mente, pense sobre o que você pode aprender com os outros;
(2) Com seus olhos, olhe para as boas qualidades dos outros;
(3) Com suas palavras, reconheça, valorize e aprecie as realizações dos outros;
(4) Com suas ações, coopere e faça algo para os outros."
Brahma Kumaris

Observação desapegada

"O desapego é a base para sermos positivos e atenciosos com os outros. Na observação desapegada há duas dimensões: interna e externa. No aspecto interno, é a capacidade de nos separarmos dos nossos próprios pensamentos, emoções, atitudes e comportamento. No plano externo, é a arte de sermos testemunhas das cenas que acontecem ao nosso redor. Quando observamos como o jogo se desenrola, sem estarmos tão envolvidos, somos capazes de ver a cena completa com maior clareza. Assim fica mais fácil ver qual o papel que devemos desempenhar e onde reside a nossa contribuição. A observação desapegada é o primeiro passo para o fortalecimento pessoal."
Brahma Kumaris

Sabedoria


"A sabedoria mostra que a vida não funciona ao acaso. Ela ensina que tudo o que acontece neste teatro da vida tem um significado profundo. A sabedoria também revela que a colheita de hoje é resultado do que foi semeado ontem. Quando existe o desejo de colher melhores frutos, qualquer ato é preenchido de positividade e beleza. Quando eu tenho esse entendimento eu fico satisfeito e contente com tudo que está acontecendo na minha vida"
Brahma Kumaris

Ser livre

"Uma pessoa livre é aquela que reconhece, cuida, alimenta, usa e expressa seu potencial. É um ser desperto que decidiu parar de culpar, reclamar e dar desculpas. Que assumiu sua responsabilidade e tem uma atitude de gratidão a cada momento. É um ser relaxado, mas que não fica confortável na zona de conforto. Sua energia é cheia de amor, coragem e determinação. É uma energia concentrada que rege sua mente e emoções, não se distrai com o que é sem importância, não perde de vista o que é importante. Seu poder vem de saber que nada ou ninguém pode impedí-la de ser livre e expressar todo o seu potencial".
Brahma Kumaris

Aceitação

"Hoje eu só verei a bondade e a virtude de todos à minha volta. Quando vejo e aprecio as especialidades nos outros, torna-se fácil e natural ver e apreciar minhas próprias especialidades. Isto me torna uma pessoa fácil e leve. Às vezes eu posso achar difícil ou literalmente impossível ver as especialidades em algumas pessoas. Isto acontece porque temos o hábito de julgar e rotular. Ao julgar, deixamos de aceitar e amar. Aceitação é a chave para encontrar especialidades nos outros e em mim."
Brahma Kumaris

O perigo das sementes

O relato a seguir é verídico e foi  adaptado apenas para fins literários.
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Tudo começou com uma ideia que parecia inofensiva: A partir daquele dia, na pequena hortinha no fundo do quintal, eu deixaria as hortaliças completarem seu ciclo de vida. Em outras palavras, deixaria elas produzirem sementes. Esperava assim não precisar comprar mudas ou sementes com tanta frequência.
Eu não fazia ideia do que aconteceria depois disso.
No início fiquei fascinado, descobri flores que eu jamais tinha imaginado existirem, entrei em extase quando vi desabrochar a primeira flor da chicória, de um lilás exuberante ela passou a enfeitar a minha horta. As primeiras sementes vieram, amadureceram, foram colhidas e semeadas.
Ah se eu soubesse…
Tudo parecia bem, as mudinhas cresceram como esperado mas algo que eu não tinha previsto começou a acontecer: nem todas as sementes foram colhidas, algumas simplesmente se espalharam desordenadamente pela horta, caíram em canteiros que não lhes tinham sido destinados e foram levadas por pássaros para lugares ainda mais indevidos.
Acabei ficando com dó de arrancar as plantas, não achei que as consequências seriam tão grandes.
Com o passar dos meses fui perdendo o controle, a horta ficou bagunçada. Alface nascia do lado  do tomate, as cenouras brotavam por toda parte, framboesas e physalis cresciam ao pé de outras árvores e os canteiros de flores da minha mãe agora estavam infestados de comida.
Talvez eu devesse ter parado mas acabei me acostumando com a ideia e deixei a natureza seguir o seu curso.
Com o tempo não era mais apenas a bagunça, eu tinha um outro problema, a horta tinha se alastrado por todo o pátio. O pátio até que ficou bonito, começou a chamar a atenção, e para não fazer feio começamos a caprichar cada vez mais, eu não poderia admitir pros vizinhos que eu não estava no controle, comecei então, eu mesmo, a fazer canteiros.
Mais um problema. A produção ficou grande demais, e como todo mundo sabe, é pecado jogar comida fora. A solução, ou assim eu pensava, foi dar o excedente aos vizinhos. Ruibarbo para um, espinafre para o outro e em pouco tempo eu tinha as crianças dos vizinhos grudados na cerca pedindo morangos. Dias depois observei uma dessas crianças andar de um lado para o outro com uma enxada na mão, achando que aquilo era algo a ser copiado.
E não foi só isso, os vizinhos não entenderam nada. Ao invés de perceber que eu estava tentando me livrar das sobras eles ficaram felizes, vinham para a cerca conversar e insistiam em retribuír. Quando não era um convite para o café, um pacote de biscoito caseiro ou um pedaço de torta das frutas da minha horta, era um casaco que tava sobrando ou alguma outra coisa que eu talvez pudesse usar.
Para me livrar das folhas que já não serviam para consumo eu jogava elas por cima da cerca para as galinhas de um dos vizinhos. Em pouco tempo começaram a chegar os ovos para retribuir.
Um amigo resolveu agradecer doando esterco das suas vacas. Ovos valem mais do que restos de folhas, esterco mais do que as poucas verduras, logo, eu tenho que dar mais verduras, mas e depois? Ganho mais esterco, minha horta produz mais e eu tenho que achar outra pessoa para quem dar mais hortaliças.
Entrei em um ciclo vicioso. Cada vez mais comida, cada vez mais sorrisos, mais conversas e mais sementes. Já não preciso mais ir ao mercado comprar hortaliças, faz anos que eu ganho tanta roupa que não posso mais ir ao shoping comprar minhas próprias, passo tanto tempo na horta que mal sobra tempo para a internet, nem lembro quando foi a última vez que eu assisti televisão.
Sinto que eu estou perdendo o controle das coisas.

24 de dezembro de 2013

A responsabilidade pós-consumo e sua importância para o gerenciamento de resíduos

Implementada em vários lugares do mundo, a responsabilidade pós-consumo coloca a responsabilidade pelo descarte adequado de produtos aos fabricantes ou importadores. Depois que o cliente fizer uso do material a própria indústria fabricante assume o planejamento e os custos de seu recolhimento.

Este tipo de ação está ligado ao conceito de política reversa, na qual o objetivo principal é que materiais nocivos ao meio ambiente não sejam encaminhados a locais sem o devido tratamento, servindo de matéria-prima para reciclagens. Em diversos países esta prática já é lei, como no Japão, onde produtos eletrônicos usados seguem para o centro de reutilização, prevenindo o descarte no lixo comum.

Apesar de gerar custos operacionais elevados às empresas, a responsabilidade pós-consumo libera o repasse destes custos para o produto novo. Deste modo, o consumidor paga pelo material e pelo futuro descarte adequado.

Os principais objetivos da iniciativa são: a reciclagem, recuperação ou eliminação de materiais de maneira ecologicamente correta; a sensibilização do consumidor, fazendo com que participe de políticas voltadas para a seleção de resíduos sólidos e seu descarte de maneira ambiental; o incentivo aos fabricantes, importadores e revendedores referente à reciclagem.

A expansão da responsabilidade pós-consumo se deve muito a dificuldade que governos de todo o mundo estão tendo em relação ao gerenciamento de resíduos. As consequências do descarte incorreto levam a vários problemas ambientais e urbanos, como a poluição hídrica e do solo, a proliferação de vetores de doenças, além da emissão de gases tóxicos.

No Brasil a situação é muito desfavorável. Diariamente são produzidos 240 mil toneladas de lixo, apesar de 45% dos resíduos sólidos serem recicláveis, apenas 2% é destinado a instalações de reutilização e reciclagem.


23 de dezembro de 2013

Feliz Natal


Aposentado constrói casa sustentável com menos de R$ 600,00

O professor aposentado Michael Buck juntou diversos materiais reciclados para erguer sua própria casa, uma pequena toca segura e confortável na cidade de Oxfordshire, na Inglaterra. Na construção, o professor gastou apenas 150 libras (o equivalente a 575 reais), apostando seu tempo livre e sua criatividade para erguer a nova residência, localizada em meio a uma área verde do município britânico.
Buck tinha 59 anos quando deu início à construção, baseada numa técnica milenar denominada COB, que utiliza apenas terra, areia e palha para erguer as estruturas. Mesmo com a simplicidade dos materiais, as construções baseadas na antiga técnica são resistentes ao fogo e aos abalos sísmicos. Segundo informou o Catraca Livre, um dos objetivos do britânico era mostrar para as pessoas que, para ter uma moradia, não é necessário gastar muito dinheiro e nem prejudicar o meio ambiente.
Antes de colocar a mão na massa para erguer a estrutura, o professor passou cerca de dois anos coletando resíduos possíveis de serem reaproveitados. Na lista de materiais, constam ripas de madeira, pedaços de ferro, vidros retirados da janela de um caminhão velho e o assoalho de um barco abandonado no quintal de seu vizinho.
Na casinha de Buck, as refeições são preparadas num fogão a lenha, que também serve de aquecedor para os ambientes durante os dias mais frios. Um rio que corre nas proximidades da residência fornece a água utilizada na casa, por meio de um sistema de encanamento convencional. Outro exemplo de arquitetura de baixos custos e com reaproveitamento de materiais é um centro comunitário autossustentável construído com garrafas plásticas, pneus e outros resíduos sólidos, que irá atender à população do Malawi, na África.

FONTE: Ciclo Vivo

22 de dezembro de 2013

19 de dezembro de 2013

Espírito natalino e consumismo exacerbado

Por  

O espírito natalino desnuda a realidade mais cruel do modelo no qual estamos sendo conduzidos.

Não basta só o consumo. É necessário o consumismo exacerbado.


A chegada do mês de dezembro reproduz a cada ano cenas que poderiam ser consideradas completamente irracionais por algum alienígena que se aproximasse de nosso País. Estamos em pleno final de ano, auge do verão aqui no hemisfério sul, com temperaturas bastante elevadas. No entanto, os ambientes todos estão tomados por indivíduos fantasiados com roupas pesadas e quentes, imitando a figura emblemática e mitológica do Papai Noel. A tentativa é de reproduzir o contexto da Lapônia, uma província da Finlândia, onde as temperaturas podem atingir mínimas de -20° C nessa época do ano.


Vem daí então o imaginário da neve, do pinheirinho, do trenó com as renas e tudo o mais que cerca o ambiente de Natal. Estranho sincretismo esse que conseguiu unir as tradições bíblicas que envolvem o nascimento de Jesus às estórias fantásticas do velhinho barbudo do norte europeu em um território equatorial e do outro lado do Oceano Atlântico. A tradição dos presentes - que remonta, na verdade, à chegada dos reis magos no dia 6 de janeiro - foi sendo aos poucos substituída pela pressão social em torno da oferta dos presentes no próprio dia do nascimento do menino Jesus.
Consumir, consumir, consumir e oferecer

Assim, o espírito natalino se converteu à sanha das compras e das aquisições. Festejar o Natal passou a ser sinônimo de desejo de consumo, impulso expresso por todos - desde as crianças até os adultos de todas as idades e gerações. As cartas ingênuas à entidade desconhecida de barriga grande e barbas brancas, as trocas de presentes no ambiente de trabalho, as festas familiares com as encomendas acertadas previamente ou sob efeito surpresa do amigo-secreto. Pouco importa a forma, uma vez que o essencial é um elemento apriorístico: o consumo.

É importante reconhecer que a realidade brasileira é pródiga na criação e na ampla aceitação social de datas “comemorativas”, onde o foco é sempre o presentear outrem por meio de compras. Apesar de o Natal ocupar, de longe, o primeiro lugar em importância e em faturamento, na seqüência surgem outros momentos que são utilizados para que a indústria e o comércio esquentem seus motores ao longo do ano. É o caso do Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia das Crianças e Dia dos Pais, para citar alguns exemplos. Para além das questões de natureza cultural e de sociabilização, a grande marca deixada pelas organizações que constituem a nossa formação capitalista relaciona-se ao verbo comprar. Ou seja, transformar esse misto de desejo e de imposição social em circulação de mercadoria, em movimentação acelerada de valores de troca e de valores de uso.

Nesse aspecto, ganha relevância o papel desempenhado pelas estruturas de propaganda e marketing. Trata-se da criação de necessidades sociais e culturais de forma artificial e exógena, em processos onde os indivíduos se sintam motivados a desenvolver determinadas ações ou a adotar certos comportamentos em nome de uma espécie de “unanimidade construída”. O verdadeiro bombardeio a que estamos todos submetidos por várias semanas antes mesmo da data da ceia tem uma mensagem muito clara. Natal feliz é Natal com presente. Quem não recebe nada comprado na data deve se sentir menosprezado ou desprezado por aqueles que o cerca. Quem se atreve a não comprar presentes para oferecer não merece o carinho nem o bem querer de seus pares. A comemoração é fortemente carregada do elemento simbólico: o querer é avaliado a partir da quantidade, da exuberância e dos preços.

A criação das necessidades e a generalização das compras

Vale recordar, por outro lado, a importância adquirida por uma forma muito especial, em meio à multiplicidade de estratégias mercadológicas: a publicidade dirigida ao público infantil. Apesar da festa não ser dirigida apenas às crianças, o foco recai sobre essa parcela expressiva da população, que termina por exercer influência significativa sobre as decisões das famílias no período. Ainda que os espaços de tangência entre a ética e a legalidade estejam presentes em todo o tipo de propaganda, no caso específico do universo infantil a situação é ainda mais escabrosa. São pessoas ainda em processo de formação e amadurecimento, sem quase nenhuma capacidade de discernimento entre o necessário e o supérfluo, entre o real e a fantasia, com pouca referência a respeito de preços e capacidade de aquisição. Ou seja, é o caso típico de atividade que deve ser proibida por lei - em razão de seus reconhecidos efeitos nocivos para o conjunto da sociedade – e não ser liberada em nome da liberdade do mercado e da possibilidade de amplo de acesso à informação.

O padrão civilizatório hegemônico nos tempos atuais determina que a conquista da felicidade e a vigência do bem estar estão intimamente associados à capacidade do indivíduo ter e comprar. A posse dos bens é elemento sempre martelado pelos meios de comunicação, a todo momento associada à imagem da pujança, da beleza e do amor. Quem tem, pode. Quem tem mais, pode mais. Quem tem mais caro, pode ainda muito mais. Ocorre que na sociedade capitalista, a tendência é a da generalização das relações mercantis. Assim, via de regra, para se ter algo é necessário processar o ato da compra. A relação de troca se realiza por meio do equivalente geral, o dinheiro. E para os que ainda não reúnem as condições de recursos para a compra do presente desejado, o sistema oferece o instrumento mágico que permite a antecipação do consumo: o crédito.

A intermediação da esfera financeira ajuda a completar o ciclo da realização do capital, com a garantia de que o consumo se efetive mesmo na ausência dos recursos monetários no momento da aquisição do bem. Isso porque o modelo envolvido na dinâmica do capitalismo pressupõe a produção e a venda das mercadorias de forma contínua, sempre em escala crescente, para promover a acumulação concentrada de riqueza.

Esmagamento do espaço para práticas de sustentabilidade

De forma geral, a lógica que orienta a ação da empresa privada é a da maximização do lucro no curto prazo, sem nenhuma perspectiva de médio e longo prazo. No jogo pesado das disputas por novas fatias de mercado não existe muito espaço para a noção da sustentabilidade. Pouco importa se ela se refere ao aspecto econômico, ao elemento social ou à sua dimensão ambiental. Assim, o que interessa na “racionalidade” inerente ao processo de acumulação de capital é o crescimento do consumo em toda e qualquer escala. Portanto, a mudança comportamental envolvendo inovações como “consumo consciente” ou “processos sustentáveis” só se viabilizam com a entrada em cena das políticas públicas, proibindo determinadas ações ou estimulando outras alternativas. A lógica pura do capital, atuando com plena liberdade, combina uma dialética de criação e destruição em sua própria essência.

Assim, o que todos verificamos à nossa volta com a aproximação do espírito natalino é a cristalização mais evidente da forma de funcionamento da economia capitalista. Nas sociedades hegemonizadas pelo padrão civilizatório do mundo ocidental, o mês de dezembro radicaliza e potencializa o comportamento social que assegura a reprodução ampliada dessa forma particular de organização social e econômica. Não basta um Natal que seja marcado apenas pelo espírito da solidariedade e pelo sentimento da fraternidade. O período das festas deve ser o momento do consumo, por excelência.

Os ingredientes que contribuem para manter esse gigante em movimento são introduzidos de forma crescente ao longo do processo. Isso significa a incorporação crescente de bilhões de novos agentes no mercado consumidor e a generalização do acesso às compras em escala global. Além disso, torna-se necessário avançar bastante nos processos envolvendo a chamada “obsolescência programada”, de forma a garantir a continuidade do ciclo de consumo por meio da redução da vida útil dos produtos. A propaganda também joga um papel essencial, ao incutir nos indivíduos valores e desejos que estão muito distantes das necessidades, digamos, mais reais e concretas.

Em suma, não é mais suficiente que as pessoas exerçam sua função de compradores finais de bens e serviços. O espírito natalino desnuda a realidade mais cruel do modelo no qual estamos sendo conduzidos. Não basta apenas o consumo. Faz-se necessário o consumismo exacerbado.

(*) Economista e militante por um mundo mais justo em termos sociais e econômicos.

16 de dezembro de 2013

Legalize

Por Marcos Rolim

Em políticas públicas, é preciso se orientar por resultados.
Boas intenções não são suficientes e, não raro, costumam encobrir incompetência e demagogia. No Brasil, entretanto, sustentamos políticas com base no senso comum e em ideologias. Ao invés de evidências, preferimos o discurso; ao invés de referências científicas, o moralismo, o que se traduz por ineficiência, desperdício de recursos e sofrimento. No caso das drogas, há quem se horrorize diante da regulação da produção, venda e consumo de maconha no Uruguai. Para estes, o Brasil é que está certo, devendo persistir no caminho do proibicionismo. Será? Alguém pode apontar um resultado positivo dos 40 anos de guerra contra as drogas em todo o mundo? Depois da fortuna investida na repressão e do aumento exponencial das populações carcerárias, há notícia de redução do consumo? Por acaso o tráfico de drogas foi enfraquecido?  Ou, pelo contrário, fortaleceu-se a ponto de construir poder paralelo, assumir controles territoriais e se infiltrar no Estado?
A mais conhecida experiência do proibicionismo foi a “Lei Seca” nos EUA, quando a produção e a venda de bebidas alcoólicas foram criminalizadas. O resultado foi um desastre: 30 mil mortos e 100 mil vítimas de cegueira e paralisia por efeito da adulteração de bebidas; aumento de 78% das taxas de homicídio, superlotação carcerária, corrupção de policiais, políticos e juízes e estruturação da máfia. Boas intenções, péssimos resultados. O abuso no consumo de bebidas alcoólicas é um grave problema em todo o mundo, com 2,5 milhões de mortes a cada ano. No entanto, não proibimos o álcool, porque os resultados seriam muito piores que o consumo regulado. Vale o mesmo para o tabaco, cujo consumo responde por 5 milhões de mortes anuais. Aliás, no que se refere ao tabagismo, temos tido extraordinário êxito na redução do número de fumantes, sem qualquer contribuição do direito penal. Terminamos com a propaganda, regulamos o consumo e investimos na prevenção com grande sucesso. Por que não proceder assim com relação à maconha? Se 180 milhões de pessoas consomem maconha no mundo (8 milhões apenas no Brasil), independentemente da proibição, não seria preferível que a comprassem em farmácias? Faz diferença ou não comprar cannabis com menor concentração de canabinoides e THC e sem o risco da mistura feita por traficantes com crack? Faz diferença reduzir o maior mercado do tráfico, diminuindo a população carcerária e as generosas possibilidades de corrupção? Faz diferença acabar com o estigma sobre os que fazem uso eventual e recreativo de cannabis e aproximar os usuários problemáticos do sistema de saúde? Cada vez mais, a resposta parece ser sim, inclusive nos EUA, onde 18 estados já permitem o uso medicinal da maconha e onde se admite crescentemente, assim como em muitas outras democracias, o porte de pequenas quantidades para uso pessoal. Uma tendência que irá demorar a ser reconhecida por aqui. Entre outros motivos, porque, nesse tema, como em muitos outros, o Brasil segue aplicando uma política de ampliação dos danos e apostando orgulhosamenteno fracasso.

13 de dezembro de 2013

Crônica: Advogar é resistir

Adede y Castro
Lá pelos idos de 1980/1981 advoguei dois anos, com muitas dificuldades financeiras, sendo permanentemente tentado a fazer certas coisas que a consciência não aprovava, mas resisti, apesar das necessidades.
Conto para meus alunos, a maior parte não acredita, é claro, que uma oportunidade chegou ao escritório uma senhora muito rica que vivia com um homem e que fez a bobagem de dar a ele uma procuração com poderes de administração e venda de bens. Enquanto o amor existia, tudo bem, mas quando o casal separou, o homem se atracou a oferecer os bens da ex-companheira.
Ela queria que eu ingressasse com uma ação para revogar a procuração. Disse-lhe, de forma honesta, que bastava voltar ao cartório onde outorgara a procuração e revoga-la! Como a solução era simples demais, ela procurou outro advogado mais experiente e este cobrou uma pequena fortuna “para entrar com uma ação de revogação” e fez exatamente o que eu recomendara: foi ao cartório e mediante o pagamento de uma taxa insignificante fez um termo de revogação.
Claro que o colega não disse isto à cliente. Ao contrário, disse-lhe que o Adede era muito inexperiente. Ele saiu por cima e eu de bobo. Este mesmo colega aproveitava toda festa de advogados para rir de mim: “Adede, as pessoas querem ser logradas!”.
Doutra feita, uma pessoa me procurou para contar que testemunhara um homicídio e alguém disse que ela seria denunciada como coautor. Liguei para a Promotoria e fui informado que isto era uma bobagem, informei ao cidadão e ele não acreditou, indo procurar o colega esperto já referido, que foi ao Foro, recebeu a mesma informação e disse-lhe:
- O Juiz estava com a caneta na mão para decretar a tua preventiva. Eu cheguei e garanti a ele, que é meu amigo, vivemos tomando uísque juntos, que tu eras inocente. Ele me disse que confiava na minha palavra e rasgou o decreto preventivo. Foi por pouco, meu amigo!
Cobrou do coitado uma chácara com 15 hectares e alguns boizinhos. Deixou-o na miséria, mas quem se importa se a pessoa quer ser enganada?
Não sou e nunca fui santo, mas há limites éticos que não podem ser rompidos, por maiores que sejam as tentações.
Resista, o tempo vai mostrar que vale a pena.


12 de dezembro de 2013

Clipe inédito com os Replicantes 30 anos!

Replicantes cantando uma versão exclusiva de “Surfista Calhorda” em doc clipe de Gustavo Spolidoro. Foto Divulgação

Saindo do forno e em primeira mão com o Portal Bei, o doc-clipe Os Replicantes em Close Up, com imagens inéditas dos 7 Replicantes juntos cantando uma versão exclusiva de “Surfista Calhorda”, durante os ensaios para o show Os Replicantes 30 Anos, que rolou no Bar Opinião, em Porto Alegre.
Uma singela homenagem à banda que embalou à base do pogo uma geração de adolescentes oitentistas! Versão gravada ao vivo em 24 de novembro deste ano.
Os Replicantes são, foram e serão: Carlos Gerbase, Cláudio Heinz, Cleber Andrade, Heron Heinz, Júlia Barth, Luciana Tomasi e Wander Wildner.
A direção, câmera e som é de Gustavo Spolidoro (que não precisa de apresentações) e a produção tem a assinatura de GusGus Cinema e Grande Plano Geral.

Assista o vídeo:


Fonte: Portal Bei

11 de dezembro de 2013

Uruguai aprova Lei da Maconha

Ideia é diminuir o tráfico. Foto: Divulgação

Ideia é diminuir o tráfico. Foto: Divulgação
Por 16 votos a favor e 13 contra, o Senado uruguaio aprovou a chamada Lei da Maconha. A partir desta quarta-feira (11), o pequeno país sul-americano será o primeiro do mundo a legalizar e regulamentar a produção, venda e o consumo da marijuana.
Antes mesmo de a votação terminar, defensores da lei marcharam até o Congresso para festejar. No Uruguai, o consumo de maconha (ou de qualquer outra droga) não é considerado crime há 40 anos, mas era proibido comprar e vender os produtos. A nova lei pretende acabar com essa contradição e buscar uma alternativa à guerra contra as drogas.
Estima-se que 28 mil uruguaios (5% da população entre 15 e 65 anos) fumam um cigarro de maconha por dia. Comparado com outros países, é um mercado pequeno – mas move US$ 40 milhões ao ano e tem crescido, apesar das políticas de combate ao narcotráfico.
O presidente do Uruguai, Jose “Pepe” Mujica, quer que o Estado regule o comércio e uso dessa droga – a quarta mais consumida no país, depois de bebidas alcoolicas, cigarros e remédios psiquiátricos. Pelo menos a metade dos uruguaios, no entanto, segundo as pesquisas de opinião, acha que a nova política não vai funcionar e que pode inclusive facilitar a vida dos narcotraficantes.
Pela nova lei – que deve levar cerca de 120 dias para ser regulamentada e colocada em prática – o governo vai distribuir licenças para o cultivo de até 40 hectares de marijuana, que será usada em pesquisas científicas, na indústria e para consumo recreativo. Os consumidores (residentes uruguaios maiores de 18 anos e devidamente registrados) terão direito a comprar até 40 gramas por mês nas farmácias, a preços inferiores aos do mercado negro. E quem quiser pode plantar até seis pés de maconha em casa – sempre e quando forem declarados.
Os críticos da lei dizem que o governo não tem como controlar o cultivo doméstico ou impedir que umconsumidor uruguaio compre a droga na farmácia para revendê-la no mercado negro. Os defensores da lei argumentam que a “guerra contra as drogas”, implementada durante as últimas décadas, fracassou no Uruguai e em outros países.
Em 2016, a Organização das Nações Unidas vai rever as políticas de combate ao narcotráfico e seus resultados. Segundo Diego Pieri, que fez campanha pela aprovação da lei uruguaia, nos últimos anos mais países e até estados norte-americanos têm buscado alternativas para regular o mercado em vez de tentar destruí-lo com armas. “Os ventos estão mudando, mas vai levar tempo convencer outros países a mudar de estratégia”, disse  Pieri, em entrevista à Agência Brasil. “Por isso mesmo, o presidente Mujica pediu apoio internacional à sua iniciativa”.
Agência Brasil
FONTE: http://extrasm.com.br/noticias/plantao/uruguai-aprova-lei-da-maconha/#sthash.QoSOIGLe.dpuf

URUGUAI legaliza e regula a maconha

Montevideo, Uruguai 
Com 16 votos favoráveis e 13 contrários, o Senado uruguaio aprovou na terça-feira, 10, o projeto de lei que torna o país a primeira nação do mundo a legalizar o cultivo e a distribuição de maconha em seu território por meio do Estado, além de regulamentar o consumo da droga, descriminar a posse, a venda e a produção da erva. Qualificada pelo presidente José Mujica como um “experimento”, a nova legislação tem o objetivo de combater o narcotráfico e foi discutida por quase 12 horas na Câmara Alta.
O chefe do Executivo uruguaio, de onde parte o proposta, tem dez dias para sancionar a lei – que, segundo analistas, demorará ao menos quatro meses para ser plenamente regulamentada.
A legislação permite que usuários de cannabis comprem até 40 gramas de maconha por mês, em farmácias, e cultivem até 6 pés da erva individualmente. Se reunidos em clubes com 15 a 45 integrantes, eles poderão cultivar até 99 plantas.
FONTE: Portal Bei

10 de dezembro de 2013

No México, bairro é construído com 50 contêineres.


Alguns designers mexicanos levaram a reciclagem para uma escala maior e criaram a Container City, na cidade de Cholula, cerca de duas horas da Cidade do México.

Cholula é a mais antiga cidade habitada no México e é muito frequentada por turistas por suas pirâmides e tesouros arqueológicos.

Gabriel Caram, designer da Universidade das Américas, no México, em 2010 criou o bairro container,baseou -se em estudos de regiões metropolitanas em desenvolvimento sustentável. Sua tentativa foi criar uma área descolada que respirasse arte, moda e gastronomia, como os bairros de Soho, em Nova York, e Palermo, na Argentina.
O distrito possui cerca de cinco mil metros quadrados e faz uso de cinquenta contêineres de metal reciclados. Eles foram colocados em diferentes posições, criando ruas, becos e vielas. A "cidade" abriga lojas hippie, livrarias, galerias de arte, bares, restaurantes, escritórios, padarias, cafés e espaços de convivência.Todos os contêineres possuem um sistema térmico para manter a temperatura ideal e isolamento acústico.


WWF APONTA CUBA COMO ÚNICO PAÍS COM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Por ANTONIO BROTO 
Cuba é o único país do mundo com desenvolvimento sustentável, segundo o relatório bienal apresentado hoje pela organização WWF em Pequim, e que afirma que o ecossistema "está se degradando a um ritmo sem precedentes na história".
De acordo com o relatório, elaborado pela WWF a cada dois anos e que foi apresentado pela primeira vez na capital chinesa, se as coisas continuarem como estão, por volta de 2050 a humanidade precisaria consumir os recursos naturais e a energia equivalente a dois planetas Terra.
É um círculo vicioso: os países pobres produzem um dano per capita à natureza muito menor, mas, à medida que vão se desenvolvendo (exemplos de China e Índia), o índice vai aumentando a níveis insustentáveis pelo planeta.
A WWF elaborou em seu relatório um gráfico no qual sobrepõe duas variáveis: o índice de desenvolvimento humano (estabelecido pela ONU) e o "rastro ecológico", que indica a energia e recursos por pessoa consumidos em cada país.
Surpreendentemente, apenas Cuba tem nos dois casos níveis suficientes que permitem que o país seja considerado que "cumpre os critérios mínimos" para a sustentabilidade.
"Não significa, certamente, que Cuba seja um país perfeito, mas é o que cumpre as condições", disse à Efe, Jonathan Loh, um dos autores do estudo.
"Cuba alcança um bom nível de desenvolvimento, segundo a ONU, graças a seu alto nível de alfabetização e expectativa de vida bastante alta, enquanto seu 'rastro ecológico' não é grande, por ser um país com baixo consumo de energia", acrescentou Loh, que apresentou o estudo em Pequim.
De fato, a região latino-americana em geral parece ser a que está mais perto da sustentabilidade, já que outros países como Brasil ou México estão perto dos mínimos necessários, frente à situação de regiões como África -- com baixo consumo energético, mas muito subdesenvolvida -- e Europa, onde ocorre o inverso.
"Não sei exatamente a que se deve este fato (a boa situação da América Latina), mas é possível perceber que é ali onde as pessoas parecem mais felizes, e talvez se deva ao maior equilíbrio entre desenvolvimento e meio ambiente", disse o autor do estudo.
Apesar das boas vibrações transmitidas pelo bloco latino, a situação global mostrada pelo relatório da WWF é desanimadora. Por exemplo, o número de espécies de animais vertebrados caiu 30% nos últimos 33 anos.
O rastro deixado pelo homem é tamanho que "são consumidos recursos em tempo muito rápido, que impede a Terra de recuperá-los", disse o diretor-geral da WWF, James Leape, que também participou da apresentação do relatório em Pequim.
O "rastro ecológico" do homem, seu consumo de recursos, triplicou segundo a WWF entre 1961 e 2003, por isso o ser humano já pressiona o planeta 25% a mais do que o processo regenerativo natural da Terra pode suportar.
Além disso, há uma piora da situação, apesar de esforços como o Protocolo de Kioto. No relatório da WWF anterior, publicado em 2004, o impacto do homem ultrapassava em 21% a capacidade de regeneração do planeta.
O novo relatório da organização coloca na "lista negra" de países com alto consumo per capita de energia e recursos os Emirados Árabes Unidos, EUA, Finlândia, Canadá, Kuwait, Austrália, Estônia, Suécia, Nova Zelândia e Noruega.
O fato de o relatório ter sido apresentado na China mostra a importância que a WWF dá ao futuro da economia asiática, pois a forma como escolher se desenvolver "é fundamental para que o mundo avance rumo ao desenvolvimento sustentável".
Apesar de China ser o segundo maior emissor mundial de gases poluentes, devido à grande população seu "rastro ecológico" per capita é muito baixo em comparação aos países mais desenvolvidos, o que ocorre também no caso da Índia.
O especialista Jiang Yi, da universidade pequinesa de Tsinghua, disse no ato realizado em Pequim que uma das chaves para melhorar o consumo de recursos e energia na China é "desenvolver um sistema rural de equilíbrio energético" e investigar alternativas de calefação e ar condicionado para as casas chinesas.
FONTE: G1