29 de agosto de 2013

Os 10 Mandamentos do Chimarrão


Apesar de simples e informal, a roda de chimarrão tem suas regras. Verdadeiros mandamentos, que devem ser respeitados por todos. Se você é iniciante ou está redescobrindo o costume, observe esses pontos relacionados com boa dose de humor:
1 – NÃO PEÇAS AÇÚCAR NO MATE
O gaúcho aprende desde piazito o porquê o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, amargo apenas. Mas se tu és de outros pagos, mesmo sabendo, poderá achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar nesse pedaço do Brasil: pedir açúcar. Pode-se por água, ervas exóticas, cana, frutas, cocaína, feldspato, dollar, etc… mas jamais açúcar. O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo, mas não merece ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece amargo demais, não hesites, pede uma coca-cola com canudinho. Tu vais te sentir bem melhor.
2 – NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO É ANTI-HIGIÊNICO
Tu podes achar que é anti-higiênico por a boca onde todo mundo põe. Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando de chimarrão. Repito: pede uma coca-cola de canudinho. O canudo é puro como a água de sanga (pode haver coliformes fecais e estafilococos dentro da garrafa, não nele).
3 – NÃO DIGAS QUE O MATE ESTÁ QUENTE DEMAIS
Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume tuas frescuras (caso desejes te curar, recomendamos uma visita ao analista de Bagé). Se, porém, te julgas perfeitamente igual aos demais, faze o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vai adorar o chimarrão de lá.
4 – NÃO DEIXES UM MATE PELA METADE
Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Como o cachimbo da paz, cada um dá uma tragada e passa-o adiante, já o chimarrão não. Tu deves tomar toda a água servida até ouvir o ronco da cuia vazia. A propósito, leia logo o mandamento abaixo.
5 – NÃO TE ENVERGONHES DO “RONCO” NO FIM DO MATE
Se, ao acabar o mate, sem querer fizer a bomba “roncar”, não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar mal-educado. Esse negócio de chupar sem fazer barulho vale para a coca-cola com canudinho que tu podes até tomar com o dedinho levantado (fazendo pose de assumida).
6 – NÃO MEXAS NA BOMBA
A bomba de chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesma, da erva ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas por favor, não mexas na bomba. Fale com quem te passou o mate ou com quem lhe passou a cuia. Mas não mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba.
7 – NÃO ALTERE A ORDEM EM QUE O MATE É SERVIDO
Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão, sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve, mas depois de entrar, espera sempre a tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do estado.
8 – NÃO CONDENES O DONO DA CASA POR TOMAR O PRIMEIRO MATE
Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio o primeiro mate, saibas que o grosso és tu. O pior mate é o primeiro, e quem toma está te prestando um favor.
9 – NÃO DURMAS COM A CUIA NA MÃO
Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando… E às vezes te surpreendes até imaginando que a cuia não é cuia, mas o quente seio moreno daquela chinoca faceira que apareceu no baile do Gaudêncio… Agora, tomar chimarrão numa roda é muito diferente. Aí o fundamental não é meditar, mas sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão, tu falas, discutes, ris, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que essa tua participação não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer a cuia que está na tua mão. Fala quanto quizeres mas não esqueças de tomar o teu mate que a moçada tá esperando.
10 – NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO DÁ CÂNCER NA GARGANTA
Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pega na cuia, que irás dizer, com ar de entendido, que o chimarrão é cancerígeno. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esqueces o câncer. Se não der para esquecer, faz o seguinte: pede uma coca-cola com canudinho que ela etc… etc…
PÉRCIO DE MORAES

28 de agosto de 2013

Felicidade, expressão do estado interno da alma

"Para criar e manter uma disposição feliz, preciso saber ser positivo. Isso não quer dizer andar com a cabeça nas nuvens achando que tudo é maravilhoso. Enquanto vejo as diversas situações, boas e más, preciso manter a equanimidade. A feiura não me torna feio nem a tristeza me faz triste; os sucessos não inflam o ego nem os fracassos me arrasam. Se é assim, a vida não se alterna entre grandes expectativas e grandes decepções.
Os altos transitórios de alegria, pagos por baixos de depressão na montanha-russa existencial, só levam ao desgaste. O cansaço, o tédio e a solidão são sintomas da incapacidade de extrair felicidade do que é simples. A insatisfação nasce da falta de aproveitamento do que nós já temos.
Algumas dicas:
  • Observe suas especialidades e as dos outros e encoraje-as conscientemente.
  • Aproveite os momentos em que você está só para acessar seu próprio fundo interior de felicidade.
  • Lembre que o sucesso é uma combinação de entusiasmo e determinação.
  • Não tente ser alguém que você não é; seja o melhor você que poderá ser.
  • Se você for divertido, tudo poderá ser também. Seja sério só quando realmente precisa ser.
A felicidade não é uma conquista, mas é a expressão do estado interno da alma."

Fonte: "Reflexões para uma vida plena”, de Ken O’Donnell. Integrare Editora, São Paulo.


27 de agosto de 2013

O médico cubano negro e a intolerância da nossa elite branca

Fiquei impressionada, indignada e, principalmente, envergonhada ao saber que isso aconteceu.


O médico cubano negro e a intolerância da nossa elite branca


A foto que está circulando hoje pela internet de um médico negro de Cuba sendo vaiado por jovens brancas de jaleco branco em Fortaleza é ilustrativa do significado da insana luta a que se dispuseram muitos de nossos doutores. Eles não estão lutando pela saúde da população, mas pelos seus interesses mais mesquinhos. E por isso não aceitam que um negrão cubano, que se brasileiro fosse serviria pra catar suas latas de lixo num caminhão de coleta ou ainda carregar fardos de carga num armazém, venha para o Brasil ocupar um espaço que, inclusive, ele não deseja.
Boa parte da argumentação dos médicos que têm radicalizado no discurso xenófobo contra os que aceitaram trabalhar nos cantões do Brasil é a de que eles estudaram muito para conseguir passar num vestibular. E que os estrangeiros não. Que eles pagaram caro pelo curso. E que os estrangeiros não. Que eles investiram na carreira para ter retorno futuro. E que com a vinda dos estrangeiros isso está em risco. Este argumento final é o verdadeiro x da questão. Boa parte dos nossos médicos decidiram ser médicos para permanecer num patamar restrito da elite. Mas talvez não se deem conta de que esse corporativismo é a base da morte de milhares de brasileiros pobres e miseráveis.
Eles não são contra apenas os médicos estrangeiros ou de Cuba, mais especificamente. Eles também são contra a criação de novas faculdades de medicina. Os conselhos vivem desqualificando as iniciativas do governo pra criar novos cursos.
Ou seja, a foto que está ilustrando este post é significativa para pensar o país que queremos. Se queremos um Brasil da inclusão, onde seja algo normal ser atendido por médicos negros que não sejam cubanos. Se queremos um Brasil onde estrangeiros sejam recebidos com respeito. Se queremos um Brasil onde saúde seja um direito de todos. Ou se preferimos viver num país de brancos de jalecos brancos que exigem ser chamado de doutores exatamente porque se acham acima daqueles que deveriam tratar com respeito e dignidade.
O interesse de uma corporação não pode estar acima dos interesses de toda a sociedade. E os médicos que estão nas ruas vaiando os seus colegas cubanos nunca estiveram nas ruas lutando por melhorias na área da saúde. Os que estiveram e estão nesta luta por um sistema único de qualidade, por exemplo, não se dignam a participar de um papelão desses.
Essa foto fica pra história, como a daquelas dos navios negreiros. Mas neste caso, pelo seu inverso. Porque negros de Cuba aceitaram vir pra cá contribuir pra melhorar a vida de outros negros e brancos pobres. E foram açoitados pelas vaias de brancos e brancas que se lixam pra vida dessa enorme parcela da população. Porque eles são da Casa Grande. E a Casa Grande sempre se locupletou com a péssima qualidade de vida da senzala.
Assista abaixo ao vídeo, onde um grupo de cerca de 50 médicos vaiaram e xingaram os profissionais cubanos, chamando-os de “escravos“.





Michael Jackson - Man In The Mirror


Man In The Mirror

I'm gonna make a change
On once in my life
It's gonna feel real good
Gonna make a difference
Gonna make it right

As I turn up the collar on
My favorite winter coat
This wind is blowing my mind

I see the kids in the streets
With not enough to eat
Who am I to be blind?
Pretending not to see their needs

A summer disregard
A broken bottle top
And a one man soul

They follow each other on the wind, ya' know
'Cause they got nowhere to go
That's why I want you to know

I'm starting with the man in the mirror
I'm asking him to change his ways
And no message could have been any clearer:
If you wanna make the world a better place
Take a look at yourself and then make a change

I've been a victim of a selfish kind of love
It's time that I realize
That there are some with no home
Not a nickel to loan

Could it be really me
Pretending that they're not alone?

A willow deeply scarred
Somebody's broken heart
And a washed-out dream

They follow the pattern of the wind, ya' see
'Cause they got no place to be
That's why I'm starting with me

I'm starting with the man in the mirror (Oh!)
I'm asking him to change his ways (Oh!)
And no message could have been any clearer:
If you wanna make the world a better place
Take a look at yourself and then make a change

I'm starting with the man in the mirror (Oh!)
I'm asking him to change his ways (Oh!)
And no message could have been any clearer:
If you wanna make the world a better place
Take a look at yourself and then make that CHANGE!

I'm starting with the man in the mirror
(Man in the mirror - Oh yeah!)
I'm asking him to change his ways (Better change!)
No message could have been any clearer
(If you wanna make the world a better place)
(Take a look at yourself and then make the change)

(You gotta get it right, while you got the time)
('Cause when you close your heart)
You can't close your, your mind!
(Then you close your mind!)

That man, that man, that man, that man
With the man in the mirror
(Man in the mirror, oh yeah!)
That man, that man, that man
I'm asking him to change his ways (Better change!)
You know... that man

No message could have been any clearer
If you wanna make the world a better place
Take a look at yourself and then make the change

I'm gonna make a change
It's gonna feel real good

Come on! (Change)
Just lift yourself, you know
You've got to stop it, yourself!
(Yeah! Make that change!)

I've got to make that change, today!
(Man in the mirror)
You got to, you got to not let yourself, brother
(Yeah! - Make that change!)

You know, I've got to get
That man, that man... (Man in the mirror)
You've got to, you've got to move!

Come on! Come on! You got to...
Stand up! Stand up! Stand up!
(Yeah! - Make that change)
Stand up and lift yourself, now!
(Man in the mirror)

(Yeah! - Make that change!)
Gonna make that change.
Come on! (Man in the mirror)

You know it! You know it
You know it! You know it
(Change) Make that change

Homem No Espelho

Eu vou fazer uma mudança
De uma vez em minha vida
Vai ser bom de verdade
Vou fazer uma diferença
Vou fazer isso direito

Enquanto eu dobro a gola
Do meu casaco de inverno favorito
O vento assopra em minha mente

Eu vejo as crianças nas ruas
Sem o suficiente para comer
Quem sou eu para estar cego
Fingindo não perceber suas necessidades

Uma indiferença de verão
Uma tampa de garrafa quebrada
E a alma de um homem

Eles seguem uns aos outros no vento, você sabe
Porque eles não tem nenhum lugar para ir
É por isto que eu quero que você saiba

Estou começando com o homem no espelho
Estou pedindo a ele que mude seus modos
E nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara:
Se você quer fazer do mundo um lugar melhor
Olhe para si mesmo e faça uma mudança

Eu tenho sido vítima de um tipo de amor egoísta
É hora de eu compreender
Que existem alguns sem casa
Nenhum centavo para emprestar

Seria realmente eu
Fingindo que eles não estão sozinhos?

Um salgueiro profundamente marcado
O coração partido de alguém
E um sonho desanimado

Eles seguem o rumo do vento, você vê
Porque não tem lugar para ir
É por isso que estou começando comigo

Estou começando com o homem no espelho (Oh!)
Estou pedindo a ele para mudar seus modos (Oh!)
E nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara:
Se você quer fazer do mundo um lugar melhor
Olhe para si mesmo e faça uma mudança

Estou começando com o homem no espelho (Oh!)
Estou pedindo a ele para mudar seus modos (Oh!)
E nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara:
Se você quer fazer do mundo um lugar melhor
Olhe para si mesmo e faça uma mudança

Estou começando com o homem no espelho
(Homem no espelho - Oh, sim!)
Estou pedindo a ele que mude (É melhor mudar!)
Nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara:
(Se você quer fazer do mundo um lugar melhor)
(Olhe para si mesmo e faça a mudança)

(Você tem de fazer bem, enquanto tem tempo)
(Porque quando você fecha seu coração)
Você não pode fechar sua, sua mente!
(Então você fecha sua mente!)

Aquele homem, aquele homem, aquele homem...
Com o homem no espelho...
(Homem no espelho, oh, sim!)
Aquele homem, aquele homem, aquele homem...
Estou pedindo a ele para mudar ( É melhor mudar!)
Você sabe... aquele homem

Nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara:
Se você quer fazer do mundo um lugar melhor
Olhe para si mesmo e faça a mudança

Eu vou fazer uma mudança
Vai ser bom de verdade

Vamos! (Mude)
Apenas levante-se, você sabe
Você tem de parar isso, você mesmo!
(Sim! Faça aquela mudança!)

Eu tenho de fazer aquela mudança, hoje!
(Homem no espelho)
Você tem de não deixar seu próprio irmão
(Sim! - Faça a mudança!)

Você sabe, preciso entender
Aquele homem, aquele homem... (Homem no espelho)
Você precisa, você precisa se mexer!

Vamos! Vamos! Você tem de...
Levantar-se! Levantar-se! Levantar-se!
(Sim! - Faça aquela mudança)
Levante-se e eleve a si mesmo, agora!
(Homem no espelho)

(Sim! Faça aquela mudança!)
Vou fazer aquela mudança
Vamos! (Homem no espelho)

Você sabe! Você sabe como!
Você sabe! Você sabe como!
(Mude) Faça aquela mudança

26 de agosto de 2013

Ética profissional no mundo globalizado

Por  em 25.08.2013 as 23:59

ÉTICA PROFISSIONAL 
Sabemos que conceitualmente ética é a divisão da filosofia que estuda os valores morais e princípios que regimentam a conduta ideal do ser humano como ente social.
Deriva do termo grego “ethos” que significa aquilo que pertence ao caráter.
Na filosofia clássica, a ética não se restringia simplesmente à moral, aí entendida como “costume”, ou “hábito”,  mas buscava a fundamentação teórica para eleger a  conduta ideal, voltada para o bem em si mesmo, tanto na vida individual quanto em sociedade.
Com a profissionalização e especialização do conhecimento em decorrência da revolução industrial, a maioria dos campos abrangidos pela filosofia e pela ética foram estabelecidos como disciplinas independentes, mas mesmo assim se manteve, em princípio, o conceito voltado ao mundo do trabalho, denominando ético todo o profissional que  adequadamente exerce suas atribuições, respeitando um código de conduta,  acordado e cultuado por seus pares e respeitado  pela sociedade como um todo.
Porém na prática a teoria é outra. Infelizmente.
Não são poucos os profissionais, no nosso país, que sequer respeitam as leis civis, quanto mais o seu código de ética classista, que busca em tese transcendê-las.
E isso se vê em todas as áreas.
Nos brasis do superfaturamento, do mercado negro (chamado eufemisticamente de “mercado paralelo”), das múltiplas taxações, do suborno,  da remarcação fraudulenta de preços, do vender gato por lebre, etc., etc., etc. – agir eticamente é contracorrente.
Quem age com probidade, retidão e decoro profissionais é tomado por trouxa.  É o “caxias”, o “puxa-saco”,  o “senhor certinho”.  Ironicamente é a ovelha branca, nessa terra de macunaímas.
No mesmo exemplo, a empresa que busca “seguir as leis” e cumprir com sua função social honestamente corre o risco de fechar as portas (basta calcular a absurda carga tributária a que estão submetidas).
Num país onde a maioria dos estudantes quer tirar nota sem estudar é natural se intuir num futuro próximo uma maioria de “profissionais” que sonha em ganhar dinheiro sem trabalhar.  Seja pela fraude direta, seja pela falta de ética ou simplesmente pela exploração desleal do trabalho alheio.
Chegamos a um momento vergonhoso em nossa história.
Os sintomas são pungentes.  Antes de ler os jornais já nos perguntamos qual será o escândalo político do dia.
Chegamos ao ponto de adolescentes brasileiros serem banidos de comunidades de games on-line na internet, simplesmente porque trapaceiam.
O que dizer da conduta de nossas empresas e de nossos profissionais quando comparados com a de países “civilizados”?
(Não vou nem perguntar sobre a conduta de nossos políticos. – Isso seria covardia!).

No mundo globalizado
O fenômeno da globalização, pontuado pela velocidade da comunicação, pela livre circulação da informação e pela quebra virtual das fronteiras geográficas, está fazendo com que tudo que ocorra no círculo profissional se torne de conhecimento comum – e isso com grande velocidade e prontidão.
Dessa forma o profissional (e também a corporação) com má conduta está perdendo competitividade – como consequência da perda de prestígio.
Hoje o patrimônio mais valioso de uma empresa, e, por conseguinte, de um profissional, é a sua reputação.
Graças aos sistemas informatizados, no mercado corporativo a memória não é fraca e a monitoração da trajetória de empresas e profissionais está ficando cada vez mais refinada e precisa.
O mundo está se tornando pequeno.
Assim em países em que a regra de conduta é coisa séria, o profissional (e também a corporação) que não quiser ter uma carreira curta deve rever urgentemente a sua prática.
E o que se diz de multinacionais que instalam suas filiais por aqui?
Embora se adaptem rapidamente às idiossincrasias da Terra Brasilis,  elas não admitem que se crie em seu ambiente corporativo a mesma falta de caráter que grassa nos mundos sem lei.
E muitas empresas nacionais, felizmente, estão seguindo essa mesma trilha.
Descobriram que praticar o jogo do “ganha-ganha” honestamente pode reduzir alguns de seus lucros momentâneos, porém, afasta definitivamente o risco de serem banidos do jogo.
E para bons entendedores meia palavra basta.

Mustafá Ali Kanso é escritor, professor, engenheiro químico, empresário da mídia educacional e divulgador científico em programas culturais da TV. Leia outros artigos dele.

"Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa...

"Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa...

Solidão é uma ilha com saudade de barco.

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.

Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer “eu deixo” é pouco.

Pouco é menos da metade.

Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.

Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.

Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.

Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair de seu pensamento.

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.

Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.

Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.

Renúncia é um não que não queria ser ele.

Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.

Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.

Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.

Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja.

Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.

Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.

Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é fevereiro.

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.

Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.

Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.

Perdão é quando o Natal acontece em maio, por exemplo.

Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.

Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.

Desatino é um desataque de prudência.

Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.

Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.

Emoção é um tango que ainda não foi feito.

Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.

Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Desejo é uma boca com sede.

Paixão é quando apesar da placa “perigo” o desejo vai e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.
Não. Amor é um exagero… Também não.
É um desadoro… Uma batelada?
Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?

Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina"



Adriana Falcão - Livro "Mania de Explicação"















50 filmes para conhecer criticamente a História

Em produções memoráveis, cinema focou grandes conflitos sociais e humanos e como resultaram ou em libertação, ou em tragédia
Por Guilherme Antunes, em Cinetoscópio
Olá galera, preparei uma lista com alguns filmes para quem adora História. Um filme quando vai abordar algum contexto histórico ele utiliza recursos pedagógicos para uma maior aproximação, entretanto, é válido lembar das vinculações ideológicas em determinadas obras. Por vezes, um filme tem mais a dizer sobre o momento em que foi produzido do que a época que pretende retratar. Confira:
1 - Tempos Modernos (1939) – Direção: Charlie Chaplin
Um operário de uma linha de montagem, que testou uma “máquina revolucionária” para evitar a hora do almoço, é levado à loucura pela “monotonia frenética” do seu trabalho. Após um longo período em um sanatório ele fica curado de sua crise nervosa, mas desempregado.
1
2 - Z (1969) – Direção: Costa-Gavras
Conheça o caso Lambrakis, onde a morte de um político foi encoberta vergonhosamente por políticos e policiais, na Grécia dos anos 60. Vencedor dos Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e Edição, foi o primeiro filme a ser indicado também na categoria Melhor Filme.
2
3 - Dawson, Ilha 10 (2009) – Direção: Miguel Littin
Dawson, Ilha 10, aborda o golpe militar que em 1973 derrubou o governo democrático de Salvador Allende e vitimou milhares de chilenos, dando início a uma das mais longas e sangrentas ditaduras da América Latina. O filme mostra o sofrimento de ministros do governo Allende que foram aprisionados em uma ilha gelada, de clima antártico, onde funcionou um campo de concentração projetado pelo criminoso nazista Walter Rauff, então refugiado no Chile.
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4 - Ivan, o Terrível – Parte I (1944) – Direção: Sergei M. Eisenstein
Em 1547, Ivan IV (1530-1584), arquiduque de Moscou, se auto-proclama o Czar de Rússia e se prepara para retomar territórios russos perdidos. Superando uma série de dificuldades e intrigas, Ivan consegue manipular as pessoas destramente e consolidar seu poder.
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5 – Alexander Nevsky (1938) – Direção: Sergei M. Eisenstein
Na Rússia do século 13, invadida por estrangeiros, o príncipe Alexander Nevsky arregimenta a população para formar um exército e conter a invasão de cavaleiros teutônicos. Baseado em fatos históricos.
CA.0525.alexander.nevsky.
6 – Em Nome do Pai (1993) – Direção: Jim Sheridan
Em 1974, um atentado a bomba produzido pelo IRA (Exército Republicano Irlandês) mata cinco pessoas num pub de Guilford, arredores de Londres. O filme conta a história real do jovem rebelde irlandês Gerry Conlon, que junto de três amigos, é injustamente preso e condenado pelo crime. Giuseppe Conlon, pai de Gerry, tenta ajudá-lo e também é condenado, mas pede ajuda à advogada Gareth Peirce, que investiga as irregularidades do caso.
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7 - Doutor Jivago (1965) – Direção: David Lean
O filme conta sobre os anos que antecederam, durante e após a Revolução Russa pela ótica de Yuri Zhivago (Omar Sharif), um médico e poeta. Enquanto Strelnikoff representa o “mal”, Yevgraf representa o “bom” elemento da Revolução Bolchevique.
Doctor Zhivago movie image
8 – No (2012) – Direção: Pablo Larraín
História do plebiscito que, em 1988, pôs fim a uma ditadura de 15 anos imposta por Augusto Pinochet. No conta a história de René Saavedra (Gael Garcia Bernal), um exilado que volta ao chile e vai trabalhar como publicitário a serviço da campanha “Não”, que tem como objetivo influenciar o eleitorado a votar contra a permanência de Augusto Pinochet no poder durante um referendo, feito sob pressão internacional, pelo próprio ditador.
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9 – A Onda (2008) – Direção: Dennis Gansel
Rainer Wegner, professor de ensino médio, deve ensinar seus alunos sobre autocracia. Devido ao desinteresse deles, propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo e do poder. Wegner se denomina o líder daquele grupo, escolhe o lema “força pela disciplina” e dá ao movimento o nome de A Onda. Em pouco tempo, os alunos começam a propagar o poder da unidade e ameaçar os outros. Quando o jogo fica sério, Wegner decide interrompê-lo. Mas é tarde demais, e A Onda já saiu de seu controle. Baseado em uma história real ocorrida na Califórnia em 1967.
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10 - Amém (2002) – Direção: Costa-Gavras
Kurt Gerstein (Ulrich Tukur) é um oficial do Terceiro Reich que trabalhou na elaboração do Zyklon B, gás mortífero originalmente desenvolvido para a matança de animais mas usado para exterminar milhares de judeus durante a 2ª Guerra Mundial. Gerstein se revolta com o que testemunha e tenta informar os aliados sobre as atrocidades nos campos de concentração. Católico, busca chamar a atenção do Vaticano, mas suas denúncias são ignoradas pelo alto clero. Apenas um jovem jesuíta lhe dá ouvidos e o ajuda a organizar uma campanha para que o Papa (Marcel Iures) quebre o silêncio e se manifeste contra as violências ocorridas em nome de uma suposta supremacia racial.
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11 - O Encouraçado Potemkin (1925) – Direção: Sergei M. Eisenstein
Em 1905, na Rússia czarista, aconteceu um levante que pressagiou a Revolução de 1917. Tudo começou no navio de guerra Potemkin, quando os marinheiros estavam cansados de serem maltratados, sendo que até carne estragada lhes era dada, com o médico de bordo insistindo que ela era perfeitamente comestível. Alguns marinheiros se recusam a comer esta carne, então os oficiais do navio ordenam a execução deles.
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12 - A Paixão de Joana D’Arc (1928) – Direção: Carl Theodor Dreyer
França, século XV, Joana de Domrémy, filha do povo, resiste bravamente a ocupação de seu país. É presa, humilhada, torturada e interrogada de maneira impiedosa por um tribunal eclesiástico, que a levou, involuntariamente, a blasfemar.
É colocada na fogueira e morre por Deus e pela França.

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13 - Persépolis (2007) – Direção: Marjane Satrapi, Vincent Paronnaud
Marjane Satrapi (Gabrielle Lopes) é uma garota iraniana de 8 anos, que sonha em se tornar uma profetisa para poder salvar o mundo. Querida pelos pais e adorada pela avó, Marjane acompanha os acontecimentos que levam à queda do xá em seu país, juntamente com seu regime brutal.
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14 –  Adeus, Lenin! (2003) – Direção: Wolfgang Becker
Em 1989, pouco antes da queda do muro de Berlim, a Sra. Kerner (Katrin Sab) passa mal, entra em coma e fica desacordada durante os dias que marcaram o triunfo do regime capitalista. Quando ela desperta, em meados de 1990, sua cidade, Berlim Oriental, está sensivelmente modificada. Seu filho Alexander (Daniel Brühl), temendo que a excitação causada pelas drásticas mudanças possa lhe prejudicar a saúde, decide esconder-lhe os acontecimentos.
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15 - O Nome da Rosa (1986) – Direção: Jean-Jacques Annaud
Em 1327 William de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano, e Adso von Melk (Christian Slater), um noviço que o acompanha, chegam a um remoto mosteiro no norte da Itália. William de Baskerville pretende participar de um conclave para decidir se a Igreja deve doar parte de suas riquezas, mas a atenção é desviada por vários assassinatos que acontecem no mosteiro. William de Baskerville começa a investigar o caso, que se mostra bastante intrincando, além dos mais religiosos acreditarem que é obra do Demônio.
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16 – Lawrence da Arábia (1962) – Direção: David Lean
Em 1916, em plena I Guerra Mundial, o jovem tenente do exército britânico estacionado no Cairo pede transferência para a península arábica, onde vem a ser oficial de ligação entre os rebeldes árabes e o exercito britânico, aliados contra os turcos, que desejavam anexar ao seu Império Otomano a península arábica. Lawrence, admirador confesso do deserto e do estilo de vida beduíno, oferece-se para ajudar os árabes a se libertarem dos turcos.
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17 – Glória Feita de Sangue (1957) – Direção: Stanley Kubrick
Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, Mireau (George Meeker), um general francês, ordena um ataque suicida e como nem todos os seus soldados puderam se lançar ao ataque ele exige que sua artilharia ataque as próprias trincheiras. Mas não é obedecido neste pedido absurdo, então resolve pedir o julgamento e a execução de todo o regimento por se comportar covardemente no campo de batalha e assim justificar o fracasso de sua estratégia militar.
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18 - O Último Rei da Escócia (2006) – Direção: Kevin Macdonald
O filme mostra os acontecimentos reais na Uganda durante os anos 70, quando o ditador Idi Amin (Forest Whitaker, ganhador do Globo de Ouro e indicado ao Oscar por este papel) exercia seu poder. A história é narrada por meio do ponto de vista de seu médico pessoal.
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19 - Valsa com Bashir (2009) – Direção: Ari Folman
Numa noite num bar, um homem conta ao velho amigo Ari sobre um pesadelo recorrente no qual é perseguido por 26 cães alucinados. Toda noite é o mesmo número de bestas. Ambos concluem que o pesadelo tem a ver com a missão deles no exército israelense contra o Líbano, décadas atrás. Ari, no entanto, fica surpreso ao perceber que não consegue mais se lembrar de nada sobre aquele período da sua vida. Intrigado com o enígma, Ari decide se encontrar e entrevistar velhos camaradas pelo mundo. Ele tem necessidade de descobrir toda a verdade sobre aquele tempo e sobre si mesmo. E quanto mais ele se aprofunda no mistério, mais suas lembranças se tornam aterrorizantes e surreais.
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20 - A Queda – As Últimas Horas de Hitler (2004) – Direção: Oliver Hirschbiegel
Traudl Junge (Alexandra Maria Lara) trabalhava como secretária de Adolf Hitler (Bruno Ganz) durante a 2ª Guerra Mundial. Ela narra os últimos dias do líder alemão, que estava confinado em um quarto de segurança máxima.
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21 - A Culpa é do Fidel! (2006) – Direção: Julie Gavras
Anna de la Mesa (Nina Kervel-Bey) tem 9 anos, mora em Paris e leva uma vida regrada e tranqüila, dividida entre a  escola católica e o entorno familiar. O ano é 1970 e a prisão e morte do seu tio espanhol, um comunista convicto, balança a família. Ao voltar de uma viagem ao Chile, logo após a eleição de Salvador Allende, os pais de Anna estão diferentes e a vida familiar muda por completo: engajamento político, mudança para um apartamento menor, trocas constantes de babás, visitas inesperadas de amigos estranhos e barbudos. Assustada com essa nova realidade, Anna resiste à sua maneira. Aos poucos, porém, realiza uma nova compreensão do mundo.
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22 - A Infância de Ivan (1962) – Direção: Andrei Tarkovsky
Durante a segunda Grade Guerra, os russos tentavam combater a investida nazista em seu território. Nas frentes soviéticas, Ivan, um garoto órfão de 12 anos, trabalha como um espião, podendo atravessar as fronteiras alemãs para coletar informação sem ser visto, e vive sob os cuidados de três oficiais russos. Mas, após inumeras missões, e com um desgaste físico cada vez maior, os oficiais resolvem poupar Ivan, mandando-o para a escola militar. Ganhador do Leão de Ouro em Veneza.
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23 – O Que é Isso, Companheiro? (1997) – Direção: Bruno Barreto
Em 1964, um golpe militar derruba o governo democrático brasileiro e, após alguns anos de manifestações políticas, é promulgado em dezembro de 1968 o Ato Constitucional nº 5, que nada mais era que o golpe dentro do golpe, pois acabava com a liberdade de imprensa e os direitos civis. Neste período vários estudantes abraçam a luta armada, entrando na clandestinidade, e em 1969 militantes do MR-8 elaboram um plano para sequestrar o embaixador dos Estados Unidos (Alan Arkin) para trocá-lo por prisioneiros políticos, que eram torturados nos porões da ditadura.
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24 – Narradores de Javé (2003) – Direção: Eliane Caffé
Somente uma ameaça à própria existência pode mudar a rotina dos habitantes do pequeno vilarejo de Javé. É aí que eles se deparam com o anúncio de que a cidade pode desaparecer sob as águas de uma enorme usina hidrelétrica. Em resposta à notícia devastadora, a comunidade adota uma ousada estratégia: decide preparar um documento contando todos os grandes acontecimentos heróicos de sua história, para que Javé possa escapar da destruição. Como a maioria dos moradores são analfabetos, a primeira tarefa é encontrar alguém que possa escrever as histórias.
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25 – A Guerra do Fogo (1981) – Direção: Jean-Jacques Annaud
A reconstituição da pré-história, tendo como eixo a descoberta do fogo. A saga de uma tribo e seu líder, Naoh, que tenta recuperar o precioso fogo recém-descoberto e já roubado. Através dos pântanos e da neve, Naoh, encontra três outras tribos, cada uma em um estágio diferente de evolução, caminhando para a atual civilização em que vivemos.
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26 - A Missão (1986) – Direção: Roland Joffé
No final do século XVIII Mendoza (Robert De Niro), um mercador de escravos, fica com crise de consciência por ter matado Felipe (Aidan Quinn), seu irmão, num duelo, pois Felipe se envolveu com Carlotta (Cherie Lunghi). Ela havia se apaixonado por Felipe e Mendoza não aceitou isto, pois ela tinha um relacionamento com ele. Para tentar se penitenciar Mendoza se torna um padre e se une a Gabriel (Jeremy Irons), um jesuíta bem intencionado que luta para defender os índios, mas se depara com interesses econômicos.
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27 - Danton – O Processo da Revolução (1983) – Direção: Andrzej Wajda
Na primavera de 1794, Danton (Gérard Depardieu) retorna a Paris e constata que o Comitê de Segurança, sob a incitação de Robespierre (Wojciech Pszoniak), inicia várias execuções em massa. O povo, que já passava fome, agora vive um medo constante, pois qualquer coisa que desagrade o poder é considerado um ato contra-revolucionário. Nem mesmo Danton, um dos líderes da Revolução Francesa, deixa de ser acusado.
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28 - A Rainha Margot (1994) – Direção: Patrice Chéreau
No século XVI um casamento de conveniência é celebrado com o intuito de manter a paz. A união entre a católica Marguerite de Valois, a rainha Margot (Isabelle Adjani), e o nobre protestante Henri de Navarre (Daniel Auteuil) tinha como meta unir duas tendências religiosas. O objetivo do casamento foi tão político que os noivos não são obrigados a dormirem juntos. As intrigas palacianas vão culminar com a Noite de São Bartolomeu, na qual milhares de protestantes foram mortos. Após isto Margot acaba se envolvendo com um protestante que está sendo perseguido.
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29 – Tiros em Ruanda (2005) – Direção: Michael Caton-Jones
Ruanda. Durante 30 anos, o governo de maioria Hutu perseguiu a minoria Tutsi. Pressionado pelo ocidente, o governo aceitou dividir o poder com os Tutsis, mesmo contra a vontade. Porém em 6 de abril de 1994 tem início um genocídio, que mata quase um milhão de pessoas em apenas 100 dias. Neste contexto um padre inglês e seu ajudante tentam fazer o que podem para ajudar a minoria Tutsi, mesmo tendo a opção de partirem para a Europa.
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30 – Roma, Cidade Aberta (1945) – Direção: Roberto Rossellini
Roma, 1944. Um dos líderes da Resistência, Giorgio Manfredi (Marcello Pagliero), é procurado pelo nazistas. Giorgio planeja entregar um milhão de liras para seus compatriotas. Ele se esconde no apartamento de Francesco (Francesco Grandjacquet) e pede ajuda à noiva de Francesco, Pina (Anna Magnani), que está grávida. Giorgio planeja deixar um padre católico, Don Pietro (Aldo Fabrizi), fazer a entrega do dinheiro. Quando o prédio é cercado, Francesco é preso pelos alemães e levado para um caminhão.
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31 - Julgamento em Nuremberg (1961) – Direção: Stanley Kramer
Após a 2ª Guerra Mundial um juiz americano é convocado para chefiar o julgamento de quatro juristas alemães responsáveis pela legalização dos crimes cometidos pelos nazistas durante a guerra. Dirigido por Stanley Kramer (Adivinhe Quem Vem Para Jantar) e com Spencer Tracy, Burt Lancaster, Marlene Dietrich, Maximilian Schell, Judy Garland, Montgomery Clift e William Shatner no elenco. Vencedor de 2 Oscars.
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32 - Diários de Motocicleta (2004) – Direção: Walter Salles
Che Guevara (Gael García Bernal) era um jovem estudante de Medicina que, em 1952, decide viajar pela América do Sul com seu amigo Alberto Granado (Rodrigo de la Serna). Porém, quando chegam a Machu Pichu, a dupla conhece uma colônia de leprosos e passam a questionar a validade do progresso econômico da região, que privilegia apenas uma pequena parte da população.
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33 - Platoon (1986) – Direção: Oliver Stone
Chris (Charlie Sheen) é um jovem recruta recém-chegado a um batalhão americano, em meio à Guerra do Vietnã. Idealista, Chris foi um voluntário para lutar na guerra pois acredita que deve defender seu país, assim como fez seu avô e seu pai em guerras anteriores. Mas aos poucos, com a convivência dos demais recrutas e dos oficiais que o cercam, ele vai perdendo sua inocência e passa a experimentar de perto toda a violência e loucura de uma carnificina sem sentido.
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34 – Sangue Negro (2007) – Direção: Paul Thomas Anderson
Virada do século XIX para o século XX, na fronteira da Califórnia. Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) é um mineiro de minas de prata derrotado, que divide seu tempo com a tarefa de ser pai solteiro. Um dia ele descobre a existência de uma pequena cidade no oeste onde um mar de petróleo está transbordando do solo.
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35 - A Língua das Mariposas (1999) – Direção: José Luis Cuerda
O mundo do pequeno Moncho estava se transformando: começando na escola, vivia em tempo de fazer amigos e descobrir novas coisas, até o início da Guerra Civil Espanhola, quando ele reconhecerá a dura realidade de seu país. Rebeldes fascistas abrem fogo contra o regime republicano e o povo se divide. O pai e o professor do menino são republicanos, mas os rebeldes ganham força, virando a vida do garoto de pernas para o ar.
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36 - O Leopardo (1963) – Direção: Luchino Visconti
Sicília, durante o período do “Risorgimento”, o conturbado processo de unificação italiana. O príncipe Don Fabrizio Salina (Burt Lancaster) testemunha a decadência da nobreza e a ascensão da burguesia, lutando para manter seus valores em meio a fortes contradições políticas.
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37 - Napoleão (1927) – Direção: Abel Gance
Pelas suas modernas técnicas narrativas e de filmagem, o filme de Abel Gance é considerado um dos mais memoráveis filmes mudos da história. Mostrando desde a infância de Napoleão até a invasão da Itália pelo exercito francês em 1797, a cinebiografia seria a primeira de uma série de seis filmes, que não chegaram a ser realizados.
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38 - Apocalypse Now (1979) – Direção: Francis Ford Coppola
39 - Katyn (2007) – Direção: Andrzej Wajda
40 - O Barco, Inferno no Mar (1981) – Direção: Wolfgang Petersen
41 - A Ponte do Rio Kwai (1957) – Direção: David Lean
42 - O Franco Atirador (1978) – Direção: Michael Cimino
43 - Malcolm X (1992) – Direção: Spike Lee
44 – Outubro (1928) – Direção: Sergei M. Eisenstein
45 - Kagemusha (1980) – Direção: Akira Kurosawa
46 – El Cid (1961) – Direção: Anthony Mann
47 - 1900 (1976) – Direção: Bernardo Bertolucci
48 - Vá e Veja (1985) – Direção: Elem Klimov
49 - A Batalha de Argel (1966) – Direção: Gillo Pontecorvo
50 - Quando Voam as Cegonhas (1957) – Direção: Mikhail Kalatozov

Eu poderia indicar muitos e muitos outros, filmes é o que não falta, mas deixo agora a tarefa com vocês. Deixa nos comentários suas sugestões.

O “Quase Voador”

Problemas técnicos para levantar voo nessa fábula chamada realidade

26/08/2013
Um homem, chamado de “Pseudo Voador” por jornais de Moçambique, declarou que iria voar do litoral até Meca. Sem escalas. O homem correu pela praia diante do público que se juntou para assistir ao feito, mas não conseguiu decolar. Seu irmão narrava a empreitada com um megafone. A certa altura, avisou que ele tentaria no modo dos helicópteros, o que o obrigou ficar dando voltas em si mesmo. Não levantou voo. Foi anunciado, então, como nos aeroportos, algo mais ou menos assim: “Infelizmente, por problemas técnicos, o voo precisará ser adiado”.  
A história foi contada por Mia Couto, o escritor africano de língua portuguesa mais popular no Brasil, durante um bate-papo comigo e com Raquel Cozer, colunista da Folha de S. Paulo, ocorrido no Teatro Geo, na capital paulista. O evento foi promovido pelo Fronteiras do Pensamento, Companhia das Letras, Folha e Livraria da Vila, no último sábado, para o lançamento do livro de contos do autor, Cada homem é uma raça, originalmente publicado em 1990. Ao contar essa história, Mia respondia a uma pergunta sobre as fronteiras permeáveis entre realidade e ficção. E a reproduzo aqui de memória, o que pode resultar em alguma imprecisão.  
Essa não foi a única história saborosa contada por Mia Couto em mais de uma hora de conversa, provocando muitas risadas na plateia. Mas foi o tal “Pseudo Voador” quem se grudou na minha nuca, com suas asas fazendo cócegas nas orelhas e derrubando um dos meus brincos, ao voltar para casa. De repente, espiei pela janela o lego gigante que é São Paulo e senti vontade de voar. Mais do que voar, tentar voar, essa crença em algum momento perdida na existência de asas. Quando me mudei para a capital paulista, por pelo menos uma quinzena sonhei todas as noites que tentava sair de São Paulo voando, mas nunca alcançava o fim dela. Minhas asas se terminavam antes da cidade. 
Esses, que costumam ser carimbados como malucos, nos devolvem um encantamento que só alcançamos na infância. Quando uma criança abre os braços e grita “Estou voando...”, ela está voando. Em geral, os pais veem como algo desejável e até gracioso essa fabulação nas crianças pequenas. Em que momento será que, para os manuais, esse voo vira patologia e a criança faz um pouso forçado num consultório psiquiátrico? Oito, dez, 12 anos? O próprio Mia Couto, registrado como António Emílio Leite Couto, achava que era um gato quando criança e por isso se renomeou Mia, com a espantosa cumplicidade de seus pais, que acolheram a fabulação e com ela um filho que fabulava.    
Lembro-me de ter sido uma fabuladora compulsiva quando criança e adolescente. O que chamavam de realidade me parecia bastante inabitável. Criei, então, um jeito de parecer estar no mundo real, sem de fato estar. Estava, porque era eu lá. Mas uma outra que também era eu vivia nas minhas histórias. Dava um certo trabalho, porque é preciso deixar um quarto do ouvido no mundo de fora, para responder por monossílabos ao que nos é perguntado, assim como se manter andando. Keep going, keep going.
Voltava do colégio para casa com um bando de amigas, e elas nunca souberam que aquela que ria com elas possuía, na composição societária, uns 10% de mim. Os outros 90% eram fadas, duendes, astronautas, cavaleiros andantes, princesas, vampiros e alienígenas, meus eus preferidos que viviam no mundo de dentro, naquela época tremendamente mais vasto. As noites de inverno eram os melhores momentos para ser esses todos, quando eu me enfiava na cama o mais cedo possível, cobria a cabeça, sem medo de ser asfixiada, e fabulava até o sono me passar uma rasteira. Uma vez recordo-me de ter sido um duende com o prosaico nome de Caroline (por causa da princesa de Mônaco) por uns três meses, até que, por razões não muito claras, morri para virar uma índia de nome Potira (por causa do programa do Chacrinha), que caçava dragões em Marte.  
Só saía de meus interiores quando expressamente convocada, tipo uma prova do colégio ou uma conversa séria em casa. E por vontade própria, para ouvir histórias dos meus parentes da colônia, sentada num banquinho, com um prato daquelas bolachas brancas de tia no colo, aquelas que hoje apitariam no sistema de controle de açúcar e colocariam minhas tias Nair, Iolanda e Cristina no paredão. Entregava-me então à fabulação dos adultos com sua histórias fantasticamente reais sobre os últimos acontecimentos no povoado, a cuja escuta eu só me credenciava porque pensavam que eu era pequena demais para entender. Ou na cidade, com minha avó materna, embrulhada em lençóis de infelicidade, que só largavam seu corpo miúdo quando contava causos da família povoados por piratas, fantasmas e princesas, segundo ela, e ela não estava brincando ao dizê-lo, de veracidade comprovada. 
Andei saindo de minha fabulação incessante para o mundo que chamavam de real lá pelos 14, 15 anos, por causa dos meninos. Não sei bem como foi que aconteceu, mas intuí que sexo estava do lado de fora e valia a pena dar uma olhada. Eu me considerava até bastante experiente, depois de ter lido algumas das páginas mais picantes da literatura brasileira. (Obrigada Aluísio Azevedo, Josué Guimarães e Jorge Amado!) Mas só bem mais tarde fui entender que, se havia um corpo outro, que em geral queria se enfiar no meu, a coisa só dava certo se ambos ficassem fabulando juntos ou consigo mesmos. E não era lá muito fácil encontrar bons fabuladores, num mundo que valorizava tanto a tal da realidade. Se alguém tivesse a gentileza de explicar bem cedo que sexo é fabulação, muita frustração de parte a parte seria evitada e as revistas femininas poderiam se dedicar a assuntos mais excitantes que orgasmos múltiplos. 
Aos poucos fui percebendo que ser adulto era ter de aprender a viver e a conviver com um universo de fabulações muito mais intrincadas, algumas delas francamente perigosas. Como a de Hitler, ao fazer a maior parte da população de um país acreditar – porque convinha acreditar –, que a realidade provava que os arianos eram uma raça superior e por isso exterminar judeus, ciganos, homossexuais e deficientes era legítimo. Ou, num exemplo atual, a fabulação de que o “vilão” seria Edward Snowden, por ter denunciado os abusos de seu país – e não o governo americano, ao espionar cidadãos do mundo inteiro, com objetivos que vão muito além de combater o terrorismo. Dias atrás, Bradley Manning, o soldado condenado a 35 anos de prisão por entregar documentos secretos ao WikiLeaks, declarou que é mulher e se chama Chelsea Manning. Enquanto ele dizia “sou mulher”, alguns jornalistas disseram “quer ser mulher”, o que pressupõe um descompasso entre interpretações sobre o que é a realidade. Para Manning, características físicas ligadas ao gênero masculino são provas de que seu corpo não corresponde à sua realidade interna, para alguns jornalistas são provas de que sua realidade é ser um homem. Mas, haveria homem e mulher para além da fabulação?  
Não poucas vezes somos obrigados a lidar com a fabulação que outros precisam fazer de nós, o que diz muito mais deles do que de nós. Mia Couto, por exemplo, depois de ter sido reconhecido internacionalmente como escritor, conta que algumas pessoas passaram a acreditar que, por ser africano, ele só poderia ser negro. A certeza provoca algum desconforto quando o conhecem pessoalmente e constatam que é branco. Como aconteceu com um pesquisador francês, que gastou horas revistando a árvore genealógica de Mia, no desespero de descobrir um galho, ou ao menos uma folhinha que fosse, para manter toda uma tese em pé.  
Por tudo isso não consigo me esquecer do “Pseudo Voador” da história contada pelo escritor. Talvez o homem tenha percebido que a maior fabulação de todas é a realidade e, então, achou por bem dar-se asas. Senti um naco de inveja do desassombro desse homem, correndo pela praia à vista de todos. E isso não para fazer um voozinho mixuruca, até a padaria da esquina. Nada disso. Ele queria ir até Meca, e sem escalas.  
Depois de rir da história, porque ela é mesmo muito engraçada, me senti tão “quase”. Assim como o voador é “pseudo”, Mia Couto explicou que, em Moçambique, é possível ser “quase”. Não “ser ou não ser”, como Hamlet, mas “quase ser”, o que é uma posição filosófica dotada de uma complexidade bem maior. “Shakespeare proclamou a existencial dúvida do ‘ser ou não ser’ porque, certamente, não estava avisado desta categoria do ‘quase ser’”, escreveu Mia Couto em um dos ensaios de E se Obama fosse africano? (Companhia das Letras). “Nem eu sabia dessa possibilidade. Pois, se soubesse, quando me perguntassem se me considero mais um escritor do que um biólogo, logo eu responderia: ‘Quase considero, quase considero.’”
Em Moçambique, é possível ser “quase cobra” ou “quase mulher” ou “quase negro”. Pelo “quase” nos aproximamos todos do “quase voador” – não mais “pseudo”.
Não é isso que fazemos a cada dia? Quase voamos. Mas, com os pés atolados demais no chão, nos falta um tanto de asas. Como somos insistentes, porém, tentamos como helicópteros e giramos no mesmo lugar. Gira, gira, gira. Hum, não acontece. Ainda assim, não desistimos. Anunciamos, então, pelo nosso megafone interior: “Atenção, senhoras e senhores, por motivos técnicos, o voo terá de ser adiado”. E, no dia seguinte, lá estamos nós, auscultando o céu para saber se, desta vez, dá.
Essa parte da gente é tão bonita!