30 de junho de 2013

A grande história do universo contada em 18 minutos


TANTO MOTIVO QUE NEM CABE...


Marcos Rolim*

Haverá ondas e refluxos, mas os protestos das ruas e das redes vieram para ficar. Eles são uma janela aberta para renovar a triste e sufocante política brasileira. Seus resultados – para além das conquistas já obtidas – são incertos como a vida, mas o Brasil não será mais o mesmo. Os governos e os conservadores de todos os matizes não apreciam estes movimentos, porque não os controlam. Os burocratas, sabe-se, veneram o cálculo e temem a atividade autônoma. Os que lutam por mudanças, pelo contrário, desaprovam o silêncio e a submissão. Os jovens indignados ajudam a identificar uns e outros nesta hora. A “voz das ruas” nos mostra, para além dos interesses políticos em jogo, que nosso mundo está grávido de outro.

A onda de protestos tem algo dos caras-pintadas e um tanto do maio de 68, mas o fenômeno é totalmente diverso. É o primeiro grande movimento social no Brasil promovido por uma geração desvinculada das instituições tradicionais da política, da religião e da indústria cultural; nomeadamente os partidos, as igrejas e os veículos de comunicação social. São mobilizações “de borda”, tão heterogêneas que há um pouco de tudo nelas, mas seu núcleo é o de jovens que desprezam os discursos hegemônicos. Eles “descolaram”, porque perceberam como falsidade e injustiça o que nosso mundo toma como “realismo”. Estes jovens nasceram na democracia sem política que temos. Por isso, não possuem memória de luta coletiva alguma. A par das contradições e da inexperiência, entretanto, prezam a liberdade e as diferenças; abraçam causas humanitárias, defendem a natureza e abominam o preconceito, a corrupção e a hipocrisia. Foram eles que repudiaram Renan Calheiros e que fizeram a campanha “Feliciano não me representa”. Os gênios, então, os chamaram de “ativistas de sofá”. Naquela altura, já se avizinhava o momento em que uma manifestante escreveria em um cartaz: “Tanto motivo que nem cabe aqui”.

O problema de fundo é que não há instituição no Brasil que ofereça aos jovens plataforma viável para seus sonhos. Durante duas décadas, o PT foi isto. Então, chegou ao Poder e dissolveu seu potencial ético e transformador em meio à colonização da máquina pública, às concessões infinitas à direita e à proverbial conivência com a corrupção. O resultado foi uma orfandade que, agora, apareceu para cobrar a conta. O sistema político brasileiro é um cadáver insepulto e a experiência de 10 anos de governo do PT serviu também para acirrar a crise de representação por duas vertentes: pelos exemplos de cinismo simbolizados na aliança com o que de pior a política brasileira já produziu e pelo “beijo da morte” do Estado que cooptou as principais entidades de representação popular transformando-as em caricaturas.

Os enormes investimentos para a Copa ergueram esfinges que os jovens decifraram. Já era do domínio mineral que a roubalheira seria grande, mas o contraste entre os estádios “padrão Fifa” e as escolas e hospitais sem padrão algum foi encoberto pelo discurso ufanista dos governos, dos parlamentos e da mídia. Com raras exceções (lembro do Santana batendo nesta tecla) fomos engolfados pelo “oba-oba” e o discurso hegemônico foi suprimindo a diferença até torná-la improvável. Quando os manifestantes apontam o problema, evidenciam a profundidade do abismo a ser transposto.

Muitas das reivindicações poderiam ser realidade, inclusive a “tarifa zero”, fossem outras as prioridades dos governantes. A ideia, aliás – por ironia – foi de um grupo de técnicos do PT, na época em que a palavra mudança era mais do que um slogan para o partido. Hoje, ela virou “populismo” para o prefeito Haddad (PT), com o que concorda o governador Alckmin (PSDB). Ambos “gente fina”, do tipo que prefere viajar a Paris após conceder os reajustes às tarifas de ônibus e metrô e se negar a receber os manifestantes.

Há quem insista que os indignados “não têm uma pauta clara”. Seria mais exato lembrar, entretanto, que os partidos tradicionais e seus governos é que não possuem posição sobre quase nada. Em meio às manifestações, temas como o “Ato Médico”, “Cura Gay” e PEC 37, eram debatidos na Câmara que, recentemente, aprovou nova lei de drogas, profundamente reacionária. Ganha uma passagem só de ida para Teerã quem souber qual é a posição do Governo Federal e da maioria dos partidos sobre estes e outros pontos polêmicos. Apresentar soluções para o País, afinal, envolve o risco de desagradar grupos. Melhor, então, nem tentar, evitando o desgaste. O “grito que vem das ruas” é o avesso deste pragmatismo e da incompetência que ela legitima.

O que estamos assistindo tende a se ampliar em 2014, ano da Copa e de eleições. Na oposição, há quem conspire contra a democracia. Sempre há. No governo, possivelmente o medo seja convocado para barrar a esperança. A história, então, se repetiria como farsa (dupla ironia). Estas são as dinâmicas que irão atrair o mundo antigo. Para as perspectivas do mundo em gestação, entretanto, os novos movimentos erguem questões centrais. Apontarão os protestos para a retomada da cidadania no Brasil? Para Bauman, o processo de individualização corroeu a cidadania, o que só pode ser contrastado pela ação coletiva. A experiência nos movimentos sociais permitiria o reencontro dos indivíduos com a esfera pública, onde se transita de consumidor a cidadão. O núcleo destes movimentos inventará nova organicidade? As formas “líquidas” de convocação e luta encontrarão portos - ainda que precários - que viabilizem o debate democrático (vale dizer: criterioso) e a escolha consciente de caminhos coletivos? Os movimentos serão capazes de se livrar da violência e de seus perigos? Cedo, ainda, para saber. É certo que os movimentos precisam se livrar dos “sem noção”, que acreditam nas pedras e no fogo, e também dos agentes infiltrados, interessados em regimes de pedra e fogo. O caminho para isso passa pela unificação dos protestos e por uma reforma política profunda. Afinal, é preciso passar o País a limpo e dar ao defunto sistema político seu merecido enterro. 


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*artigo publicado no Caderno de Cultura de Zero Hora deste sábado.

28 de junho de 2013

“Se quer destruir famílias, estas prisões estão boas”

Jörg Stippel, especialista alemão em assuntos carcerários

Especialista em assuntos carcerários, membro da Sociedade Alemã de Cooperação Internacional e diretor do programa Estado de Direito no Chile, o professor Jörg Stippel defende um sistema carcerário bem diferente do que existe no Brasil. Ele diz que a sociedade precisa se perguntar o que pretende com as prisões. “Se quer destruir famílias, criar mais delinquentes, a sociedade está bem com as prisões que tem. Mas, se quiser recuperar e reintegrar as pessoas, é preciso fazer outra coisa”. Nesta entrevista concedida durante o Encontro Teuto-brasileiro de Criminologia e Política Criminal, evento realizado em Foz do Iguaçu, promovido pela Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), no último mês, Stippel fala sobre o sistema carcerário brasileiro e alemão.
Quais são as diferenças entre o sistema carcerário do Brasil e da Alemanha?
Vocês têm muito mais presos. Três vezes mais. Estatisticamente, vocês têm 250 pessoas privadas da liberdade para cada 100 mil habitantes e nós temos 86. Aqui parece que a política confia muito mais na utilidade da prisão. Outra diferença diz respeito ao tratamento. O Brasil não vê o preso enquanto cidadão, trata como alguém que perdeu grande parte dos seus direitos. Na Alemanha, há mais liberdade para os presos, as penas são mais curtas e há mais pessoas para prestar assistência. Por exemplo, em uma penitenciária daqui havia uma psicóloga e dois assistentes sociais para 900 presos, o que não é suficiente. Na Alemanha há mais educadores, psicólogos e assistentes sociais. A pessoa, quando chega à prisão, em geral, tem dívidas, problemas com a família e, às vezes, a situação piora lá dentro. Por isso, é importante apoiá-las. E isto me parece que não acontece no Brasil.
A estrutura das prisões também é difente?
Aqui há grades como jaulas de leão nas celas. Na Alemanha, há portas e os funcionários respeitam a intimidade das pessoas. Os pátios das prisões daqui são desumanos, puro cimento, não há nenhuma planta. A pena é privativa de liberdade – não se deveria impor outros sofrimentos. Nas prisões alemãs há menos violência porque há um respeito mútuo entre as pessoas. A organização dos espaços também é diferente. Na Alemanha há espaços comuns, cozinhas entre as celas e os presos podem cozinhar.
Por que o sistema alemão tem menos detentos? Qual seria a saída para o Brasil?
Porque as penas são mais curtas. Na Alemanha, 90% dos presos cumprem penas de até cinco anos. No caso de homicídios normalmente são 15 anos. É preciso deixar a cadeia para crimes mais graves e individualizar a pena. Aqui todos os presos recebem o mesmo tratamento. Na Alemanha, existe o que chamamos de plano individual para o tratamento, ou seja, se faz um tipo de contrato. Se o preso cumprir o que ficou acordado, por exemplo, trabalhar, fazer um curso de capacitação, submeter-se a um tratamento antinarcótico, ele recebe benefícios e progride no tratamento. Assim, sabe que o espera. Isso também evita decepções e violência. Tudo é um pouco mais previsível e não é tão arbritário.
Dessa forma, pode-se afirmar que a qualidade das prisões e a organização do sistema afeta o índice de criminalidade?
O sistema no Brasil, como está hoje, é um incentivo à prisão. São escolas de delinquência. Claro, se os presos não têm o que fazer todos os dias, fazem planos, começam a brigar. Na Alemanha, não há emprego suficiente para os presos, mas se tenta conseguir trabalho. Os detentos trabalham, estudam, podem obter licenças para sair e estudar fora das prisões. Na Alemanha não é tão complicado planificar a execução porque as penas são mais curtas. Você pode planejar uma pena de dois, quatro anos, mas como se planeja 10, 15, 20 anos? Então é preciso ter penas mais curtas com um enfoque assistencial e não repressivo para que seja possível ressocializar. Aqui o enfoque é meramente repressivo.
No Brasil, há uma pressão da opinião pública para tratar os detentos com dureza, como o senhor avalia isso?
Isso acontece em todos os países. É um populismo penal usado pelos partidos de direita para fazer política. É preciso usar argumentos da acadêmica que digam o contrário, ou seja, mais penas produzem mais sofrimentos, mais gastos e mais delinquência. É preciso também que a academia elabore estudos que tenham propostas, sejam instrumentos para o sistema.

Dia 28 de junho dia Mundial do Orgulho LGBT


Em junho de 1969, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, lésbicas, gays, travestis e transexuais montavam barricadas nos arredores do bar Stonewa;; Inn para combater a repressão policial no que entrou para a história mundial como o primeiro levante que caracterizaria o Movimento LGBT moderno, em defesa da diversidade sexual, da identidade de gênero livre e de outra concepção da sexualidade humana. Agressões físicas e psicológicas, o fechamento de bares e locais de sociabilidade, batidas policiais, prisões arbitrárias e extorsão de dinheiro, entre outros abusos e em meio a uma conjuntura de polarização mundial, com a efervescência de movimentos contrários à guerra do Vietnã, à política belicosa do governo dos EUA, à perseguição a comunistas e anticapitalistas em geral, além do ascenso do movimento negro no país, entre outros fatores, ajudaram a compreender a revolta de Stonewall e seu caráter essencialmente subversivo.

Hoje, no Brasil, seguimos na luta pela igualdade de direitos, contra a homofobia, lesbofobia e transfobia! Fora Feliciano!

Para OAB, povo nas ruas quer cumprimento da Carta e não sua alteração

“A crise precisa encontrar soluções dentro do marco da Constituição de 1988; ela é o remédio”.

Brasília – O que o povo está exigindo hoje nas ruas é, principalmente, o cumprimento e a efetividade da Constituição Federal de 1988; ele não reivindica alterações na Carta, mas a efetivação dos direitos previstos por ela. Estas foram as conclusões a que chegaram nesta quinta-feira (27) o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcus Vinicius Furtado, e o medalha Rui Barbosa da entidade, o constitucionalista Paulo Bonavides, durante análise  sobre a atual conjuntura política brasileira, em especial das manifestações  de ruas.
“A OAB entende que é inconstitucional alterar a Constituição Federal seja para fazer o plebiscito ou a reforma política: não podemos correr o risco de se alterar o marco constitucional”, afirmou Marcus Vinicius Furtado. Segundo observou, essas medidas podem e devem ser adotadas, mas sem necessidade de mudança no texto constitucional, posição que - lembrou -  foi explicitada pela OAB e teve concordância da presidente Dilma Rousseff na reunião da última terça-feira, no Palácio do Planalto.
Para o jurista Paulo Bonavides, não existe uma crise constitucional no país e sim “uma crise de legitimidade nos poderes que grita aos olhos da população”. Segundo ele, o remédio para a crise está na própria Constituição brasileira e se resolve com legislação infraconstitucional. Lembrou que ele sugeriu, há tempos, que a população tivesse o poder de propor emendas constitucionais, assim como o presidente da República, as Assembleias Legislativas e as duas casas do Congresso Nacional, hoje os únicos poderes que contam com essa prerrogativa. “Mas a ideia não prosperou, o que mostra que a classe política está divorciada da Constituição e do aperfeiçoamento constitucional do País”, disse.
Paulo Bonavides concordou com a analise do presidente nacional da OAB e do presidente da Seccional da OAB do Ceará, Valdetário Monteiro, que também participou da reunião, de que as reivindicações surgidas nas manifestações seriam basicamente contempladas pelas disposições dos artigos 5º e 37 da Constituição de 88 – muitas das quais, contudo, carecem ainda de efetividade. O artigo 5º trata dos direitos e garantias fundamentais das pessoas, enquanto o 37 dispõe sobre a obediência que os poderes públicos devem prestar aos princípios da legalidade, da  impessoalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência.
“Para citar um ponto, a administração pública não tem observado, por exemplo, a aplicação do princípio da eficiência aos serviços públicos”, destacou Marcus Vinicius, lembrando que a OAB propôs nesta semana ao Supremo Tribiunal Federal (STF) uma ação direta de inconstitucionalidade por omissão (ADO nº 24) para que seja editada a Lei de Defesa dos Usuários dos Serviços Públicos, prevista desde 1998 pela Emenda Constitucional n. 19. Já Paulo Bonavides afirmou que " falta também uma disposição sobre o direito à moralidade administrativa, para combater a corrupção”.  
Durante a reunião, Marcus Vinicius prestou uma homenagem a Paulo Bonavides, que foi patrono do seminário 25 Anos da Constituição Federal de 1988, organizado pela OAB  no último dia 12, “por sua obra, sua grande contribuição ao Direito Constitucional e à democracia brasileira”. Por seu turno, o jurista o presenteou  com seus livros “Curso de Direito Constitucional”, na  20ª edição,  e “Do Estado Liberal ao Estado Social”, em sua 11ª edição. Da reunião participaram também o presidente da Seccional da OAB do Ceará, Valdetário Monteiro, e o advogado Ruy Samuel Espindola, presidente da comissão organizadora das comemorações de 25 anos da Constituição de 1988 da OAB.


Depoimento de Sílvio Mota


“Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!”

Era isso que eu ia cantando quando avancei contra a PM do Sr. Cid Gomes.
Por que avancei?
Em primeiro lugar, porque a polícia não se manteve nas barreiras e avançou para acabar com a manifestação. Uma manifestação pacífica, de cara limpa, em que tremulavam bandeiras dos movimentos sociais e até de partidos políticos.
Não é verdade que os manifestantes provocaram o enfrentamento.
A PM do Ceará mentiu, e a Rede Globo também.
A maior manipulação da Globo foi a de não seguir a linha do tempo, e apresentar imagens do final do conflito sem nada dizer das horas de bombardeio que sofremos.
Tenho 68 anos e limitações de locomoção, e estava sentado quando eu e minha esposa, também com 68 anos, fomos atingidos por artefatos de gás lacrimogênio. Estávamos longe da barreira, com vários trabalhadores, professores universitários, profissionais da saúde, e até militantes das Pastorais da Igreja Católica.
Minha esposa foi levada por jovens manifestantes para longe, a fim de ser tratada dos efeitos do gás. Eu fiquei, inclusive porque peso mais de 100 quilos. Estava aplicando uma esponjinha molhada de vinagre para poder respirar, mas vi uma jovem tão apavorada que passei minha esponja para ela.
Levantei-me indignado e avancei contra os escudos da barreira, de cara limpa, com a camisa contra a PEC 37. Os PMs ficaram confusos, mas logo avançou um oficial superprotegido por escudos e asseclas que mal podia falar.
Foi logo dizendo que eu não podia fazer aquilo, mas respondi que estava no meu direito de manifestar-me sem armas. Ele alegou que eu podia ser atingido por pedras, mas nenhuma foi arremessada contra mim. As poucas que havia no chão eram pequenas, e nenhum risco causavam a seus escudos e coletes. Disse-lhe que dispensava sua proteção, pois quem tinha me agredido era ele, e não pedras.
Ele voltou para sua linha de escudos.
Os jornalistas presentes logo me perguntaram se eu era promotor, e lhes disse que era juiz aposentado e meu nome. Até defendi o plebiscito proposto pela Presidenta Dilma.
O garboso oficial com seus escudos laterais saiu da linha de novo e disse que iria prender-me.
Disse-lhe que não podia fazer isso porque eu era um magistrado vitalício e não estava cometendo nenhum crime. Exibi-lhe minha carteira funcional, e ele disse que não ia me prender, mas que ia prender a um senhor militante do MST que tinha avançado para meu lado para proteger-me e estava usando a camisa do movimento. Disse-lhe então que iria com ele, e na confusão o camponês correu e o garboso oficial não teve coragem de abandonar a linha para persegui-lo.
Dei-lhe as costas e voltei para a meninada, que já estava mais calma, mas então ele teve coragem de mandar dísparar pelos menos cinco artefatos de gás nas minhas costas. Os meninos apagaram quatro deles em baldes de água, e um quinto me atingiu no meio das costas. Caiu no chão e chutei para o lado. É bom saber: nunca dê as costas para uma hiena.
Depois de voltar para a manifestação encontrei minha mulher, ficamos ainda algum tempo aguentando gás lançado contra nós sem motivo, em trajetórias de longo alcance e ainda deu tempo para sair com nosso carro e almoçarmos em um restaurante (o que tinha que fazer com urgência, pois já eram duas da tarde e sou diabético).
Só então tivemos notícias dos confrontos mostrados nas imagens da Globo, por celular.

Sílvio Mota
Magistrado Federal

27 de junho de 2013

Texto do meu pai João Carlos Prestes sobre as Mobilizações

Lendo o artigo abaixo, começo a lembrar algumas coisas e acrescento ao lado dos "meus vizinhos", os pequenos agricultores familiares, com os quais ao longo dos anos 80 e 90 nos solidarizamos e nos mobilizamos, para mudar a realidade do crédito rural, do êxodo rural e da política de preços dos produtos... dos bancários e metalúrgicos que graças a luta difícil, sem os recursos de hoje e com a resistência e perseguição da época garantiram avanços e, sobretudo, mantiveram o Banco do Brasil e outros, públicos  e agentes do desenvolvimento nacional... dos sem-terra que já conquistaram seu pedaço de terra e, em muitos municípios mudaram a cara da produção local; dos filhos destes que eram crianças acampadas às quais reuníamos alimentos, através do nosso "grupo de protesto da época" e hoje depois de mais de 15 anos são belos jovens servindo o alimento produzido por suas famílias, como tenho o privilégio de constatar quando vou em uma festa do assentamento, como é o caso de Nova Santa Rita e Capela de Santana (lá também tem um assentado que era um zé-ninguém da Barrinha, em Seberi, que hoje produz quase mil sacas de arroz irrigado por ano).

Quando fizemos o ginásio, tinha quase o dobro de habitantes no meio rural, mas a Kombi que o pai nos levava era suficiente para recolher os estudantes de pelo menos três comunidades. Fomos privilegiados. No segundo grau e faculdade, então bem mais difícil. Atualmente fico impressionado com a frota de ônibus e micro-ônibus do município, exclusivo para transportar estudantes.

Nem dá pra comparar, o que mudou para a maioria e isso é o que importa. Óbvio que algumas pessoas estão incomodadas com a ascenção de outras, mas boa parte dos capitalistas está adorando o crescimento do capacidade de consumo (e, em alguns aspectos isso significa mais cidadania) de milhões de brasileiros.

... de tantos outros que lembro como estavam e como se sentiam há pouco mais de 10 anos e como estão em outra realidade hoje...
Quanta coisa se conquistou, ao comparar os limites da época...
- Certa vez, no tempo que o diretor nomeado pela ditadura militar, estávamos num curso da pastoral da juventude e um pedaço do hino à independência ficou escrito no quadro da sala de aula; a frase "ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil" e deu o que falar na semana seguinte... tivemos que dar explicações!

- Outra vez nos mobilizamos na sala de aula, isso nos anos 80 e propomos levar a seguinte faixa no desfile de sete de setembro: "A pátria será amada quando o homem for amado". Imagine o rebuliço. A diretora veio na nossa sala de aula e chorou literalmente (lágrimas de crocodilo), para que nós não fizesse isso... E não foi permitido.

- Vocês precisam ver a poesia que eu fiz e decorrei ao longo de mais de um mês e depois, na véspera da hora cívica a diretora proibiu a mesma informando a professora de Português (Nídia) que veio aos prantos me avisar..... naquela noite, tirando um outro momento (que um dia te conto), cantei o hino nacional mais arrepiado da minha vida.... É água com açúcar, perto dos e-mail mal-educados (e muitos sem fundamento) que recebo.

- Andávamos pelo interior fazendo reuniões com os jovens. Vocês não imaginam a miséria, o abandono que era. Mais tarde, com os colegas do banco e outras pessoas  formamos o comitê da cidadania (lembram do Betinho e da campanha contra a fome). Fome?  Que é isso? Essa gurizada tem ideia de como era o nosso país. Se contar que a gasolina chagava a aumentar três vezes por mês... inflação da mais de 30% ao mês. 

Nada de saudosismo e conformismo pra dizer que está tudo bem. Nada disso. O Brasil mudou muito, mas tem que continuar... tem que avançar. Tem que eliminar a corrupção que é como um câncer que aflige a nação...

Naquela época milhões de brasileiros passavam fome, o acesso ao ensino de segundo grau e superior era pra uma minoria mesmo.... o Brasil é outro e fico esperançoso que tem gente nas ruas, mas dá medo ao pensar que pode ser um golpe pra tirar/desqualificar Lula e Dilma, e voltar ao modelo neo-liberal ou a ditadura.

Talvez muitos lutadores estavam cansados... e andaram tirando um cochilo, mas realmente não podemos adormecer!

O curioso é que tem muita gente que se considera altamente politizado quando está na frente de um computador, mas que foi no mínimo ingênuo e alienado nos momentos mais difíceis que o país passou... que ignorou o que se passava... que achava que estava tudo bem, que não tinha roubo... mas que agora, graças a democracia conquistada à duras penas, foi possível revelar muitas coisas. E está sendo possível questionar, investigar e melhorar.

Talvez muita gente boa, deu uma cochilada, enrolou as bandeiras e aí os oportunistas foram ocupando espaços e amealharam outros em esquemas já crônicos.... por isso é bom que se aproveite esse levante popular para oxigenar a política, para retomar muitas bandeiras de lutas e, sobretudo para cuidar para que, o oportunismo e o fascismo (que já se observa), desqualifique de tal modo as organizações democráticas que temos (e que precisam ser mais democráticas ainda), criem o terreno propício para os salvadores da pátria e disfarçados de caçadores de marajás.

Teria muito mais para escrever, mas tenho tantas coisas para fazer e oportunidades que jamais imaginei que em cerca de 10 anos poderiam ter acontecido...
Mas não me provoquem... daí escrevo livros! E faço quilômetros de caminhadas!
Quem sabe a gente se encontra na rua por aí... com propostas bem claras e compromisso de agir depois... você vai?
Vou começar a desenrolar as bandeiras que com muito orgulho eu (e milhões!) empunhamos!
Abraço.
João Carlos Prestes.

Artigo:

O protesto, a baderna e o resto

Não há nada de interessante no ‘despertar do gigante’. Na verdade, ele só despertará mesmo se mudarem as caras dos manifestantes e os meus vizinhos começarem a reclamar da falta de dinheiro. O que me incomoda, fora o discurso da mídia conservadora, é que tem uma brisa fascista circulando pelo Brasil. 

Por Najar Tubino, de Porto Alegre 

Vou começar pelo resto. Dia 20 de junho, uma quinta-feira, pensei em assistir a um filme na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. Quinta é o dia da promoção – R$5,00 por cabeça. Eu raramente vou ao centro da cidade. Sou totalmente radical quanto a pagar passagem de ônibus. Dependendo da distância a ser percorrida, vou a pé. Por exemplo, de onde moro, no alto da Avenida Oscar Pereira, um bairro de periferia, ou como se diz em Porto Alegre, uma vila, até o centro são duas horas de caminhada. Até a casa da minha mãe, que fica no bairro Teresópolis, são 50 minutos, sempre considerando apenas a ida. Lógico que não tenho carro, muito menos dirijo. Considero esta invenção da sociedade industrial uma das maiores causas da crise ambiental que vivemos.

Continuando no relato da quinta-feira. Eram 15h20, entramos em um bazar na Rua da Praia, perto da Casa de Cultura para comprar bala de hortelã. Junto com minha mulher, que está de férias. Na porta do bazar um segurança já com a mão na porta, a meio pau. Claro que eu sabia que estava marcado mais um protesto na cidade, em frente à sede da prefeitura. Mas fora do trajeto normal de manifestações. Os veículos de comunicação da cidade anunciavam desde cedo que o comércio fecharia às 16h. Quando chegamos à Casa de Cultura, a funcionária da portaria da sala de cinema estava abrindo a porta. 

A correria aumentava
Perguntei: ainda não abriu a bilheteria? Ela respondeu: não haverá sessão. Qual o motivo: hoje tem protesto. Prejuízo total, gastamos quatro passagens de ônibus, e não veremos o filme. Restaram as balas, ainda brinquei com a Lucy. Vamos voltar. E aí começaram os problemas. Já eram 15h40. A correria aumentava. Todos queriam chegar aos terminais, que no nosso caso ficam na calçada na principal via que chega ao centro, onde os manifestantes depois percorrerão. Não existe integração de ônibus como em Campo Grande, onde os terminais recebem o grande fluxo de passageiro, depois as linhas de bairro levam até os pontos mais distantes. Só se paga uma passagem. Em POA, paga-se metade da passagem na próxima meia-hora, se o sujeito entrar em um ônibus. Passando disso, pagam-se duas passagens.

É claro que nesta hora as empresas começam a retirar os ônibus de circulação. Não querem prejuízo com a “baderna”, como dizem meus vizinhos. Dia de protesto virou “dia de baderna”, para o povo simples do bairro, onde a maioria das mulheres trabalha no setor de serviços, como dizem os economistas. Ou seja: ou são diaristas, ou são domésticas. O ônibus demorou cerca de 20 minutos. As paradas estavam lotadas, como ocorre normalmente no horário de pico, no final da tarde, ao redor de 18 horas. A Lucy volta para casa nesta hora – depois de chegar ao centro, usando o trem de superfície de POA, porque ela trabalha do outro lado da cidade.

Vai bombar
Para encurtar: a paranoia estava solta. Todo mundo assustado, porque o protesto, ou “a baderna”, como a toda hora repetia o cobrador, já ia começar. O cobrador do ônibus conhece os moradores. Cita os casos dos outros protestos, quando o veículo deles ficou parado no meio da passeata. No banco de trás, um casal de jovens falava que o protesto ia “bombar”. E ficavam comentando as fotos no celular. Pelo jeito, eles abdicaram de participar, porque iam para algum lugar namorar. Ficavam ligando: dá para ir prá aí, dizia o namorado, estou com a Jamile. Em seguida, comentava: “o meu iphone ainda não chegou, a mulher da loja, queria que eu fizesse o depósito da entrada”.

O ônibus está com 152 passageiros anunciava o cobrador e pedia para o pessoal ir para o fundo do corredor. O trânsito parado. Porto Alegre tem 1,3 milhão de habitantes e por volta de 700 mil carros. A viagem, normalmente dura 30 minutos, no máximo. Levamos o dobro.

Fiquei impressionado com a associação: dia de protesto é dia de baderna. Se tinha 15 mil no protesto, nos bairros vizinhos daqui, a população deve ser muito maior. E aqui não tem burguês, embora muita gente apresente um perfil de classe média, não apenas de classe C. No mercadinho do bairro, hoje, o comentário era: será que haverá “baderna” novamente. Muita gente só conseguiu chegar em casa às 20h30min. Levaram três horas. Na volta assisti o desfile de “Expressos”, veículos que estavam recolhendo para a garagem.

Investigação primária
A questão é a seguinte: o protesto é justo, a organização e a participação de jovens, de velhos, de meia-idade, de crianças, fazem bem para o país. Mas e o resto? Não só quem não quer participar, mas quem está com medo. E o resultado está nas imagens da televisão. Mais de 25 lojas saqueadas, agências destruídas, a mesma loja na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua Azenha destruída pela segunda vez, a poucos metros da sede da Polícia Federal, e também da sede do grupo RBS, o conglomerado que comanda a comunicação nos estados do RS e SC. 

Não adianta os governantes atribuírem as depredações aos vândalos e baderneiros, como costuma definir a rede Globo. Eles também são brasileiros, tem endereço fixo. Pela rapidez que desaparecem só posso concluir que moram nos bairros centrais. Para ficar até às 2 horas da manhã na rua, qualquer cidadão simples, sem carro, vai ter que esperar até às 5horas, no mínimo, para poder voltar. No caso da minha região. Em outros bairros circulam os ônibus chamados de “madrugadão”. Ou seja, qualquer investigação primária localizaria os responsáveis. 

Se os protestos atuais levaram a uma onda de mobilização de “jovens”, de brasileiros que estavam “dormindo” e acordaram agora, em pleno século XXI, depois de 30 anos de democracia, vou confessar uma coisa. Tenho quase 58 anos, já morei em Maceió, Natal, São Paulo, Campo Grande, e estou de volta a Porto Alegre, cidade onde nasci. Enfim, me considero realmente um brasileiro, nem por isso, fico cantando toda hora o refrão da parada de sucesso. Considero demagógico. Trabalho muito por esse país, desde a época da ditadura, quando aos 20 anos iniciei na profissão de jornalista, em 1975. Em 1979, aos 24 anos, ganhei três prêmios reportagem e vivia ameaçado de morte.

Recordações da ditadura
Ganhei um Prêmio Esso, pelo COOJORNAL, órgão da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre, pela entrevista com o coronel Jefferson Cardim Alencar Osório e o sargento Albery Silva. Os dois haviam liderado a primeira tentativa de guerrilha no Brasil em 1965, quando entraram em Três Passos (RS) e declararam o início da “Revolução”. Conseguiram chegar até o Paraná. O depoimento foi gravado na COOJORNAL junto com os jornalistas Elmar Bones e Osmar Trindade, já falecido. O contato foi feito pelo historiador Décio Bergamaschi Freitas, também falecido, ex-procurador do governo João Goulart. Convivi muito com ele. E, durante 15 dias, com o sargento Albery, que na época ainda continuava clandestino, com nome falso e uma carteira de inspetor de quarteirão do Paraná. Ele tinha perdido um irmão e um tio naquele episódio. Albery conhecia todos os movimentos de guerrilha da América Latina e tinha contatos em todo o país. Foi morto no Paraná, posteriormente, acredito eu que por agentes das forças de segurança do Brasil. Isso ocorreu depois da anistia.

Também ganhei um Prêmio Vladimir Herzog porque reescrevi a história da morte do primeiro preso político no Brasil, o chamado “Caso Mãos Amarradas”, sobre a história do sargento Manoel Raimundo Soares, morto em Porto Alegre e jogado no Guaíba, com as mãos atadas. O terceiro foi um prêmio de Agricultura da Associação Rio-Grandense de Imprensa. Trabalhei com jornalismo investigativo até o início dos anos 1980. Parei porque não havia mais alternativas, nem emprego, embora nunca tenha me interessado por este tipo de ligação profissional.

Nesta época também publicava minhas reportagens na revista ISTO É, na época do Mino Carta. Duas provocaram reação do aparato de segurança da ditadura: sobre o sequestro dos uruguaios Liliam Celiberti e Universindo Dias, onde citava a família Reis como uma dinastia que dominava a polícia gaúcha – Marco Aurélio Reis era diretor do DOPS e Leônidas da Silva Reis o Superintendente da Polícia Civil. E um perfil da “Escuderia Falcão”, um grupo de policiais ligado a “Escuderia Le Coq”, do Espírito Santo, conhecida por assassinatos generalizados e atribuídos sempre ao “Esquadrão da Morte”. Em consequência disso fiquei na linha de tiro durante muito tempo. A reportagem sobre os uruguaios era realizado por um “pool” de jornalistas. A minha participação maior foi ir à casa de um policial da Divisão de Informações da Secretaria de Segurança, junto com o tenente da Aeronáutica, Mário Ranciaro, que tinha uma obsessão por revelar a participação de outro militar na morte do sargento Manoel Raimundo Soares. Ranciaro me apresentou como amigo de um sobrinho dele, que era advogado. No meio da conversa, ele perguntou sobre a operação.

O policial respondeu: “eles montaram um bureau de informações com o DOI-CODI e vieram dois majores do Uruguai”. A informação foi publicada na revista VEJA citando uma “alta fonte da Secretaria de Segurança", e distribuída pelas agências de notícias. Na segunda-feira seguinte, o delegado Edgar Fuchs, da Polícia Federal ligou para mim no COOJORNAL: 

“Tubino, tu queres vir aqui amanhã às 9h ou quer que eu mande um convite”.

Claro que fui bastante assustado. Eles queriam saber quem era a fonte que havia me informado sobre o “bureau". Disseram que seguiam meus passos, literalmente, local por local, junto com o Ranciaro. Depois de três horas de pressão, às vezes, com consultas ao coronel, acho que era Maksem de Castro, superintendente da Federal na época. A certa altura até o advogado do Sindicato dos Jornalistas, Werner Becker queria que eu falasse o nome do sujeito. Não falei, e não falo ainda hoje, porque fonte não se revela nunca.

Lembro-me disso agora porque não estou achando nada de interessante esse “despertar do gigante”, que conta com uma população 200 milhões de habitantes, e por enquanto, ainda tem desemprego baixo e economia em crescimento. Se mudarem as caras dos manifestantes e os meus vizinhos começarem a reclamar da falta de dinheiro, aí certamente o gigante vai se apresentar. O que me incomoda, fora o discurso da mídia conservadora, é que tem uma brisa fascista circulando pelo Brasil.

Ex-delinquente juvenil conta como se tornou empresário multimilionário


Ryan Blair foi detido mais de 10 vezes quando jovem.
Com um histórico familiar de drogas e abuso por parte de seu pai, Ryan Blair entrou cedo, aos 13 anos, no mundo do crime. Mas conseguiu sair para se tornar presidente de uma empresa avaliada em US$ 600 milhões.
"Pensei que iria para a prisão. Meus irmãos e irmãs já tinham ido. E eu costumava ser detido e ir para os centros para menores delinquentes", conta o americano Blair, que foi detido mais de 10 vezes, à BBC.
"O fundo do poço foi quando eu estava nestes centros de menores e vi ali um homem de uns 70, 80 anos de idade que acabara de ser condenado, porque eles misturam jovens a adultos quando todos vão a julgamento. Pensei que me tornarei aquilo."
A partir daquele momento, sem ter uma solução à vista, Blair decidiu pedir clemência ao juiz, prestes a sentenciá-lo a quatro anos de prisão, o que, segundo o ex-menor infrator, o "teria condenado a uma carreira criminosa".
"Escrevi a ele uma carta implorando por leniência e prometendo uma mudança em meu comportamento. E ele disse: 'Ryan, você deveria estar escrevendo do assento de uma universidade. Essa foi a melhor carta de apelo que já recebi. Você deveria ser um escritor.'"
'Tudo a ganhar'
E foi o que ocorreu. O juiz mostrou clemência, Ryan não foi para a prisão, teve uma oportunidade de trabalho através do namorado de sua mãe e acabou ingressando no mundo dos negócios.
Em 2011, lançou um livro que acabou entrando na lista dos cinco mais vendidos nos Estados Unidos, Nothing to Lose, Everything to Gain: How I Went from Gang Member to Multimillionaire Entrepreneur ("Nada a perder, tudo a ganhar: Como deixei de ser membro de uma gangue e me tornei um empreendedor multimilionário", em tradução livre).
"Todo indivíduo quer fazer as coisas melhor. E as pessoas cometem erros toda hora. Mas a vida serve para isso, para que as pessoas tenham uma segunda chance. E aquele juiz me deu uma segunda chance. Eu aproveitei."
Blair passou a dar palestras em prisões e casas de correção para menores e também para serviços de caridade. Ele afirma que o primeiro conselho que dá a menores infratores é para que se afastem das gangues na vizinhança onde moram.
"A melhor maneira de fazer isso é arrumando um trabalho de fim de semana, de preferência à noite, que é quando as gangues costumam agir. Então, é preciso ter uma atividade que afaste o jovem das gangues."
Ele também aconselha que, assim que conseguirem guardar dinheiro suficiente, estes jovens deixem o local onde vivem.
"Recomendo que mudem para um lugar em que ninguém os conhece, em que as pessoas não sabem da má reputação que o jovem tem."
Atualmente, Ryan Blair dirige uma empresa que produz comida para pessoas que precisam perder peso, avaliada em US$ 600 milhões.

BBC

Caminho


Conviver, é indubitavelmente aprender com cada erro, com cada experiência. É adentrar num novo caminho sem titubear, e assim, seguir na mesma direção e certeza do primeiro passo. É causar a dúvida dentro de si, e não saber respondê-la; é procurar respostas e não encontrá-las; é ter a sabedoria de escolher com apenas um sentido, sem perdê-lo de vista. Talvez, às vezes, precisamos apenas de um verbo intransitivo para conjugar conforme à vontade. 

Luís Octávio Outeiral Velho 27/06/13.

Verdade, Memória e Justiça


"Meu nome é Maria Sophia Fonteles de Lima.

Não conheci meu avô porque foi morto por fascistas como

 Wolfgang Endeman."



26 de junho de 2013

Uma em cada três mulheres sofre violência doméstica

http://hypescience.com/oms-diz-que-um-terco-das-mulheres-no-mundo-sofre-violencia-domestica/

Cerca de um terço das mulheres em todo o mundo já foram agredidas fisicamente ou sexualmente por um ex ou atual parceiro.
A conclusão é de uma revisão de uma série de artigos feita pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Especialistas também estimam que cerca de 40% das mulheres assassinadas no mundo foram mortas por um parceiro íntimo, e que ser agredida por um parceiro é o tipo mais comum de violência sofrida pelas mulheres.
“A violência contra as mulheres é um problema global de saúde de proporções epidêmicas”, afirma a diretora geral da OMS, Dra. Margaret Chan.

A revisão

A OMS definiu a violência física como ser golpeada, empurrada, perfurada, sufocada ou atacada com uma arma. Violência sexual foi definida como ser fisicamente forçada a ter relações sexuais, ter relações sexuais porque está com medo do que seu parceiro possa fazer e ser obrigada a fazer algum ato sexual considerado humilhante ou degradante.
Quanto a violência doméstica, os cientistas analisaram informações de 86 países com foco em mulheres com mais de 15 anos de idade. Eles também avaliaram estudos de 56 países sobre a violência sexual feita por alguém que não fosse um parceiro, embora não tivessem dados do Oriente Médio.
O relatório descobriu que cerca de 7% das mulheres em todo o mundo já tinham sido vítimas de violência por parte de alguém que não era um parceiro.
Globalmente, a OMS descobriu que 30% das mulheres são afetadas por violência doméstica ou sexual vinda de um parceiro. O relatório foi baseado em grande parte em estudos de 1983 a 2010.
De acordo com as Nações Unidas, mais de 600 milhões de mulheres vivem em países onde a violência doméstica não é considerada um crime.
A taxa de violência doméstica contra as mulheres foi maior na África, no Oriente Médio e no Sudeste da Ásia, onde 37% das mulheres sofreram violência física ou sexual de um parceiro em algum momento de sua vida. A taxa foi de 30% na América Latina e na América do Sul, e 23% na América do Norte. Na Europa e na Ásia, foi de 25%.

Em um artigo relacionado publicado online na revista Lancet, os pesquisadores descobriram que mais de 38% das mulheres assassinadas no mundo são mortas por um ex-parceiro ou atual, número seis vezes maior do que a taxa de homens assassinados por suas parceiras.
Heidi Stoeckl, uma das autoras deste estudo, disse que os números podem ser ainda maiores. Ela e seus colegas descobriram que, globalmente, o maior risco de assassinato de uma mulher vêm de um atual ou ex-parceiro.

Em países como a Índia, mulheres são muitas vezes assassinadas por conta de “crimes de honra”, como infidelidade, ou devido a disputas por dotes. Nestes casos, segundo Stoeckl, o assassinato serve para “proteger a reputação da família”.
Ela também observou que mulheres e homens são muitas vezes mortos por seus parceiros por motivos diferentes. “Quando uma mulher mata seu parceiro, geralmente é autodefesa, porque ela foi abusada”, disse. “Mas quando uma mulher é assassinada, é muitas vezes depois que ela resolveu terminar o relacionamento e o homem mata por ciúmes ou raiva”.

Prevenção é importante

Em conjunto com o relatório, a OMS emitiu orientações para as autoridades detectarem esses tipos de problemas mais cedo do que costumam.
Os especialistas disseram, por exemplo, que todos os profissionais de saúde devem ser treinados para reconhecer quando as mulheres podem estar em risco e como responder de forma adequada.
Alguns especialistas dizem que a triagem para a violência doméstica deve ser adicionada a todos os níveis de cuidados de saúde, como clínicas obstétricas.
“É improvável que alguém entre em um hospital para informar que foi atacada”, disse Sheila Sprague, da Universidade McMaster, no Canadá, que pesquisou a violência doméstica em mulheres em clínicas ortopédicas. “Com o tempo, no entanto, se as mulheres entram em uma clínica para tratar uma fratura ou uma clínica de pré-natal, elas podem dizer que estão sofrendo abuso, se você perguntar”, argumentou.
Stoeckl disse que as autoridades da justiça criminal devem intervir numa fase mais precoce. “Quando uma mulher é assassinada por um parceiro, ela muitas vezes já teve contato com a polícia”, disse ela.
Mais medidas de proteção devem ser tomadas nesses casos, principalmente quando ele ou ela tem um histórico de violência e possui uma arma. “Há sinais suficientes pelos quais devemos procurar”, afirma.

O que fazer em caso de violência doméstica ou sexual

Segundo a pesquisa Percepções sobre a Violência Doméstica contra a Mulher no Brasil, realizada pelo Instituto Avon / Ipsos entre 31 de janeiro a 10 de fevereiro de 2011, seis em cada dez brasileiros conhecem alguma mulher que foi vítima de violência doméstica.
No Brasil, as mulheres são protegidas pela Lei Maria da Penha. Mesmo que a própria vítima não denuncie o abuso ou acuse o perpetrador, pessoas que sabem de algum caso de violência doméstica e sexual podem denunciar.
Ainda segundo a pesquisa do Instituto Avon / Ipsos, 94% das pessoas conhecem a Lei Maria da Penha, mas apenas 13% sabem seu conteúdo. A maioria das pessoas (60%) pensa que, ao ser denunciado, o agressor vai preso.
A lei garante a proteção da mulher que sofreu violência, mas depois do registro da ocorrência, a autoridade precisa ouvir ambas as partes e colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato.
Segundo levantamento realizado em 2011 pela Pesquisa DataSenado, o medo continua sendo a razão principal (68%) para evitar a denúncia dos agressores. Em 66% dos casos, os responsáveis pelas agressões foram os maridos ou companheiros.
Enquanto isso, a pesquisa Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado feita em 2010 pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC afirma que uma em cada cinco mulheres consideram já ter sofrido alguma vez “algum tipo de violência de parte de algum homem, conhecido ou desconhecido”.
Diante desses números e do desconhecimento da lei por muitas mulheres, é dever de quem tem o conhecimento ajudar. Caso você tenha sido vítima de qualquer abuso ou conheça alguém que foi, denuncie.
A Lei Maria da Penha prevê cinco tipos de agressão contra a mulher:
  • Violência física;
  • Violência psicológica;
  • Violência sexual;
  • Violência patrimonial;
  • Violência moral.
Qualquer uma dessas agressões contra a mulher deve ser denunciada na Central de Atendimento à Mulher através do número 180, que funciona 24 horas por dia. O anonimato da vítima ou de quem faz a denúncia de agressão é garantido.
A denúncia pode ser feita pela mulher ou qualquer pessoa próxima a ela. A Central de Atendimento à Mulher oferece informações sobre a Lei Maria da Penha e atendimento psicológico, jurídico e social à vítima, além de orientar sobre como agir e procurar ajuda.
A mulher agredida também pode ligar para a polícia no 190, ou prestar queixa em qualquer delegacia, para depois pedir que seu caso seja encaminhado a uma Delegacia de Defesa da Mulher.
O número 100 também é um disque-denúncia e ajuda em casos de agressões sexuais contra crianças e adolescentes, tráfico de mulheres e pornografia infantil.
Para saber mais sobre o conteúdo da Lei Maria da Penha, clique aqui.[MedicalXpress,APGPortalBrasilR7]

Pela redução imediata do preço da passagem em Santa Maria!

DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES - UFSM

Posted: 25 Jun 2013 02:02 PM PDT
         O transporte público deve ser reconhecido como direito básico da população para ter acesso à educação, saúde, trabalho, cultura e lazer. Dessa forma, as tarifas elevadas acabam por limitar o acesso da população à cidade e aos seus direitos.
 
Em Santa Maria, nos últimos anos, houve vários aumentos abusivos no valor da passagem, porém,continuamos com serviços precários: ônibus superlotados, falta de horários, paradas precárias, horários reduzidos e poucos pontos de atendimento, etc. 
 
Há tempos denunciamos que o transporte público em Santa Maria serve ao enriquecimento dos empresários do setor e não a garantia dos direitos dos santa-marienses. O poder público é omisso, não cumprindo a fiscalização dos serviços, embora existam denúncias de irregularidades. Nesse sentido, as empresas continuam prestando o serviço sem licitação, em evidente afronta à Constituição. 
 
Em relação ao cálculo da tarifa, existem questionamentos desde, pelo menos, o ano de 2006 quando o professor de economia da UFSM Ricardo Rondinel apontou várias irregularidades, como dados maquiados pelas empresas, índices desatualizados, lucros omitidos do cálculo (publicidade nos veículos), etc. 
 
A planilha utilizada em Santa Maria é com base na viciada metodologia do GEIPOT. Na cidade de Teresina, o Ministério Público do Estado do Piauí apontou no ano de 2011 os vícios que essa planilha contém, indicando que a mesma não deve ser utilizada (http://www.mp.pi.gov.br/). Devido esse apontamento, as tarifas foram reduzidas na cidade de Teresina. Não vamos pagar uma tarifa superfaturada!!!

Além disso, ocorreu em muitas cidades do país a redução da passagem devido a desoneração de impostos, por meio da lei federal 12715/2012 e da Medida Provisória 617 que zera o PIS/COFINS do transporte. Segundo o governo federal, a média de redução é de 0,20 centavos (http://oglobo.globo.com/pais/governo-diz-que-desoneracoes-permitem-que-estados-municipios-reduzam-tarifas-de-onibus). Cadê a redução em Santa Maria??A passagem em Santa Maria já é mais cara que em 13 capitais no Brasil!

Diante desses fatos, cobramos do prefeito César Schirmer a redução imediata da passagem de ônibus em Santa Maria para R$ 2,00!

25 de junho de 2013

Manuel Castells: por um Brasil que desconhecemos

Manuel Castells: por um Brasil que desconhecemos.

"Todos estes movimentos, como os movimentos sociais na história, são, sobretudo, emocionais. Não são pontualmente reivindicativos. Não é o transporte. Em algum momento, há um fato que provoca a indignação - por isso, meu livro se chama 'Redes de indignação e esperança' - provoca a indignação e, então, ao sentir a possibilidade de estarem juntos, ao sentir que há muitas pessoas que pensam o mesmo fora do âmbito institucional, surge a esperança de fazer algo diferente. O quê? Não se sabe. Mas, com certeza não é o que está aí. Certamente, é outra coisa. Porque, o fundamental, recordo-lhes, é que os cidadãos, em sua grande maioria, não se sentem representados pelas instituições democráticas. Não estão contra a democracia. Não é a velha história da democracia, não é. 

Eles são contra esta precisa prática democrática em que a classe política se apropria da representação, não presta contas em nenhum momento e justifica qualquer coisa em função dos interesses que realmente interessam ao Estado e à classe política - ou seja, os interesses econômicos, tecnológicos e culturais - a estes sim a classe política tem respeito. Ela não respeita os cidadãos. Não é minha opinião. É isso que os cidadãos sentem e pensam: que eles não são respeitados."

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"Não está entendendo nada" - Juremir Machado

Texto publicado por Juremir Machado em Correio do Povo
Postado por Juremir em 25 de junho de 2013 - Uncategorized
Boa notícia para os adversários do governo Dilma: as manifestações são também contra os excessos do petismo no poder. Má notícia para os adversários do governo Dilma: as manifestações não são a favor deles. Não está entendendo nada dos protestos quem acha que pode se apropriar deles em nome das velhas disputas políticas. Não está entendendo nada quem acha que os jovens estão nas ruas em defesa de “pautas conservadoras”, saudades da ditadura militar e contra partidos.
As manifestações são contra o modo como os partidos se comportam, não são pela extinção de todos os partidos e do fim da representação. São contras esses partidos que estão aí e como atuam.
Não está entendendo nada quem acha que as manifestações são contra o Bolsa-Família, o ProUni, as cotas, o Minha Casa Minha Vida, o Brasil Carinhoso e outros programas sociais. Elas são contra os gastos absurdos com a Copa do Mundo, contra os aumentos das passagens de ônibus, contra a falta de hospitais e de escolas, contra os privilégios dos três poderes, contra o cinismo dos políticos, contra as alianças espúrias do petismo, contra o carguismo do PMDB, contra gente como Renan Calheiros na presidência do Senado, contra o modelo atual de fazer política e de ganhar eleições, contra a privataria no estilo praticado pelos tucanos e contra um sistema de toma-lá-dá-cá generalizado e suprapartidário.
Ao contrário do que diz o petismo apavorado, querendo parar as manifestações com a chantagem da apropriação pela direita, que ocorre na mídia e na cabeça dos que ficam em casa e tentam tirar proveito depois dos fatos, não há nos protestos bandeiras do tipo em favor da “cura gay” ou demandas controvertidas como em defesa da ardilosa PEC 37 da impunidade. A galera que está apanhando da polícia, mesmo sem fazer parte da minoria do vandalismo, não se manifesta pela volta dos tucanos nem desfila em nome do repentinamente catalogado de governador de ouro da política nacional, o pernambucano Eduardo Campos. Tampouco de Joaquim Barbosa.
Não está está entendendo nada quem acha que vai controlar o jogo.
A gurizada que tem tomado as ruas está em luta contra a corrupção, que não apresenta como uma novidade no Brasil, mas como uma praga histórica sempre renovada. Essa juventude de peito de aberto não aceita mais chantagem. Não é porque o governo produziu alguns avanços sociais que tem o direito de unir-se ao que há de pior, bancar velhos larápios, reproduzir o que sempre condenou e refestelar-se na imoralidade. Não está entendendo nada quem acha que a turma se dará por satisfeita com mais do mesmo em versão anterior ou com mais de um pior em termos sociais que ficou para trás. É o novo que se busca na rua. É a igualdade de direitos e deveres. Por que juízes têm dois meses de férias por ano? Por que o judiciário ganha auxílio-moradia e auxílio alimentação retroativos?
Por que mulheres de ministros do STF recebem passagem em primeira classe para acompanhar os maridos? É desse tipo de coisa que os rebelados do facebook não querem mais saber. Disso e de estádios pomposos e inúteis. Boa notícia para os adversários do governo: o petismo não está entendendo nada. Má notícia para os adversários do governo: eles também não estão entendendo.