30 de junho de 2012


"Cresci no meio de livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que se desfaziam em pó, cujo cheiro ainda conservo nas mãos"

(Carlos Ruiz Zafon)



20 de junho de 2012


"Biblioteca Beinecke de Manuscritos e Livros Raros da Universidade de Yale, New Haven nos Estados Unidos. Nessa biblioteca que se encontra o Manuscrito Voynich, conhecido como o "manuscrito mais misterioso do mundo".

11 de junho de 2012

Porque Não Vale a Pena Sofrer Por Alguém Que Te Faz Sofrer


Estima-se que o planeta Terra hoje possui aproximadamente sete bilhões de habitantes. Tristemente, alguns desses morrerão enquanto estiver lendo este texto, mas com imenso prazer e tesão, informo que em alguma cama bem próxima a você existem pessoas totalmente nuas, trabalhando duro e suando para que bebês com cara de joelho nasçam em prováveis nove meses.Haja fralda!
Gosto de pensar nessas tantas pessoas, me faz bem. Não conheço nada mais interessante do que gente. Quando posso, passo a madrugada inteira olhando as luzes acesas dos muitos lares que me rodeiam, pensando no quanto é gostoso saber que em algumas dessas casas moram camisolas bem fininhas e maliciosamente esvoaçantes.
Fico feliz de verdade quando dou conta de que por trás das inúmeras janelinhas de cada cidade, existem muitos seres humanos, um diferente do outro, todos únicos, não apenas pelas impressões digitais ou pela arcada dentária, mas pelo som individual de cada gargalhada e lógico, pelo formato diferente de cada bunda. Não nego que fico mais alegre ainda quando tento estimar a quantidade de nádegas femininas presentes no território terrestre. Gosto de perder certas contas.
Gosto de sair na rua, imaginar-me escondido em baixo de cada saia e bem lá no fundo, tenho certeza de que isso nunca será um pecado. Como eu gosto dos mamilos, afinal, eles não são lindos? Melhor ainda é pensar que toda mulher carrega duas dessas jóias circulares e que cada uma delas tem o ilustre potencial de ficar eriçada com a bênção de São Pedro, quando esse manda um ventinho frio, aliás, quantos mamilos será que o mundo abriga, hein? Haja sutiã! Como eu amo perder certas contas.
Gosto de ir à praia, passar o dia todo enterrado só com a cabeça fora da areia, apreciando os biquínis das tantas deusas que admiravelmente os vestem sem medo das celulites e das imperfeições normais que a bunda carrega. Já disse hoje que amo as bundas? Enfim, gosto também dos pescoços e gosto mais ainda quando acho neles o botão mágico capaz de arrepiar cada pelinho do corpo feminino.




Gosto desse desfile natural e de ter a certeza absoluta que envelhecerei sem ao menos saber pra onde olhar primeiro, tenho vontade de ficar girando sem parar até ficar tonto de tanta minissaia e salto alto. E as pernas então? Acho que sou perdidamente apaixonado por elas, seria capaz de passar alguns meses só fotografando coxas e anos só vendo as fotos delas, sorrindo com cara de safado, ou espera que eu as veja e faça careta?
Gosto de saber que não estou só por aqui e que quando terminar este texto sairei pelas calçadas de São Paulo, só pelo prazer de a cada esquina, admirar inúmeros exemplares do sexo feminino, cada qual com um telefone diferente, que com muita sorte anotarei na minha mão.
Só não entendo uma coisa: como é que tem tanta gente chorando e mendigando a presença de uma só pessoa, enquanto o mundo está repleto de tantas outras? Superlotado de bundas, mamilos, saias, pernas e porque não nobres corações? Você realmente acha que essa pessoa, que não lhe quer mais, é a melhor do mundo? A mais interessante? A única? Vou repetir: estima-se que o planeta Terra hoje possui aproximadamente sete bilhões de habitantes.
Então, dá próxima vez em que sofrer ou brigar por alguém que não vale a pena ou que não está nem aí para você, faça as contas. Verá que existem muitas outras possibilidades deliciosas por aí e provavelmente não verá mais motivos para desperdiçar lágrimas e continuar economizando tantos sorrisos.



7 de junho de 2012

Biblioteca Rijksmuseum Reading Room

Biblioteca Rijksmuseum Reading Room - Amsterdã, Holanda. A maior biblioteca pública da Holanda, inaugurada em 1800.

6 de junho de 2012


Queria dizer que eu conheci homens fiéis. Já conheci românticos, sonhadores, homens que se doaram muito mais na relação. Vi homem chorar por mulheres que nunca mereceram, vi a mulherada vacilando feio, iludindo, brincando com quem não merecia. Já vacilei também, nunca fiz as coisas por mal, mas já fiz mal, ainda que sem querer. O ser humano é egoísta, independente de sexo. Pessoas usando pessoas, relações sem nenhum laço. Eu já vi homens que ignoravam as investidas de meninas lindas, por amor. Eu vi, ninguém me contou. Canso de ouvir que sou uma feminista barata, mas eu passo longe disso. Sou justa. Admiro mulheres e homens, desde que saibam se portar como mulheres e homens. Odeio hipocrisia, covardia, submissão. Odeio quem ouve um idiota falar alguma besteira na padaria, acha legal e sai repetindo isso com toda a certeza de que é uma verdade absoluta. Não defendo um sexo, defendo o amor, valores. Me dói demais ver mulheres incríveis aturando um cara grosso e idiota, que não dá a mínima pra ela, só porque ela precisar estar junto a alguém. Queria que, de alguma forma, todas entendessem que felicidade não é ser dois, é ser. Queria que todas se vissem como eu as vejo, que todas entendessem o quão são especiais e agissem de acordo com isso, pensassem que alguém estar com elas não é um favor, é sorte. Também me dói ver homens sensacionais desacreditando com facilidade da ideia de ser feliz com alguém, só porque tentou com um alguém muito errado e teve o efeito contrário. Escrevo porque, apesar dos dias difíceis, quase impossíveis, eu acho que ninguém merece viver de portas fechadas, se afundando em si mesmo e em mágoas passadas. Mulheres culpando e criticando os homens, os homens culpando e criticando as mulheres, todo mundo se fechando pra não sofrer e o amor ficando sem espaço pra entrar. Porque se fechar é uma opção, mas você se fecha pra dor e pra felicidade também, isso é uma consequência.


5 de junho de 2012

Intimidade é muito mais do que ficar pelado

Mais um texto do Casal Se Vergonha


Não é o cinema acompanhado, as noites de sábado com programa garantido, o sexo quando der vontade. Não é ter alguém pra chamar de seu, não são as mensagens de bom dia, muito menos alguém pra quem comprar presente no Dia dos Namorados. Suspeito que o que as pessoas tanto busquem quando dizem que estão procurando um amor é a tão querida intimidade. Aquela coisa de querer dividir vontades, revelar segredos, contar coisas que você não contaria pra qualquer um. Intimidade é abrir a porta para o seu íntimo e deixar que o outro mergulhe nessas águas profundas e, muitas vezes, turvas.

O fato é que não é possível escolher os íntimos – eles simplesmente são.

Tem gente que força intimidade com os outros, como aquela pessoa que twitta o café da manhã diariamente, avisa quando vai tomar banho e – por que não? – posta uma foto de toalha pra a web ver. A intimidade forçada tenta ser aquela mesma, tão natural, que deixa a gente à vontade pra sair do banho de toalha na frente da prima. Mas ela jamais será. Acontece o mesmo com pessoas que se entitulam amigos íntimos de todo mundo mas que, na hora em que bate aquele desespero na madrugada, não têm ninguém para quem ligar. Afinal, só os íntimos ligam na madrugada para desabafar as dores do mundo em meio ao sono alheio.


Há também uma confusão quando o assunto é sexo – muita gente diz que sexo sem amor não é bom quando, na verdade, estavam se referindo à intimidade. Aquela mesmo que surge sem escolher a vítima. E então, reformulamos: sexo sem intimidade não é bom. Fica aquela coisa robótica, regada por uma ansiedade em agradar, por um esforço em encaixar o que não se encaixa. Mesmo com os corpos colados, existe um muro entre os dois que impede a entrega. No desespero de não saber o que fazer diante do artificial, os dois encenam uma cena patética, como o ator de teatro que sobre no palco pela primeira vez e, independente dos seus esforços, não convence ninguém de que está à vontade. Era pra todo mundo se emocionar com a história mas ela foi, na verdade, apenas e somente, uma dramatização.

Intimidade, inclusive, não depende de tempo. Você pode ser casado há 10 anos e não ser íntimo do outro. Agora, quando a intimidade existe, ela não deixa dúvidas. Impossível mascará-la.  Ela chega assim, sem pedir permissão e te faz abrir a vida para aquele estranho que conheceu há menos de duas horas – ele então, passa a saber de coisas que nem aquele colega de anos imagina. Ela faz os lábios se fundirem em um só e faz com que eles dancem em movimentos sincronizados, como o time que treinou há meses. Ela guia as mãos como se possuíssem GPS para a felicidade, solta as palavras como se não existissem tabus, libera o sorriso sincero que dispensa ensaios, torna a companhia mais importante que o programa e vangloria a conversa independente do conteúdo.

Na vida, precisamos mesmo de semelhantes, de cúmplices, de íntimos. Aqueles que te permitem jogar as máscaras, que gostam de você mesmo quando se é autêntica no limite. Aqueles que te fazem entender o real significado se ser escutada, que te explicam na prática que um olhar vale mais que mil palavras e que te lembram qual o verdadeiro sentido da palavra aconchego. Intimidade, inclusive, nos faz repensar no nosso vocabulário – quando se encontra alguém que lhe é íntimo, palavras como penetração, por exemplo, assumem outro significado – porque a sexual, pode-se fazer com quem quiser. Agora, penetrar no seu ser, é exclusividade de poucos.

Sorte daqueles que encontram os seus íntimos nas tantas ruas da vida.