26 de março de 2012

ECAD, me processa!

ECAD Cobra Do Próprio Autor Para Tocar Sua Música

14 de março de 2012


Eu chorando vendo filme de romance sou minha esperança de amor sincero e final feliz. Eu rolando na cama até de manhã sou meu medo de perder as pessoas, de me machucar outra vez. Eu mexendo no cabelo sem parar sou minha insegurança enorme de não ser bonita, inteligente e ter um corpo legal. Eu arrumada e maquiada sou minha mulher auto-suficiente adormecida, que espera essas oportunidades pra se libertar. Eu jogada no sofá sou eu livre, sem neuroses, sem peso, sem forçar barra. Eu no bar com os amigos sou uma pausa nas loucuras, meu momento de distração. Eu hoje sou sua, amanhã quem vai saber ? Gosto mesmo é de ser minha, me emprestar quando for seguro, com garantia de devolução sem danos. No fundo queria é que me roubassem, sem manual, sem dor. Sou muitas, sou muito. Sou intensa, mas não peso. É só você saber como levar. Sou verdade, sou de verdade, sou na verdade mais simples do que complicada. Meio paradoxo, mas sou mulher, ser simples e ponto não é da minha natureza. A questão é que sou, mas sou pra poucos também.

Marcella Fernanda

11 de março de 2012

Martha Medeiros

Já fui julgada 

até crucificada.

Já fui enaltecida

e muito amada.

Já fui certa e errada.

Já julguei e condenei.

Me arrependi e me desculpei.

Já fiz de tudo um pouco

porque meu verbo é solto.

Se sinto, preciso falar,
se me incomoda
tenho que questionar.
Mal interpretada costumo ser
mas o que posso fazer
quando preciso dizer
o que vai dentro do meu coração
e bole com a minha emoção.
Já fui injusta com quem não deveria ser
e cruel com quem fez por merecer.
Já fui bondosa e companheira.
Já fui até a enfermeira
de vidas que desabavam.
Já fui bombas que estouravam
em meio a guerras devastadoras.
Já fui a doutora que curou
um coração que se feriu por amor.
Já fui a personagem esquecida
e a atriz principal.
Já fui recatada e imoral.
Já fui alguém que o vento levou
e que trouxe, de volta, por um favor.
Já acertei e errei
adoeci e me curei.
Já pedi e implorei.
Já cedi, vendi e dei.
Já me culpei e me torturei
por tantas coisas que nem sei.
Já corri muito atrás
mas era longe demais
e não consegui chegar.
Já rasguei lembranças
que não prestavam mais.
Já remexi o lixo para achá-las
e de volta, na gaveta, colocá-las.
Já fiz de tudo um pouco
afinal sou normal,
só não posso revelar
o etc e tal.
Dar Vote.


Martha Medeiros

6 de março de 2012


Preciso prestar mais atenção nas cores,
fazer disso um roteiro habitual do dia a dia, 
afinal é o meu estado de espírito 
que as fazem mais ou menos bonitas,
deixam-nas intensamente iluminadas 
ou melancolicamente esmaecidas.
Hoje, por exemplo, só tenho olhos para o laranja,
pura alegria!


Neia Lambert
"Naturalmente eu sou irritável, naturalmente meu humor não é brilhante, mas de um modo geral eu sou alegre.”

Clarice Lispector.

3 de março de 2012