28 de abril de 2011

Chimarrão, doce companhia

Por Vanessa Pinheiro
"Hoje eu acordei mais cedo, tomei sozinho um chimarrão. Procurei a noite na memória... Procurei em vão. Hoje eu acordei mais leve (nem li o jornal). Tudo deve estar suspenso... Nada deve pesar." 

A letra desta música foi composta por Humberto Gessinger, músico admirável, sobre o chimarrão. Ela retrata a leveza e o carinho que nós, principalmente, os gaúchos temos para com essa  bebida e todo o seu ritual.

Estamos no início do inverno aqui no Sul, a estação mais agradável na minha humilde opinião, podem ter dias cinzas, pouco festivos, convidativos ao recanto do lar (mesmo que não seja o seu!), uma boa comida, uma coberta aconchegante, um bom filme e um bom vinho, são ótimas opções para  a noite fria. Já para o dia, quando você acorda e seu rosto está gélido, tem um agradável vento congelante tocando seus cabelos, ah, que sensação maravilhosa! A melhor opção então, é levantar-se e pôr uma água esquentar. Enquanto ela esquenta, prepare a Cuia! Não deixe a água ferver, apenas "chiar!" Após este ritual, pegue seu chimarrão e sente-se em uma varanda, ou aonde possa sentir a brisa na companhia de alguma pessoa especial para você. Digo especial, porque o chimarrão nos remete à essa afeição agradável, quase que nostálgica, são esses momentos eternos, jamais esquecidos...

Há quem não conheça o gosto do chimarrão, aconselho-os a que experimentem. É  um gosto doce e ao mesmo tempo amargo. Doce como um abraço apertado, e amargo como a distância, distância essa que se quebra na "roda de chimarrão", ou como dizemos, "a hora do mate!".

O frio aqui é rigoroso, hoje brando, mas aguardamos esse frio tão esperado, que deixa a paisagem gaúcha tão mais bela e convidativa. Um convite aos turistas, e a estes digo: podem chegar, nossa terra e nosso povo os receberão com muita alegria! Amamos mostrar-lhes nossa cultura e nossas beleza, também nossas falhas para que nos ajudem a corrigi-las, em nosso quintal encontrarão uma cuia de mate a disposição, e em nossos corações, gratidão por escolherem nosso chão!
       
Recebo o início de mais um inverno, mais um inverno em minha vida. Mais um período de lembranças felizes. Então, o que mais posso dizer, a não ser Seja Bem-vindo!



15 de abril de 2011

A HONRA DO SAMURAI

Antonni Christoffer Schmidt Bolzan[1]

Em um Japão em que guerreiros do bushido (Caminho do Guerreiro) não são mais respeitados por uma nova era que chegou, um homem que serviu a seus senhores com grande lealdade, não acreditava no que estava se passando, que não tem mais valor para seus senhores. Mas sabe que ainda pode ajudar as pessoas com sua Katana (Espada longa japonesa).
 Se opondo à lei que proíbe o porte de espadas no período Meiji, que com sua entrada causou uma mudança nas estruturas econômicas, sociais e políticas do Japão. Restauração na qual lutou e ajudou para que esta pudesse acontecer, obedecendo às ordens de seus senhores com lealdade e honra que agora o descartava como se não fosse nada.
Para o governo os samurais de nada mais valiam, pois o governo queria acabar com o que restara do Período Tokugawa, período no qual os samurais eram respeitados e vistos como guerreiros de grande poder e honra, porém os samurais se incluíam no que restou do período Edo (Período Tokugawa) e não deviam mais existir. O governo resolvera investir em exércitos e os samurais não seriam mais úteis a ele. Logo que seus serviços foram descartados e tudo o que ele sabia, de mais nada servia para seus senhores e vendo que muitos de seus amigos guerreiros morreram lutando para que o Japão pudesse ficar unificado, ele não queria desistir de sua honra, mas abandonou algumas coisas nas quais antes acreditava, e resolveu não matar mais, pois se arrependeu de mortes que foram cometidas por ele para que a era Meiji pudesse existir, mas continua a lutar contra os que tentam abusar de seu poder sobre povo. Seu nome era Ichigo Rayabusa (Ichigo é morango em japonês), era um dos melhores samurais do Japão, e havia treinado secretamente ninjutsu na vila secreta de koga, seu estilo era koga ryu, apesar de ninguém além da vila saber, Rayabusa era um grande mestre ninja e dominava com perfeição as técnicas ninja, porem não as usava em batalhas como samurai para não revelar o seu conhecimento e maestria. Ichigo não obtinha tais conhecimentos com a intenção de matar, porém havia situações em batalha que se era inevitável matar, pois ele acreditava no ideal de construir um Japão melhor.
Em um sábado pela manhã, mesmo sabendo da proibição, Ichigo resolve sair com sua Katana para comprar verduras no seu vilarejo. Chegando na região central onde se encontra o comércio, ele se depara com seis soldados abusando de seu poder sobre comerciantes e diz para que parem, os soldados o olham com desprezo, o líder dos soldados fala que eles podem fazer o que bem entendem porque eles tem o poder que o imperador deu à eles, então Ichigo fala, “O poder não está na força que você exerce sobre o povo, mas no respeito que o povo exerce sobre você”. Então o líder dos soldados fica calado e observa a espada de Ichigo, e fala que é proibido espadas na era meiji e ordena que ele a retire. Ichigo fala que aquela espada não é mais uma arma de morte, mas sim uma arma de defesa a vida, um dos soldados empurra um comerciante sobre sua barraquinha de verduras fazendo com que ele caia sobre sua barraca e ela quebre e logo em seguida saca sua espada.
Ichigo inconformado não reage, deixando assim o soldado mais bravo que vai ao seu encontro. Ichigo saca sua espada e a vira para o lado quenão tem lâmina, em seguida esquiva do ataque do soldado com uma velocidade espantosa e o ataca no plexo solar, fazendo assim que ele desmaie. Os outros soldados ficam espantados e apavorados com tal habilidade, mas por ordem de seu líder sacam suas espadas e atacam, enquanto o líder fica apenas olhando. Ichigo os deixa inconscientes antes mesmo que o líder pudesse piscar os olhos, então o covarde líder agarra um aldeão pelo pescoço e ameaça matá-lo com sua espada, Ichigo diz que matar um inocente não o levaria a nada, além de um tortura da qual ele jamais poderia fugir, a tortura mental que cairia sobre ele na qual ele jamais poderia escapar, o líder empurra o aldeão e vai ao encontro de Ichigo com sua espada em punhos e fecha seus olhos como se soubesse de sua derrota, Ichigo usa taijutsu (combate desarmado, manual) e apenas esquiva e o pega pelo pulso o atirando no chão retirando a espada do líder, e fala para o mesmo, que ele venceu.
O líder não entende então lhe é dito que a vitória está no fato de ele ter se arrependido e soltado o aldeão, de ter visto que a morte do aldeão não era a solução, Ichigo diz para que ele respeite as pessoas e que com respeito elas a respeitarão também. Ichigo ajuda o líder a se levantar e diz para que ele viva o melhor possível e que transmita a paz com o poder que lhe foi dado, o líder entende e agradece o reverenciando vendo a grande honra do ensinamento que lhe foi passado. Ichigo desperta os soldados e pede para que o líder dê o exemplo e lhes mostre o caminho da honra e do respeito. Após o ocorrido, os aldeões aplaudem Ichigo com gratidão, e lhe ajudam com as compras até sua humilde casa.
Após um mês, Ichigo já é admirado e respeitado pelo povo de sua aldeia e sua grande sabedoria já é ensinada aos mais jovens. Porém, o que se passou com os soldados chegou aos ouvidos de um maldoso general, que inconformado por achar que seus subordinados foram derrotados, por alguém que ainda carrega uma espada, mas sem saber que eles saíram vitoriosos com os que lhes foi ensinado, vai junto a uma tropa armada para matar o tal samurai que ainda restara. Na chegada da cidade cerca de vinte soldados procuram a casa do tal samurai, com a ordem de matar. O povo sabendo o que se passava vai para frente da humilde casa de Ichigo, eles estão dispostos aprotegê-lo com sua vida. O general pede para que se retirem e que o samurai saia. Ichigo não entende o que se passa, sai de sua casa e enxerga os soldados armados, então os soldados preparam para atirar, e o povo vai a frente de Ichigo obrigando os soldados a baixar as armas, porém, o maldoso general dá a ordem de matar todos se não saírem da frente. Ichigo se esquiva e vai à frente do povo e diz que aquele ocorrido iria acontecer para que seus ensinamentos se tornassem eternos, e diz para os aldeões que tem escrituras com tudo o que ele aprendeu em sua caminhada pela vida, guardadas em sua humilde casa em seu armário e pede para que estes ensinamentos sejam passados. Os aldeões se afastam respeitando a vontade de Ichigo que sabia que não havia outro jeito, por ter visto a maldade no coração do general, e sabendo que ele mataria o povo todo se ele não aceitasse a morte. Ichigo abre os braços e abaixa sua cabeça, então o general comanda que os soldados atirem, Ichigo é alvejado, sua espada é lançada a três metros de seu corpo, com suas últimas forças Ichigo se arrasta e pega sua espada e liberta a sua energia, cravando-a em seu Hara (ponto situado abaixo do umbigo, de equilíbrio e energia) e assim morre honradamente seguindo aquilo que acredita ser certo.

A sabedoria de Ichigo ficou eternizada, e foi passada de geração em geração, com uma escola fundada em sua vila que logo se expandiu por todo o Japão, levando a sabedoria do combate e ao mesmo tempo da paz para as pessoas.

REFERÊNCIAS

KIM, Ashida. Ninja Toque Mortal. Ediouro, 1989. 



[1] Estudante do 1º semestre do curso de Direito da Faculdade de Direito de Santa Maria - FADISMA.

7 de abril de 2011

Estabelecendo metas


"O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?"


"Isso depende muito de para onde você quer ir", respondeu o Gato.


"Não me importo muito para onde...", retrucou Alice.


"Então não importa o caminho que você escolha", disse o Gato.


"... Contanto que dê em algum lugar", Alice completou.


"Oh, você pode ter certeza que vai chegar", disse o Gato, "se você caminhar bastante."


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(trecho do livro "Alice no País das Maravilhas" de Lewis Carroll)

Artigo feminino

Meu útero é um astro rei e mulheres são divinas,
carregam uma estrela na barriga,
no ventre.
Vênus é nosso e todo o sitema existe por nós
Talvez por isso alguns seres de marte nos temem.
Coitados, esquecem que a força bruta não supera a força do psicológico feminino; sabe a hora certa de usar a razão e não erra quando o guia é a intuição. Genuinamente antenada com o cosmo, com a mãe natureza e os misteriosos ciclos naturais. Demorou para o mundo criado pela força braçal perceber que somos tudo em um corpo, em uma só essência com cheiros distintos.
A 'emancipação feminina' citada pela chiquinha, Sailor moon e todos os sabores das spice girls; como foi bacana ver de forma lúdica que quando eu crescesse, poderia ser o que eu quisesse, só dependia de mim. Não vou gerar nenhum fruto que não seja pela minha escolha, por gratidão à vida e pela minha espécie. Não vou ser mais uma a usar de maneira errada o ser feminino. Para aquelas mulheres que minimizam o seu ser para um rótulo qualquer, lástima. Não vou me esconder atrás de costas largas, carro e dinheiro. Me apoio na minha moral sem ser moralista, regras não são aplicáveis de maneira igualitária pois as histórias não são as mesmas mas para mim, a regra de se manter fiel a eu mesma é aplicavél a qualquer circunstância. Sou mulher, sangro e dou muito valor a isso. Não é papo de mulher auto-suficiente, é apenas um relato, um desabafo.
Cansei de ver mulheres que não sabem o que é a palavra dignidade e que por algum acaso, poderiam ser eu. O que me difere das demais? Cara, como é dificil entender as coisas mas infelizmente algumas coisas eu não consigo deixar quieto.

Jordana Braz