23 de janeiro de 2010

Machado de Assis

“Com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra.”

Teoria do Medalhão

Palavras do crítico Alfredo Bosi em relação à Machado de Assis:

“Nem utópica nem conformista, a razão machadiana escapa das respostas cortantes do não e do sim: alumia e sombreia a um só tempo.”

Machado de Assis

“Hamlet observava a Horácio que há mais coisas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia.”

A Cartomante

Machado de Assis

“Santa curiosidade! Tu não és só a alma da civilização és também o pomo da concórdia, fruta divina, de outro sabor que não aquele pomo da mitologia.”

O Espelho

Olhar-se ao espelho e dizer-se deslumbrada: Sou tão delicada e forte. E a curva dos lábios manteve a inocência.
Não há homem ou mulher que por acaso não se tenha olhado no espelho e se surpreendido consigo próprio. Por uma fração de segundo a gente se vê como a um objeto a ser olhado. A isto se chamaria de Narcisismo, mais eu chamaria de: Alegria de ser. Alegria de encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: Ah, então é verdade que eu não me imaginei, eu existo!

Fui comprar presente...

Hoje levantei-me cedo e fui comprar um presente pra você.
Comprei Chuva,Sol,Vento,Risos e apenas 50 lágrimas,não tinha mais.
O balconista disse-me que está tendo muita saída,pois os clientes compram muito.
Comprei um pacote de Serenidade para você usar sempre.
Lá na loja havia um vidro de compreensão,mas o balconista disse-me que estava tendo pouca saída.
...Então...resolvi comprar tudo.
Comprei vidros de Romantismo e Gentileza para você usar com as pessoas queridas.
Sabe...lá na loja havia um pouco de Orgulho,mas não comprei,pois sei que você não usa.
Comprei enormes pacotes de...
Comprei ainda outros pacotes contendo Amizade e Companheirismo.
FINALMENTE COMPREI UM CORAÇÃO...
para você guardar todos esses presentes
E depois que você guardou tudo desejo a você /que encontre a verdadeira Felicidade...
Não espere a mágoa para pedir perdão...
Não espere a queda para lembrar-se do conselho...
Não espere a separação para tentar Amor e Paz, juntamente com Esperança para você usar quando tudo parecer perdido a reconciliação...
Não espere elogios para acreditar em si mesmo...
Não espere ficar de luto para reconhecer que hoje é importante para você...
Não espere ser amado para amar...
Não espere um sorriso para ser gentil...
Não espere o melhor emprego para trabalhar...
Não espere pessoas perfeitas para então se apaixonar...
Não espere dinheiro aos montes para depois contribuir...
Não espere a mágoa para então pedir perdão...
Não espere ficar sozinho para dar valor a quem está ao seu lado...
Não espere a dor para acreditar em oração...
Não espere o dia de sua morte sem antes amar a vida...

SEJA SEMPRE AUTÊNTICO,ÚNICO,SEJA SEMPRE VOCÊ...

Os Sete Peqados da Leitura - Gabriel Perissé




Peqados com "q", porque "c" tem som de "cê", e "q" tem som de "quê". Por isso o certo é o errado. 

A inveja da leitura. O outro leu mais do que eu? Leu melhor do que eu? Tem mais livros do que eu? O olho gordo da leitura. Quero ser o leitor que o outro é. Quero ler nos idiomas que não leio. Quero imitar e superar quem leu desde cedo, quem lê dia e noite, quem lerá para sempre. 

A gula da leitura. Comer o livro com capa e tudo. Cheirar, lamber, morder, mastigar, engolir. Livros suculentos, temperados, cozidos e assados. Livro aperitivo, livro prato principal, livro sobremesa. Do livro me servir duas, três vezes. Acordar no meio da noite para assaltar a biblioteca. 

A preguiça da leitura. Leitura lenta, sonolenta, que não sai do lugar. O mesmo capítulo, o mesmo livro nunca terminado. A mesma página, olhar parado, contemplando o infinito, o nome do autor, o nome da editora, o título, o subtítulo, o índice, a dedicatória, a epígrafe, o sumário, o prefácio, a introdução... 

A luxúria da leitura. A leitura desejada, imaginada em mil e uma posições. Sugestiva, insinuante, tentadora. Prazer entre as páginas, entre as capas, entre as letras. Beijar o texto e ser por ele abraçado. Dormir com mais de um livro, a todos trair e a todos procurar, gemendo, tremendo, relendo. 

A soberba da leitura. Vangloriar-me de cada livro lido, de cada autor por mim conhecido, por mim descoberto, por mim, por mim, por mim! Supero em muito cada autor porque sou mais do que um só. Sou Guimarães e Bandeira, sou Goethe e Kafka, sou Homero e Dante. Sou tudo o que leio. Sou mais. Sou melhor. 

A avareza da leitura. Guardar todos os livros para mim, para mim, para mim! Não empresto meus livros e os livros que alguém me empresta tornam-se meus para sempre. Os livros são todos meus. Deles extraio lucro, juros, vantagens, privilégios, poder. Livros para ter, para acumular. Pilhas de livros. Livros que levarei para o túmulo. 

A ira da leitura. O verso lido com raiva, gritado, indignado com tudo e com todos. O romance fazendo guerra às nossas idéias. A leitura, pura raiva de viver. Bater, apanhar, brigar, xingar. Leitura dura. 

De todos me orgulho. De cada teimoso peqado, com "q".



“Mandamentos da Saúde”


1 - Ler bons textos sobre saúde, alimentação e outros.

2 - Praticar regularmente alguma atividade física como caminhada, ciclismo, corrida, natação, outro esporte ou exercícios, mesmo se o seu trabalho exige esforço físico. Aproveite para fazer respiração profunda (diafragmática).

3 - Tirar alguns minutos por dia para reflexão, meditação, de preferência ao acordar e ao deitar e nas principais refeições.

4 - Tomar água diariamente, nos intervalos das refeições, de preferência em pequenos goles. Especialmente ao acordar, em jejum e ao deitar, tomar um copo de água.

5 - Utilizar produtos integrais (pão, arroz, biscoitos, etc.), evitando alimentos descortiçados tais como: arroz polido, pão branco, bolachas, farinhas, açúcar e cereais refinados.

6 - Ter alguns momentos de descanso por dia. Uma pausa ou uma recreação ao ar livre para alívio das tensões diárias. Procurar dormir de 6 a 8 horas por dia, regularmente.

7 - Procurar combinar os alimentos, sem misturar muitos tipos diferentes, com a mesma fonte nutricional, em cada refeição.

8 - Não beber líquidos junto com as refeições. Beber meia hora antes e no mínimo uma hora após. Por dia, deve-se ter tomar, de 4 a 6 copos de água pura, além de chás e sucos.

9 - A mastigação é o ato consciente mais importante da digestão. Nela se garante 50% da eficiência alimentar. Mastigue de 18 a 30 vezes cada bocado, deglutindo-o calmamente.

10 - Comer calmamente e com espírito positivo, numa atitude consciente de gratidão pela vida que se renova.

11- Nenhuma partícula de alimento deve entrar em nossa boca entre as refeições. “O comer fora de hora entrava o funcionamento da máquina viva”. Não há nada que arruíne mais a saúde de uma criança, por exemplo, do que esse hábito descuidado.

12 - Logo após as refeições não devemos deitar para descansar ou ler, mas movimentar-se, sem muito esforço, durante 15 a 30 minutos, para facilitar a digestão.

13 - Comer sempre alimentos crus diariamente no início de cada refeição. Cada refeição deverá conter, no mínimo, 50 % de alimentos crus.

14 - Evitar ou reduzir alimentos e produtos excitantes do sistema nervoso, agressores e poluidores do sangue, tais como: carnes vermelhas, frios, lingüiças, queijos gordurosos, vinagre, mostarda, pimenta, conservas industrializadas, chá mate e chá preto, café, álcool, chocolate, fumo, doces e outros produtos industrializados artificialmente.

15 - Evitar açúcar, frituras e refogados gordurosos. Preferir frutas da época ou passas, amendoim, castanha, soja, nozes, azeitonas, coco e abacate.

16 - Evitar sal refinado, usar moderadamente o sal marinho.

17 - O desjejum é considerado a principal refeição e deverá ser composta de frutas, cereais integrais, iogurte natural, levedo de cerveja, melado ou mel e/ou outros alimentos naturais.

18 - O almoço deve ser um desfile de verduras e legumes, de preferência crus, um cereal integral, uma opção protéica e mais um complemento. Procure variar diariamente os pratos.

19 - O jantar deverá ser leve, com frutas, pão torrado ou cereal integral. Também se pode variar com sopas de legumes ou frutas.

20 - Não espere adoecer para modificar seus hábitos. Inclua suplementos de fibras, vitaminas e minerais e alimentos balanceados na sua alimentação diária. Comece a fazer mudanças e elas se somarão a grandes transformações na sua qualidade de vida e saúde.


Mercantilismo Educacional


Sebastião Ventura Pereira da Paixão*
Diz a Constituição (art. 205) que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, devendo ser promovida e incentivada com a colaboração da sociedade com vistas ao desenvolvimento da pessoa, seu preparo para p exercício da cidadania e sua qualificação para o mercado de trabalho. Tal regra é mai um artigo de decoração constitucional. A educação é ainda um sonho distante para muitas crianças; nossas escolas estão sucateadas, e os professores são aviltados em seus salários, recebendo uma remuneração gritantemente indigna e incompatível com o alto ofício que exercem.

Ora, um povo para ser livre precisa compreender o que é a liberdade, seus limites e possibilidades. Aliás, liberdade, antes de ser um direito, é um sentimento que pressupõe cidadania e responsabilidade. A capacidade de compreensão e o próprio exercício da vida livre decorrem diretamente do acesso à educação. Um povo surrupiado do ensino e da cultura pode ter a ilusão de ser livre, mas não passa de uma grande massa de manobra a favor dos interesses de ocasião. O fato é que a educação liberta, mas o Brasil insiste em aprisioná-la. Enquanto não tivermos um sistema educacional sério e competente, que valorize os mestres e recoloque o aluno no centro do processo de crescimento intelectual, seguiremos vítimas dos desmandos do inquilinato do poder. Só haverá democracia autêntica e honesta quando o exercício da via política estiver vigiada por cidadãos plenamente conscientes dos direitos e deveres da cidadania.

O preocupante é que o desmonte intelectual está criando desajustes em todos os planos de ensino. Certas escolas se transformaram em um negócio, no qual o aluno irou “cliente” e o professor, “representante comercial”. Como cediço, a regra básica do comércio é: o cliente sempre tem razão! Algumas universidades, por sua vez, passam a exigir “títulos” ao invés de vocação à docência, didática e saber. Muitos professores antigos, cujo título era a experiência, os cabelos brancos, os anos de sala de aula e os estudos enraizados pelo tempo, foram tidos por peças substituíveis. Enfim, do aluno ao professor, tudo não passa de uma simples mercadoria.

A atual sociedade do consumo não tolera a tradição e a experiência. Os valores são fugazes e passageiros. Até onde iremos neste frágil mundo de aparências? Provavelmente, o próprio destino já está comprado. O importante é nos darmos conta de que o mercantilismo educacional é um fenômeno decorrente da insuficiente política de ensino nacional que pouco educa e muito falha na regulamentação e nos investimentos do setor. Na verdade, educação é muito mais que uma mercadoria; é um patrimônio pessoal inalienável que, infelizmente, pertence a poucos. No final, o grande perdedor é a cidadania brasileira.
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*Advogado, especialista em Direitos do Estado - UFRGS

Passei toda a noite sem dormir - Fernando Pessoa

Passei toda a noite, sem dormir,
vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes
do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação
do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia
de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço
de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela,
e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distração animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero,
nem quero saber o que quero.
Quero só pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.

Perguntarão pela tua alma - Cecília Meireles


Perguntarão pela tua alma
a alma que é
ternura,
bondade,
tristeza,
amor.
Mas tu mostrarás a
alma do teu vôo.
Livre por entre os mundos...
E eles compreenderão
que a alma pesa.
Que é um segundo corpo,
e mais amargo,
porque não se pode mostrar,
porque não se pode ver…


Quantas vezes nós pensamos em desistir, deixar de lado, o ideal e os sonhos.
Quantas vezes batemos em retirada, com o coração amargurado pela injustiça.
Quantas vezes sentimos o peso da responsabilidade, sem ter com quem dividir.
Quantas vezes sentimos solidão, mesmo cercado de pessoas.
Quantas vezes falamos, sem sermos notados.
Quantas vezes lutamos por uma causa perdida.
Quantas vezes voltamos para casa com a sensação de derrota.
Quanta vezes aquela lágrima, teima em cair, justamente na hora em que precisamos parecer fortes.
Quantas vezes pedimos a Deus um pouco de força, um pouco de luz...
E a resposta vem, seja lá como for: um sorriso, um olhar cúmplice, um cartãozinho, um bilhete, um gesto de amor.
E a gente insiste!
Insiste em prosseguir, em acreditar, em transformar, em dividir, em estar, em ser.
E Deus insiste em nos abençoar, em nos mostrar o caminho:
aquele mais difícil, mais complicado, mais bonito.
E a gente insiste em seguir, porque tem uma missão e amigos.

É verdade que as pessoas têm suas chances na vida, suas oportunidades, e que a maioria esquece que como no pôr do sol as oportunidades passam muito rápido. Assim ficam caminhando em direção do nada e não percebem o quanto podem ser grandiosas e ficam conformadas, estagnadas, esperando. Mas nunca percebem que não é esperar que precisam, é simplesmente fazer as coisas acontecerem!

Que letra sensacional...

"É aquela que fere

Que virá mais tranquila

Com a fome do povo

Com pedaços da vida

Como a dura semente

Que se prende no fogo

De toda multidão

Acho bem mais

Do que pedras na mão...

Dos que vivem calados

Pendurados no tempo

Esquecendo os momentos

Na fundura do poço

Na garganta do fosso

Na voz de um cantador...

E virá como guerra

A terceira mensagem

Na cabeça do homem

Aflição e coragem

Afastado da terra

Ele pensa na fera

Que o começa a devorar...

Acho que os anos

Irão se passar

Com aquela certeza

Que teremos no olho

Novamente a idéia

De sairmos do poço

Da garganta do fosso

Na voz de um cantador...

E virá como guerra

A terceira mensagem

Na cabeça do homem

Aflição e coragem

Afastado da terra

Ele pensa na fera

Que o começa a devorar...

Acho que os anos

Irão se passar

Com aquela certeza

Que teremos no olho

Novamente a idéia

De sairmos do poço

Da garganta do fosso

Na voz de um cantador...

Heiá! Oh! Oh!

Heiá! Oooooooh!

Oh! Oh! Oh! Oh!


Zé Ramalho e Elba Ramalho - A terceira Lamina


Substantivo Masculino, Artigo Feminino e Verbo Auxiliar

Substantivo Masculino, Artigo Feminino e Verbo Auxiliar
REDAÇÃO DA ALUNA DA UFPE
Curso de Letras, da UFPE Universidade Federal de Pernambuco (Recife), que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.

“Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.

Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão
verbal, e entrou com ela em seu aposto.

Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.

Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.

Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva."
SIRVAM NOSSAS FAÇANHAS DE MODELO A TODA TERRA