11 de setembro de 2009

A vida eh mesmo coisa muito frágil, uma bobagem, uma irrelevância diante da eternidade do amor de quem se ama...

10 de setembro de 2009

"O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte."

João Cabral de Melo Neto
A vida é uma viagem bebida sem gelo, engolida às pressas, às vésperas da sede.

Vivendo a música internamente

"Na música todos os sentimentos voltam a seu estado puro e o mundo não é nada mais do que música feita realidade", afirmou em certa ocasião o filósofo alemão do século XIX Arthur Schopenhauer. Para a flautista espanhola contemporânea Magdalena Martínez, "a música é a arte mais direta porque entra pelo ouvido e atinge o coração".

Alguns especialistas, como a psicoterapeuta e ao mesmo tempo concertista María José López Sariñena, concordam com estas ideias, porque as experimentam diariamente em sua relação particular com pacientes e alunos, e ao mesmo tempo com os instrumentos e as partituras. Além disso, propõem experimentá-las, se aproximando da música de uma maneira cada vez mais profunda e intensa.

"Com um pouco de prática, se pode chegar a ter a sensação de ser a própria música. Quando se alcança a sensação de ser a própria música, uma canção ou uma peça deixam de ser uma série de sons harmônicos que são escutados ou dançados, para se transformar em uma experiência de desfrute sensorial e crescimento interior", diz esta professora e intérprete de música, que também trabalha em psicoterapia.

Um dos requisitos básicos para poder viver a música de uma maneira mais intensa e inclusive fundir-se com ela, está em treinar o ouvido para poder escutá-la em todos os seus matizes.

"Nossos ouvidos costumam estar 'abertos' à infinidade de estímulos sonoros, desde a rádio e a televisão, até os sons urbanos ou o último sucesso musical, e infinidade de fontes de decibéis. No entanto, paradoxalmente costumam estar 'fechados' aos demais, porque não nos escutamos uns a outros quando falamos", diz a especialista. "Escutar pode se transformar em uma revelação incrível se for um ato realizado com consciência e atenção", afirma María José López.


Ginástica dos ouvidos.

Para treinar a audição, é preciso prestar atenção ao escutar as outras pessoas e procurar estar com elas. É preciso escutar o que nos dizem e como nos dizem: sua voz e seus matizes. Por outro lado, você escuta a si mesmo quando se dirige aos demais? O que suas palavras, voz e entonação transmitem?

"É conveniente experimentar com os sons. Pegar um papel e amassá-lo, quebrar um galho, esmigalhar uma folha seca, esfregar os dedos perto do ouvido, atirar uma pedra em um tanque, abrir uma torneira e deixar correr a água, são experiências auditivas que têm 'sua própria música'", diz a concertista.

Desfrutar de uma música agradável, do canto dos pássaros, do som de um gongo ou de um sino podem fazer ressoar sensações insuspeitadas em quem os escuta.

A especialista também nos explica que existe um "experimento filosófico" de 20 a 120 minutos de duração, que pode ser utilizado regularmente como um método para expandir nossa denominada "realidade interior".

Consiste em isolar-se em um quarto, desligando todos os aparelhos (telefone, televisão, rádio etc.) menos o equipamento de música, e deixar tocar uma música que nos inspire, no maior volume possível. Assim nos aproximamos da música, através de seus ritmos, dos "aromas" que sugere.

"Relaxamos os músculos, entramos no som, nos deitamos no chão, no sofá e nosso corpo se torna pesado. Fizemos parte da música. Viajamos pelos ritmos, quase mágicos, rituais aos que ela, a música, nos convida. Tudo é música nesse momento", diz a terapeuta.

Segundo nos indica, "o corpo, a mente, os desejos, o intelecto não existem nesse instante. Só há música. A música que somos. Perderemos a sensação de poder dar palavras ao que experimentamos, visto que quando pensamos, passamos de ser música a escutar música. Trata-se de diluir o eu, estar vazios e presentes no momento, sem palavras, sem nomes".

"É então quando se adquire a possibilidade de se observar em uma nova esfera, longe de toda condição social ou material: um estado em muitas ocasiões definido pelos rituais xamânicos dos aborígines americanos", diz María José López.

Definitivamente, segundo a especialista, se trata de ver-se em outro contexto, flutuante, de fora, com uma infinidade de possibilidades, sem rancores, nem preocupações.

Nesse estado, tudo é música interior experimentada em seu estado mais puro. Nesses momentos também tem significado o velho ditado: "Se o mundo desaparecesse, só restaria a música".


María Jesús Ribas.

9 de setembro de 2009

[A arte maior é o jeito de cada um Vivo pra ser feliz não vivo pra ser comum]
"É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem sabe ver."

Olhar-se ao espelho e dizer-se deslumbrada: Sou tão delicada e forte. E a curva dos lábios manteve a inocência.
Não há homem ou mulher que por acaso não se tenha olhado no espelho e se surpreendido consigo próprio. Por uma fração de segundo a gente se vê como a um objeto a ser olhado. A isto se chamaria de Narcisismo, mais eu chamaria de: Alegria de ser. Alegria de encontrar na figura exterior os ecos da figura interna: Ah, então é verdade que eu não me imaginei, eu existo!

Deixe o PSY te dominar, o amor te alimentar a vibe te controlar...Sinta o som,sinta a vibe, sinta a união do corpo,mente e alma, seres humanos com, a capacidade de propagar energia pura, vivendo o êxtase dos sentidos..Aguçe sua mente e viaje nesse infinito de reações instantâneas e surreais..Seja um espírito LIVRE.

COERÊNCIA

Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim, como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:' -Ah, terminei o namoro -Nossa, estavam juntos há tanto tempo-Cinco anos...que
pena...acabou....-é...não deu certo...'
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores. Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não
consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro? E não temos essa coisa completa. Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama. Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel. Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador. Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível, é chata e insegura. Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o
papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...Acho que o beijo é
importante...e se o beijo bate...se joga...se não bate...mais um Martini,
por favor...e vá dar uma volta. Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não brigue, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa está com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar.... ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.O ser humano
não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa realmente gostar, ela volta. Nada de drama. Que graça tem alguém do seu lado
sob pressão? O legal é alguém que está com você, só por você. E vice versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós.
Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento. Tem gente que
pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração.....Faz parte.Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo. E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse.... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier
com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se
envolver, namore uma planta. É mais previsível. Na vida e no amor, não temos garantias. Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear. E nem todo sexo bom é para descartar...
Ou se apaixonar... Ou se culpar...Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ?????'


(Arnaldo Jabor)

2 de setembro de 2009

Flávio Steffli Jr dá dicas de economia!

Fala aí galera! Então, vou contar um pouquinho de como fiz para economizar e me manter até hoje. Entre algumas táticas que usei duas foram as que mais deram resultado.

Desde cedo tive que controlar minhas finanças. Logo nos primeiros empregos tive que abrir uma conta bancária. Era um conta/poupança. A partir daí tracei uma meta: Todo o dinheiro que sobrasse das contas que eu tinha para pagar eu direcionava para a poupança, e lidava com esse dinheiro como “inexistente”. Ou seja, só usaria para fazer algum investimento ou comprar algo que eu quisesse muito, mas era proibido de usar para coisas pequenas, baladas ou regalias. Isso exige um grande autocontrole, mas sempre me deu retornos muito positivos.

A outra maneira que utilizei para economizar, tanto no Brasil quanto nas minhas viagens para o exterior foi aprender a fazer as obrigações da casa. Os gastos com restaurantes, lavanderias e empregada doméstica são altíssimos. Aprendendo a cozinhar, lavar roupas e fazer faxina deixei de gastar muito e pude utilizar a grana para outras finalidades como: viajar, estudar ou fazer compras.

É isso aí. Cuidem bem do seu dinheiro. E lembrem-se: gastar é muito mais fácil do que ganhar.

Boa saúde financeira!

Flávio Steffli Jr.

Epístola aos Novos Bárbaros

Jamais compreendereis a terrível simplicidade das
[minhas palavras
porque elas não são palavras: são rios, pássaros,
[naves...
no rumo de vossas almas bárbaras.
Sim, vós tendes as vossas almas supersticiosamente
[pintadas.
e não apenas a cara e o corpo como os verdadeiros
[selvagens.
Sabeis somente dar ouvido a palavras que não
[compreendeis,
e todos os vossos deuses são nascidos do medo.
E eu na verdade não vos trago a mensagem de
[nenhum deus.
Nem a minha...
Vim sacudir o que estava dormindo há tanto dentro de
[cada um de vós
a limpar-vos de vossas tatuagens.
E o frêmito que sentireis, então, nas almas transfiguradas
não será do revôo dos anjos... Mas apenas
o beijo amoroso e invisível do vento
sobre a pele nua.

[Mario Quintana; Baú de Espantos]

O império do consumo


Eduardo Galeano

A explosão do consumo no mundo atual faz mais barulho do que todas as guerras e mais algazarra do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco, aquele que bebe a conta, fica bêbado em dobro. A gandaia aturde e anuvia o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo faz muito barulho, assim como o tambor, porque está vazia; e na hora da verdade, quando o estrondo cessa e acaba a festa, o bêbado acorda, sozinho, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos quebrados que deve pagar. A expansão da demanda se choca com as fronteiras impostas pelo mesmo sistema que a gera. O sistema precisa de mercados cada vez mais abertos e mais amplos tanto quanto os pulmões precisam de ar e, ao mesmo tempo, requer que estejam no chão, como estão, os preços das matérias primas e da força de trabalho humana. O sistema fala em nome de todos, dirige a todos suas imperiosas ordens de consumo, entre todos espalha a febre compradora; mas não tem jeito: para quase todo o mundo esta aventura começa e termina na telinha da TV. A maioria, que contrai dívidas para ter coisas, termina tendo apenas dívidas para pagar suas dívidas que geram novas dívidas, e acaba consumindo fantasias que, às vezes, materializa cometendo delitos. O direito ao desperdício, privilégio de poucos, afirma ser a liberdade de todos.

Dize-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa as flores dormirem, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores estão expostas à luz contínua, para fazer com que cresçam mais rapidamente. Nas fábricas de ovos, a noite também está proibida para as galinhas. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem metade dos calmantes, ansiolíticos e demais drogas químicas que são vendidas legalmente no mundo; e mais da metade das drogas proibidas que são vendidas ilegalmente, o que não é uma coisinha à-toa quando se leva em conta que os EUA contam com apenas cinco por cento da população mundial.

«Gente infeliz, essa que vive se comparando», lamenta uma mulher no bairro de Buceo, em Montevidéu. A dor de já não ser, que outrora cantava o tango, deu lugar à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. «Quando não tens nada, pensas que não vales nada», diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, em Buenos Aires. E outro confirma, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: «Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas, e vivem suando feito loucos para pagar as prestações».

Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade, e a uniformidade é que manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todas partes suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora do que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.

O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde quantidade com qualidade, confunde gordura com boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a «obesidade mórbida» aumentou quase 30% entre a
população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou 40% nos últimos dezesseis anos, segundo pesquisa recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado. O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free, tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar desce do carro só para trabalhar e para assistir televisão. Sentado na frente da telinha, passa quatro horas por dia devorando comida plástica.

Vence o lixo fantasiado de comida: essa indústria está conquistando os paladares do mundo e está demolindo as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que vêm de longe, contam, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade e constituem um patrimônio coletivo que, de algum modo, está nos fogões de todos e não apenas na mesa dos ricos. Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão sendo esmagadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida em escala mundial, obra do McDonald´s, do Burger King e de outras fábricas, viola com sucesso o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.

A Copa do Mundo de futebol de 1998 confirmou para nós, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola proporciona eterna juventude e que o cardápio do McDonald´s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército do McDonald´s dispara hambúrgueres nas bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O duplo arco dessa M serviu como estandarte, durante a recente conquista dos países do Leste Europeu.

As filas na frente do McDonald´s de Moscou, inaugurado em 1990 com bandas e fanfarras, simbolizaram a vitória do Ocidente com tanta eloqüência quanto a queda do Muro de Berlim. Um sinal dos tempos: essa empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. O McDonald´s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama de Macfamília, tentaram sindicalizar-se em um restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas, em 98, outros empregados do McDonald´s, em uma pequena cidade próxima a Vancouver, conseguiram essa conquista, digna do Guinness.

As massas consumidoras recebem ordens em um idioma universal: a publicidade conseguiu aquilo que o esperanto quis e não pôde.

Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que a televisão transmite. No último quarto de século, os gastos em propaganda dobraram no mundo todo. Graças a isso, as crianças pobres bebem cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite e o tempo de lazer vai se tornando tempo de consumo obrigatório. Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisão, e a televisão está com a palavra. Comprado em prestações, esse animalzinho é uma prova da vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos.

Pobres e ricos conhecem, assim, as qualidades dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos ficam sabendo das vantajosas taxas de juros que tal ou qual banco oferece. Os especialistas sabem transformar as mercadorias em mágicos conjuntos contra a solidão. As coisas possuem atributos humanos: acariciam, fazem companhia, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o carro é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.

Os buracos no peito são preenchidos enchendo-os de coisas, ou sonhando com fazer isso. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas escolhem você e salvam você do anonimato das multidões. A publicidade não informa sobre o produto que vende, ou faz isso muito raramente. Isso é o que menos importa. Sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias. Comprando este creme de barbear, você quer se transformar em quem?

O criminologista Anthony Platt observou que os delitos das ruas não são fruto somente da extrema pobreza. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social pelo sucesso, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Eu sempre ouvi dizer que o dinheiro não trás felicidade; mas qualquer pobre que assista televisão tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro trás algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.

Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX marcou o fim de sete mil anos de vida humana centrada na agricultura, desde que apareceram os primeiros cultivos, no final do paleolítico. A população mundial torna-se urbana, os camponeses tornam-se cidadãos. Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo, e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em todas partes, mas por experiência própria sabem que atende nos grandes centros urbanos.

As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os esperadores olham a vida passar, e morrem bocejando; nas cidades, a vida acontece e chama. Amontoados em cortiços, a primeira coisa que os recém chegados descobrem é que o trabalho falta e os braços sobram, que nada é de graça e que os artigos de luxo mais caros são o ar e o silêncio.

Enquanto o século XIV nascia, o padre Giordano da Rivalto pronunciou, em Florença, um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam «porque as pessoas sentem gosto em juntar-se». Juntar-se, encontrar-se. Mas, quem encontra com quem? A esperança encontra-se com a realidade? O desejo, encontra-se com o mundo? E as pessoas, encontram-se com as pessoas?Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente encontra-se com as coisas?

O mundo inteiro tende a transformar-se em uma grande tela de televisão, na qual as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos.

Os terminais de ônibus e as estações de trens, que até pouco tempo atrás eram espaços de encontro entre pessoas, estão se transformando, agora, em espaços de exibição comercial. O shopping center, o centro comercial, vitrine de todas as vitrines, impõe sua presença esmagadora. As multidões concorrem, em peregrinação, a esse templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora é submetida ao bombardeio da oferta incessante e extenuante. A multidão, que sobe e desce pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago; e para ver e ouvir não é preciso pagar passagem. Os turistas vindos das cidades do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas benesses da felicidade moderna, posam para a foto, aos pés das marcas internacionais mais famosas, tal e como antes posavam aos pés da estátua do prócer na praça.

Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam até o centro. O tradicional passeio do fim-de-semana até o centro da cidade tende a ser substituído pela excursão até esses centros urbanos. De banho tomado, arrumados e penteados, vestidos com suas melhores galas, os visitantes vêm para uma festa à qual não foram convidados, mas podem olhar tudo. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas.

A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo à descartabilidade midiática. Tudo muda no ritmo vertiginoso da moda, colocada à serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje, quando o único que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, são tão voláteis quanto o capital que as financia e o trabalho que as gera. O dinheiro voa na velocidade da luz: ontem estava lá, hoje está aqui, amanhã quem sabe onde, e todo trabalhador é um desempregado em potencial.

Paradoxalmente, os shoppings centers, reinos da fugacidade, oferecem a mais bem-sucedida ilusão de segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, além das turbulências da perigosa realidade do mundo.

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota assim como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem pausa, no mercado. Mas, para qual outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar na historinha de que Deus vendeu o planeta para umas poucas empresas porque, estando de mau humor, decidiu privatizar o universo? A sociedade de consumo é uma armadilha para pegar bobos.

Aqueles que comandam o jogo fazem de conta que não sabem disso, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta. A injustiça social não é um erro por corrigir, nem um defeito por superar: é uma necessidade essencial. Não existe natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.

Eduardo Galeano é escritor uruguaio, autor de As veias abertas da América Latina.


Fonte: http://www.socialismo.org.br/portal/questoes-ideologicas/83-artigo/469-o-imperio-do-consumo-